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Para facilitar a rotina das PMEs, a Omiexperience gerencia, na nuvem, suas informações financeiras

- 16 de abril de 2019
Rafael Olmos e Marcelo Lombardo são os sócios e fundadores da Omiexperience, que criou um software de gestão em nuvem para pequenas e médias empresas.

Mais da metade da mão de obra formal no Brasil, algo em torno de 54%, trabalha em pequenas empresas, de acordo com o Sebrae e o IBGE. Mesmo assim, o faturamento delas corresponde a menos de um terço do PIB, em média 37 mil dólares anuais cada (como comparação, uma pequena empresa nos Estados Unidos fatura cerca de 182 mil dólares por ano, segundo o Small Business Advocacy).

Para tentar acabar com o que chama de “gap de eficiência”, o paulistano Marcelo Lombardo, 48, criou, em 2013, a Omiexperience, um software de gestão em nuvem para PMEs, como conta:

“O pequeno empresário brasileiro enfrenta três principais problemas: a complexidade do ambiente regulatório, a falta de educação e a dificuldade de acesso a serviços financeiros”

Desde a promulgação da Constituição de 1988, diz Marcelo, já houve 5,4 milhões de mudanças na lei tributária, o que corresponde a praticamente uma alteração a cada duas horas e meia. “A geração de uma nota depende de muitas variáveis, e a probabilidade de ter algo errado é alta.”

O objetivo de sua startup é encapsular tudo isso, ou seja, emitir Notas Fiscais eletrônicas de produtos e serviços, controlar estoques e fazer toda a parte financeira, ajudando na complexa tarefa de levar organização às empresas. Tudo em um único sistema que facilite a vida dos empresários e contadores, eliminando seus dois principais concorrentes: fabricantes de cadernos e planilhas eletrônicas, como o Excel.

A IDEIA DE CRIAR UM SOFTWARE ERA QUASE UM SONHO DE CRIANÇA

Com uma interface simples, a plataforma permite gerenciar desde contratos até o estoque, passando por produção, fluxo de caixa e questões tributárias. No início do ano, a Omiexperience fechou uma parceria com a Systax, empresa de inteligência fiscal que organiza um acervo de mais de 18 milhões de situações tributárias.

Segundo Marcelo, seu produto é o primeiro sistema a integrar inteligência artificial fiscal para garantir uma gestão mais assertiva e sob medida para cada empresário.

Com os processos separados em blocos, o empresário aprende mais sobre gestão sem perceber.

A ideia para criar o negócio não surgiu do dia para a noite; Marcelo, na verdade, diz que trabalha no mercado de software há “muito mais tempo do que admite em público”. Formado em telecomunicações, ele se interessava por eletrônica desde criança.

“Eu era um ‘rato da Santa Efigênia’”, diz, em referência à rua de São Paulo conhecida por seu comércio de eletrônicos. “Sempre fui autodidata, ganhava brinquedos e montava e desmontava, só para saber como funcionavam.”

Aos 20 anos, começou um estágio na Itautec como técnico de laboratório, cuja função era basicamente consertar placas estragadas. Até que perguntaram se alguém saberia desenvolver um software de controle de estoque, e ele se voluntariou.

Pouco depois, pediram que criasse um de revendas, e lá foi ele colocar de novo a mão na massa. Quando viu, sua paixão por hardware tinha migrado para softwares. Como desenvolveu tudo em seu tempo livre, ele manteve a propriedade intelectual sobre o produto e, aos 21 anos, deixou a Itautec para montar a própria empresa.

“Meus pais eram funcionários públicos, tinham aquela visão bem tradicional de que eu deveria me formar e encontrar um emprego com estabilidade.” Ele prossegue:

“Para mim, o único emprego do qual eu não seria demitido seria no meu próprio negócio”

O software de gestão empresarial criado por Marcelo era o carro chefe da empresa, chamada North Soft. Em 1999, quando mudou de nome para NewAge, tinha no portfólio marcas grandes como Ajinomoto/Nissin. Em seu auge, chegou a contar com 200 funcionários.

Mas o empreendedor era um sócio chato, como ele mesmo admite, e reclamava que a equipe não vendia tanto quanto era possível. Em 2010, depois de receber um ultimato dos outros três cofundadores (“se é tão fácil, vai lá e faça você”), Marcelo assumiu a área comercial e de marketing.

Com o sócio à frente da área, a NewAge conseguiu alavancar as vendas. Mesmo assim, Marcelo percebeu que o mercado estava saturado. “Vi que essa era uma corrida que perdemos e passei a me perguntar qual seria a próxima.” Chegou, então, ao foco das pequenas empresas. “Na época, o governo tinha baixado a régua fiscal para pequenas empresas, o ambiente regulatório estava cada vez mais pesado para elas.”

Ao mesmo tempo, essas empresas estavam inseridas no mesmo ambiente que as grandes companhias, que eram fornecedoras ou compradoras e exigiam o mesmo profissionalismo. Ele selecionou seus melhores funcionários de desenvolvimento e os colocou em uma “sala de guerra” com um único objetivo: criar um produto do zero voltado para pequenas empresas. O empreendedor conta:

“A única coisa que me animava no dia a dia era a perspectiva de poder passar aquelas horas trabalhando no projeto”

Até que, em 2013, surgiu a oportunidade de vender a NewAge para o grupo americano Toutatis Global. A parte mais complicada da negociação foi justamente preservar essa célula de desenvolvimento do produto e levar junto a equipe para o seu novo empreendimento. “Eram pessoas muito talentosas, foi mais difícil negociar o passe delas do que a venda.” No fim, conseguiu manter cinco nomes do time — incluindo Rafael Olmos, 35, seu atual sócio.

ENFIM, O LANÇAMENTO DA STARTUP

Naquele mesmo ano de 2013, o empreendedor lançava oficialmente a Omiexperience, om o investimento de 500 mil reais (mais tarde, receberia o aporte de 28,5 milhões de reais). O primeiro desafio foi cativar os clientes, convencendo os pequenos empresários de que o software facilitaria a vida deles:

“Muitos diziam que era caro, que não tinham dinheiro para isso, mas a verdade é que o sistema pode até dispensar a necessidade de contratar mais uma pessoa

Cada licença custa em média 300 reais por mês, por CNPJ, e há opções gratuitas para empresas com faturamento inferior a 200 mil reais. O número de clientes, hoje, passa de 20 mil. Para chegar a essa marca, a estratégia foi gerar parcerias com escritórios de contabilidade.

A tática pode surpreender à primeira vista, pois para os desavisados o sistema da Omiexperience parece eliminar a necessidade do serviço de contador. “Pelo contrário, os contadores têm a missão de tornar as pequenas empresas mais eficientes. Nós queremos que eles assumam papéis mais estratégicos, de consultoria, em vez de perderem tempo com retrabalho manual.”

O sistema permite o gerenciamento de contratos, estoque, produção, fluxo de caixa, questões tributárias, entre outros.

É uma visão ambiciosa — e que tem dado certo, segundo o empreendedor. “É muito melhor para o contador receber os dados ‘bonitinhos’ e poder focar em ajudar o empresário a aumentar a margem de lucro.”

Para reforçar essa missão, a Omiexperience criou uma iniciativa de reskilling, a “Omie Academy”, uma espécie de escola de reciclagem para redirecionar os profissionais nesse novo objetivo.

Há estimativas que apontam que até 2022 a inteligência artificial deva acabar com 75 milhões de empregos no mundo, mas criar 130 milhões novos. “Mas as habilidades necessárias para essas novas funções serão diferentes das que os profissionais têm, então, é importante começar a prepará-los para isso.”

Outro objetivo ousado que vem sendo colocado em prática é abolir a presença dos bancos no horizonte das pequenas empresas. Na parte do acesso a crédito, a Omiexperience já tem alcançado resultados nessa direção.

Graças à inteligência do próprio sistema, que melhora conforme o uso, e à integração com a Weel, uma fintech de antecipação de recebíveis, é possível liberar empréstimos em meia hora somente com a avaliação dos dados de transação do pequeno empresário.

A Omiexperience cresce hoje a uma taxa de 9% ao mês. O faturamento, em 2018, foi de 10 milhões de dólares. Marcelo reconhece a evolução em quase seis anos de operação, mas acredita que ainda há muito a ser feito: “Para realmente ter impacto na sociedade brasileira, penso que estamos correndo uma maratona, não cem metros rasos.”

“Sei que transformação digital nos últimos anos virou uma palavra meio oca, sem muito significado, mas para mim só vamos alcançar essa tal transformação digital de verdade quando reduzirmos essa diferença de eficiência entre nossas empresas.”

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  • Projeto: Omiexperience
  • O que faz: Plataforma de gestão para pequenas e médias empresas
  • Sócio(s): Marcelo Lombardo e Rafael Olmos
  • Funcionários: 215
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2013
  • Investimento inicial: R$ 500 mil, mais um aporte de R$ 28,5 milhões (2018)
  • Faturamento: US$ 10 milhões (2018)
  • Contato: [email protected]
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