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Primeiro spa médico do Brasil, a Lapinha agora leva seu cuidado holístico com a saúde para o meio digital

- 30 de outubro de 2019
Dieter Brepohl, CEO, e Margareth Novaes Brepohl, Chief Quality Officer da Lapinha.

Em 1972, Margarida Bornschein Langer, uma senhora divorciada, deixou para trás sua casa de bordados em Curitiba (onde empregava 15 mulheres que faziam os enxovais da alta sociedade) para inovar no cuidado, na promoção do bem-estar e na prevenção de doenças.

“Detalhe”: dona Margarida não tinha qualquer formação na área da saúde.

Primeiro spa médico do Brasil, a Lapinha foi inaugurada em novembro daquele ano, numa fazenda de 500 hectares em Lapa, a 73 km da capital paranaense. Com capacidade então para 25 pessoas, foi também o spa pioneiro, no país, no atendimento baseado na Medicina Integrativa – cuidado holístico de corpo, mente e espírito, centrado na relação entre o profissional de saúde e o paciente.

Antes de construir o spa, Margarida criou uma horta orgânica para produzir os alimentos servidos frescos aos pacientes, conta Dieter Brepohl, 71, neto dela e CEO do empreendimento.

“A vó saiu de Curitiba com 70 anos de idade e veio morar nesta estação de invernada. Ela começou o projeto com a ideia de que uma vida saudável começa com a boa alimentação”

Quase meio século — e 35 mil pacientes — depois, a Lapinha coleciona prêmios internacionais, lançou em abril um serviço de acompanhamento a distância e prevê faturar R$ 20 milhões em 2019, para uma taxa de ocupação de 70%.

PARA EMPREENDER, DONA MARGARIDA CONTRARIOU A FAMÍLIA

Na época, a empreitada soava como loucura, diz Dieter. Mas dona Margarida encasquetou na ideia porque havia se curado de uma colite – da qual padecia com dores fortes e crises agudas desde os 50 anos – seguindo o tratamento prescrito, por cartas, pelo médico suíço Maximilian Bircher-Benner, que encorajava uma dieta vegetariana, com alimentos frescos.

“Bircher-Benner já propunha uma medicina com visão holística e integrativa, duas palavras modernas, mas que na visão dele resgatavam a saúde completa do sistema corpo-mente-espírito.”

Dieter conta que, no começo do século 20, gente como Bircher-Benner e Franz Xaver Mayr  tentava “dialogar” com as medicinas tradicionais chinesa e indiana, já criticava o uso de pesticidas e defendia princípios como espiritualidade, estilo de vida baseado no contato com a natureza, consumo de alimentos frescos, atividade física constante e regulação do ciclo circadiano — que, na Lapinha, traduz-se por dormir e levantar cedo, jejum forte pela manhã, almoço farto, jantar bem leve e ingerido cedo para haver tempo para a digestão.

Mesmo contra resistência da família, Margarida vendeu imóveis em Curitiba e Paranaguá, comprou a fazenda — com o cuidado de preservar as araucárias centenárias — e instalou ali o seu Lar Lapeano de Saúde (nome original, que ainda consta no CNPJ). Após a dureza dos primeiros anos, o público paulista soube do local pelo boca a boca e a frequência cresceu. O spa atingiu o break-even por volta de 1979, quando Dieter assumiu o negócio.

OS TIPOS DE PROGRAMA SE DIVIDEM CONFORME A PROPOSTA

Hoje há três tipos de programas. O mais básico dura cinco dias (média de R$ 5 530) e envolve orientação médica, nutricional e fisioterapêutica, atividades de movimento (caminhadas, alongamento, passeios, Lian Gong, hidroginástica etc.), plano dietético ovo-lacto-vegetariano, e atividades coletivas como palestras e oficinas.

O segundo, para quem tem demandas específicas, permite acompanhamento médico mais intenso mediante taxa extra e se desdobra em sete rotas de saúde: emagrecimento, controle de estresse, detox, fitness, antitabagismo, bem-estar no câncer e saúde sênior. O pacote Estresse Controlado para sete dias, por exemplo, custa R$ 1 500 adicionais e inclui tratamentos e massagens.

O terceiro é o Mayr Prevent, terapia dietética personalizada — com duração mínima de 10 dias — e baseada em poucos tipos de alimento para oferecer ao intestino o mínimo de imunógenos e dispeptógenos (substâncias que “estressam” o aparelho digestivo) a fim de se dar um “descanso” e promover uma desintoxicação profunda.

“Hoje somos um centro de formação de médicos Mayr no Brasil e América Latina. Estamos pesquisando o que a medicina fala sobre microbiota intestinal e estamos felizes porque a ciência está comprovando tudo que defendemos há anos”

Dieter conta que ele e a esposa Margareth Novaes Brepohl, Chief Quality Officer, descobriram a Mayr Kur (medicina certificada e reconhecida como especialização na Europa) em 1994, durante o ano sabático que passaram na Áustria.

AS ATIVIDADES CULTURAIS COMPLEMENTAM A PROGRAMAÇÃO

A Lapinha tem 60 leitos (em 40 quartos). São 155 colaboradores, sendo 22 do corpo clínico – seis médicos, dois nutricionistas, dois chefes de cozinha, cinco enfermeiras, dois fisioterapeutas, cinco professores de educação física. O restante do time se divide entre o atendimento clínico-estético, hotelaria, manutenção, jardim, além das outras unidades de negócios: fazenda, centro de produção e leiteria.

Entre as atividades culturais, há sempre dois shows ou concertos semanais (com músicos da Orquestra Sinfônica do Paraná ou da Oficina de Música de Curitiba) e as Semanas Temáticas, com diferentes recortes e convidados. O escritor e jornalista Laurentino Gomes vai anualmente à Semana da História; Marina Silva e Clóvis Borges, fundador da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental, já compareceram mais de uma vez à Semana da Sustentabilidade.

“Se ficarmos fixados nos quilos a mais ou a menos, adoecemos do espírito. Então, para dar um paradigma mais amplo, oferecemos essas vivências para que as pessoas percebam que o mundo é maior, a vida é maior”

Metade dos hóspedes vem de SP. Nos outros 50% há gente de todo lugar. O CEO diz que os fazendeiros do Mato Grosso vão porque se sentem estressados, e conta que os catarinenses da indústria têxtil são clientes antigos. Outro público que vem crescendo é o do Rio de Janeiro: “Os cariocas têm à sua disposição a natureza, mas vêm aqui com alto nível de estresse e a saúde comprometida, colesterol, triglicérides e glicemia lá em cima… A violência quebrou muito a ideia de ‘Cidade Maravilhosa’”

PARA EVITAR O “EFEITO-SANFONA”, ACOMPANHAMENTO POR SKYPE E WHATSAPP

Em abril, a Lapinha lançou um serviço de acompanhamento a distância. A ideia surgiu quando o corpo clínico do spa constatou que, enquanto um grupo de hóspedes conseguia modificar seus hábitos para melhor, outro retornava ao spa ainda em luta com a balança.

Dieter diz que, no âmbito da Associação Brasileira de Nutrologia (à qual a Lapinha é associada), spas começaram a sofrer críticas por supostamente estimular o “efeito sanfona”, na esteira de pesquisas científicas mostrando que a intervenção de estilo de vida não se consolida sem um acompanhamento nutricional mais duradouro, ao longo de meses.

“O acompanhamento do hóspede em sua jornada é fundamental para o êxito dele e para nossa credibilidade. Assim, organizamos um serviço para oferecer acompanhamento médico e nutricional a distância”

Segundo Dieter, devido à limitação do Conselho Federal de Medicina, que não aceita consultas online, a consulta de saída é feita presencialmente na Lapinha, o que depois permite o acompanhamento posterior em meio digital.

Desde abril, 30 pessoas contrataram o serviço, um terço já completou o programa e, segundo Dieter, 100% tiveram êxito no emagrecimento. A maior parte dos acompanhamentos é feita por WhatsApp e Skype; o hóspede escolhe como prefere interagir com a equipe clínica. Há três pacotes, de 45 dias, três ou seis meses, com valores que variam de R$ 1 375 a R$ 3 825 (e incluem um número também variável de orientações médicas e nutricionais).

O SPA TENTA AGORA INCREMENTAR SUA GESTÃO ECOLÓGICA

Por ora, a Lapinha mantém a proposta de “não crescer muito” e manter o olhar customizado e a dinâmica de favorecer as vivências interpessoais. Dieter diz que a Lapinha trabalha a questão da solidão, “um dos elementos que adoecem as pessoas nas grandes cidades”.

“Os afetos que acontecem durante a estância na Lapinha são, para mim, os grandes elementos terapêuticos. Os vínculos, as amizades que se formam e as trocas que acontecem têm esse efeito de reconstrução, reconexão e enriquecimento do ser humano”

Em busca da Certificação LIFE de sustentabilidade, o spa tenta incrementar sua gestão ecológica. Cerca de 150 hectares estão sendo transformados em Reserva Particular do Patrimônio Natural. Há 30 hectares reflorestados com árvores que produzem, segundo Dieter, o equivalente à energia consumida com o aquecimento de piscina, calefação e água de consumo. E todos os efluentes são tratados e devolvidos de forma limpa à natureza.

Mesmo para quem está há quase meio século na ativa, sempre existe algo de novo a aprender. Recentemente, a alimentação dos hóspedes sofreu duas alterações: a redução de oferta de produtos lácteos e a exclusão de saladas no jantar, pois a digestão de crus é difícil à noite.

“Estamos em um momento muito feliz de entender a nossa história e saber a contribuição que demos à medicina preventiva, acreditando que ela é tendência tanto no Brasil quanto no mundo. Temos o nosso conceito e estamos em processo contínuo de revisão — baseados nas evidências científicas.”

 

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  • Projeto: Lapinha
  • O que faz: Spa pioneiro no atendimento baseado na Medicina Integrativa.
  • Sócio(s): Dieter Brepohl
  • Funcionários: 155
  • Sede: Lapa (PR)
  • Início das atividades: 1972
  • Faturamento: R$ 20 milhões (previsão para 2019)
  • Contato: [email protected]
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