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Para desburocratizar serviços jurídicos em startups, o BNZ Innovation criou até uma moeda própria

- 5 de fevereiro de 2019
Arthur Braga Nascimento fala como o escritório de advocacia do qual é sócio desenvolveu o serviço, além de um braço de atendimento a investidores e outro focado na internacionalização de empresas.

Com mais de 25 anos de história, o escritório de advocacia Braga Nascimento e Zilio Advogados Associados entrou no universo da Nova Economia em 2016, quando um dos sócios, Arthur Braga Nascimento, 27, criou o BNZ for startups, um núcleo focado em desburocratizar o ecossistema e auxiliar startups em estágio inicial em relação a serviços jurídicos. Mais tarde, após focar também em fundos de Venture Capital e em internacionalização de negócios, a empresa virou BNZ Innovation. Arthur fala:

“Em algum momento, uma startup vai captar investimento para escalar e precisará de uma governança corporativa e de um corpo jurídico que dê segurança ao investidor”

Ele acredita que a forma tradicional de atuação do mercado, com negociações de honorários e processos muito burocráticos não combina com a dinâmica das startups. Por isso, o modelo criado para atender essas empresas foi uma moeda própria: os BNZs, que funciona como um sistema pré-pago. Cada BNZ equivale a 2 reais e o pacote mínimo para a compra é de 2 mil BNZs. Existe uma tabela de preço fixa e a cada serviço prestado o valor é abatido do crédito da empresa.

Os BNZs não expiram e, segundo Arthur, o empreendedor chega a pagar até 12 vezes mais barato quando comparado ao mercado tradicional, em que o serviço de advocacia é cobrado por hora. Arthur conta: “Com uma moeda própria, consigo precificar melhor o meu serviço e o cliente já sabe quanto vai gastar”. Somente em casos extremos, quando é preciso resolver um problema em menos de 24 horas, é cobrada uma taxa de urgência.

A maioria das questões das startups são atendidas pelos quatro advogados que fazem parte do núcleo de inovação, porém, quando há demandas muito específicas, outros profissionais do escritório — que possui 150 advogados — são acionados. “Nesse universo, quem não é colaborativo está fora. Então, todo mundo do escritório acaba participando, o que é muito bom porque leva inovação para todas as áreas”, diz Arthur.

Ele e sua equipe também oferecem mentoria jurídica gratuita para qualquer startup que assim requisitar: “Fazemos isso de graça por uma hora. É uma forma de colaborarmos com o ecossistema e de fazermos network”.

ELES MUDARAM DE NOME PARA AUMENTAR A ÁREA DE ATUAÇÃO

Este ano, o BNZ for startups vai expandir a atuação e por isso mudou o nome para BNZ Innovation, que engloba também o atendimento a investidores (BNZ Ventures) e a internacionalização do negócio (BNZ Global).

Além de atender startups, o BNZ Innovation tem parceria com aceleradoras, onde os advogados dão cursos, palestras e mentorias.

O BNZ Ventures é focado em atender fundos de Venture Capital e investidores-anjos. Nesse caso, o modelo de negócio é com pacotes fechados. “O cliente paga um valor e já tem definidas todas as entregas que serão feitas. Isso é bem diferente dos escritórios tradicionais, que cobram por hora”, fala.

O BNZ Global é a frente que vai atender as startups brasileiras que querem atuar no mercado internacional, além de empresas estrangeiras que desejam vir para o mercado brasileiro.

“Temos uma pessoa em Nova York e outra em Miami para tocar essa operação”, conta Arthur. Nesse modelo, eles continuam a trabalhar com os BNZs, porém a cotação é em dólar. Cada BNZ equivale a 3 dólares.

COMO QUEBRAR BARREIRAS EM UM SETOR TRADICIONAL

Formado em Direito, Arthur vem de uma família de advogados. Além do escritório Braga Nascimento e Zilio, que foi fundado pelo seu pai, ele trabalhou em outro grande escritório de São Paulo, mas não se encontrou nas áreas tradicionais do Direito.

Durante uma pós-graduação em Administração de Empresas, descobriu o universo do empreendedorismo, se aproximou do ecossistema das startups e percebeu um nicho de mercado. “O maior desafio foi provar para um escritório tradicional que o negócio tinha futuro. Isso incluiu correr atrás e trazer os primeiros clientes”, conta.

Ele diz que em dois anos o BNZ for startups já atendeu mais de 100 clientes como Aegro, Jetbov, Nexo, Act10n, Looppi, Confere Cartões, Plug and care e Agronow e fez parceria com aceleradoras como iDEXO, ABStartups, Distrito e Future Education. Desde o começo, eles trabalham com os BNZs, e Arthur lembra que no primeiro ano o preço cobrado era muito baixo: “Esse foi o nosso grande erro. Começamos baratos demais e depois precisamos aumentar o valor. Mas foi um processo tranquilo, conversamos com os clientes e eles entenderam”.

Além de coordenar o BNZ Innovation, Arthur é fundador e presidente da Comissão de Startups OAB/SP, denominada Comissão de Estudos da Legislação em Empreendedorismo Criativo. Sobre alguns entraves enfrentados por fundadores nesta área, ele afirma:

“A formalidade do mundo jurídico dificulta a inovação, mas também abre oportunidade para empreendedores criativos”

Arthur aposta que existe um grande mercado a ser explorado, mas acha que os advogados precisarão mergulhar profundamente nas peculiaridades desse tipo de negócio para conseguir falar a mesma língua que os novos empreendedores. “Na minha opinião, todas as empresas que surgirem a partir de agora sairão de uma startup. São empresas que já nascem pensando globalmente. Então, quem trabalha na área jurídica vai precisar de uma visão mais ampla não só de Direito, mas de negócio”, diz. Pois é, os novos tempos chegam mesmo para as áreas mais tradicionais.

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  • Projeto: BNZ Innovation
  • O que faz: Serviços jurídicos para startups
  • Sócio(s): Arthur Braga Nascimento
  • Funcionários: 4
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2016
  • Investimento inicial: R$ 20.000
  • Faturamento: R$ 100.000 (em 2018)
  • Contato: arthur@bnzs.io
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