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Projeto Reflora lança luz sobre a biodiversidade brasileira e auxilia em sua proteção

- 15 de março de 2018

O Projeto Reflora impactou profundamente o fazer científico da botânica brasileira. Muitos cientistas consideram a iniciativa um divisor de águas, que marca uma evolução sobre uma época em que a pesquisa ocorria de maneira muito mais lenta e custosa, pois dependia em grande parte da visita a inúmeros herbários europeus e americanos, onde amostras da nossa flora, que datam dos séculos 18 e 19, estão guardadas. Hoje, graças ao herbário virtual do Reflora, essas amostras podem ser acessadas online, com um simples clique, em alta resolução. Ao todo, são mais de 3 milhões de registros fotográficos obtidos a partir da parceria com 70 herbários espalhados pelo mundo todo.

Mas a totalidade dos benefícios do Reflora, uma iniciativa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) em parceria com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e apoiada por membros da iniciativa privada, como a Natura, continua sendo medida e avaliada pelos pesquisadores.

Segundo dados do projeto Flora do Brasil 2020, hoje são conhecidas 46.491 espécies da flora brasileira, sendo 4754 de Algas, 33094 de Angiospermas, 1564 de Briófitas, 5718 de Fungos, 30 de Gimnospermas e 1331 de Samambaias e Licófitas.

“Considerando que o Brasil esteja na mesma média das Américas, faltam ser descritas pela ciência entre 10-20% das espécies de plantas vasculares do Brasil”, diz Rafaela Forzza, pesquisadora do Jardim Botânico e coordenadora do Reflora. “Seria algo entre 3.500 a 7000 espécies ainda por descrever na nossa flora.”

Os valores fazem parte de um estudo maior, que trouxe um mapeamento da flora das Américas, e foi publicado na prestigiosa revista científica Science. Rafaela, do Jardim Botânico, foi uma das pesquisadores que integraram o estudo.

E o Projeto Reflora é essencial no mapeamento dessas espécies brasileiras. “Em 2008, se você me perguntasse quantas espécies temos na Amazônia brasileira, por exemplo, seria impossível responder de forma sintética”, diz Rafaela. “Hoje, temos essa resposta, claro que a partir do conhecimento acumulado até hoje, e que ainda está sendo construído.”

Para que o trabalho de análise continue em 2018, a Natura concedeu um novo apoio que viabiliza mais duas bolsas de pós-doutorado. Nessa nova etapa, o investimento será concentrado em uma avaliação mais apurada de resultados.

“Ainda temos uma análise relativamente pequena do impacto que o projeto causou na botânica brasileira”, afirma Rafaela. “Nossos números de acesso são enormes, mas essa análise detalhada é complexa. Por isso, essas bolsas de pós-doutorado serão importantes para a avaliação do impacto das amostras repatriadas.”

A pesquisadora ainda cita outro importante papel que o Reflora desempenha não apenas para a comunidade científica, mas para toda a sociedade: a batalha pela conservação do meio-ambiente.

O Centro Nacional de Conservação da Flora, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, tem a meta de, até 2020, classificar todas as espécies de sua flora catalogada a partir de categorias de ameaça. Para fazer essa avaliação, o órgão utiliza atualmente as informações do Reflora.

“São usadas referências geográficas de cada espécie e seu respectivo risco. Cada amostra é um ponto no mapa, e quanto mais pontos você tiver, melhor para estabelecer um panorama completo”, diz Rafaela. “O Reflora é hoje uma fonte primordial dessa avaliação de risco.”

Esses são alguns dos fatores que fazem do Reflora um projeto de extrema relevância na botânica brasileira, que continuará exercendo impacto pelos anos a seguir, conforme mais ciência for desenvolvida a partir dos dados catalogados até agora. A Natura apoia o Reflora e a pesquisa em torno da biodiversidade nacional, para que ainda mais frutos venham desse trabalho.

Esta matéria pode ser encontrada no portal Natura Campus. Confira o site para ficar por dentro do que acontece no mundo da inovação cosmética.

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