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Quando a tecnologia e a educação se encontram… a coisa pode ficar divertida. Essa é a proposta da Playmove

- 28 de agosto de 2015
Marlon e Jean, sócios da PlayMove, startup que investe em brinquedos tecnológicos e games para crianças.
Marlon e Jean, sócios da PlayMove, startup que investe em brinquedos tecnológicos e games para crianças.

Sediada em Blumenau, Santa Catarina, a PlayMove é uma empresa que cria soluções tecnológicas para a área da Educação. Seu carro chefe é a PlayTable, uma mesa digital com jeito de brinquedo para crianças de 3 a 12 anos. O design do gadget, que tem uma tela de 22 polegadas sensíveis ao toque, foi elaborado para incentivar o seu uso coletivo. Lançada no começo de 2014, a invenção está presente em 350 estabelecimentos de ensino pelo país, somando em torno de 2 mil máquinas vendidas e 13 jogos desenvolvidos. É um começo inspirador. O desafio, agora, é ganhar escala para continuar a brincadeira.

O criador da empresa, Marlon Souza, 42, é um veterano do mundo digital. Nos anos 1980, graças a um vizinho, teve acesso a um dos primeiros micro-computadores de Blumenau. Aos 10 anos, surgiu o gosto pela informática, e desde então não parou mais de fuçar. Tornou-se programador autodidata e aos 14 já estava trabalhando como desenvolvedor. Criou sua primeira empresa em 1989, aos 16. Na época, precisou de autorização dos pais para abrir a Softsolutions, que prestava serviços de editoração eletrônica num momento em que o Corel Draw era a grande novidade do mercado.

Em 1996 ele investiu em um novo empreendimento, a Sollo, uma agência de comunicação que desenvolvia sites, trabalho que seguiu tocando até 1999, quando foi convidado pela AgênciaClick, de São Paulo, para gerenciar o projeto de criação do site do iG. O portal foi concebido do zero e dali ele enveredou pelo mercado de
plataformas corporativas, onde trabalhou para GM e Ambev.  Alguns anos depois, em 2007, com a bagagem cheia de experiência, ele voltou para sua cidade natal em busca de mais tempo ao lado da família e dos amigos, já com outros planos em vista.

A vontade de empreender continuou e, em 2009, nascia a Morphy, empresa criada ao lado do irmão que daria origem à PlayMove. O foco da nova agência era atuar em segmentos de tecnologia inéditos no país. Um dos projetos desenvolvidos foi uma instalação de um piano de 13 metros no chão do shopping Patio Paulista, em São Paulo. A obra era interativa e permitia ao público tocar música com os pés, caminhando sobre o piano. Nessa época, Marlon também prestava serviços para feiras e eventos, ocasiões em que ele conheceu a tecnologia de tela sensível ao toque aplicada hoje na PlayTable. Mas, uma grande coincidência deveria ocorrer antes da nova empresa surgir.

UM VELHO AMIGO E UMA EMPRESA NOVA

Marlon estava no hall do prédio de um cliente quando encontrou Jean Gonçalves, amigo de infância. Jean já era dono da Brinque-lonas, empresa especializada em brinquedos físicos, de lona. Não se viam há trinta anos, pararam para conversar e Jean se interessou pelas possibilidades digitais que a Morphy apresentava.

A PlayTable, carro-chefe da PlayMove, pode ser usada por várias crianças ao mesmo tempo e está em mais de 300 instituições de ensino.

A PlayTable, carro-chefe da PlayMove, pode ser usada por várias crianças ao mesmo tempo e está em mais de 300 instituições de ensino.

Juntos, pesquisaram o mercado e encontraram uma brecha no nicho de jogos e aplicaticos para crianças pequenas. Foi desta demanda que nasceu a Playmove. Uma equipe interdisciplinar passou todo o ano de 2013 estruturando a PlayTable, plataforma que foi lançada em janeiro do ano seguinte, na Campus Party. Começaram a comercializar o aparelho em maio daquele ano e logo fizeram a primeira grande venda, para a prefeitura da cidade de Mossoró (RN), que comprou 200 unidades para abastecer suas escolas públicas. No processo de desenvolvimento dos jogos, se atentaram para uma questão. Marlon fala:

“Os jogos de educação, em geral, são chatos. Não são feitos para serem divertidos, então a criança brinca uma, duas vezes, por obrigação, e nunca mais volta”

Tendo isso em vista, a PlayTable foi posicionada, desde o início, como uma plataforma de jogos e não como uma ferramenta educacional. Marlon diz que o objetivo de seu produto é ser uma diversão, uma experiência por meio da qual a criança aprenda ao brincar. “A criança vê a PlayTable e já entende que vai se divertir ali. Queremos que o jogo faça parte do dia a dia da escola”, afirma.

A PlayTable é feita do mesmo plástico utilizado em playgrounds, resistente e colorido. Sua tela de toque tem uma tecnologia infravermelha que permite que qualquer objeto seja utilizado para operá-la, não apenas a ponta dos dedos,  o que é fundamental para a inclusão de crianças com mobilidade comprometida.

CEM JOGOS ATÉ 2016

A PlayMove já desenvolveu 13 jogos para sua plataforma. Recentemente, eles abriram o sistema para que outros desenvolvedores também possam criar jogos. Esperam ter mais 10 ou 15 jogos criados por  parceiros até o fim do ano. Seu modelo de negócios é baseado em dois produtos: a mesa física e os jogos, vendidos separadamente. O objetivo é terminar o ano que vem com 100 jogos no ar e 10 000 unidades vendidas. Marlon entende que a empresa só vai sobreviver enquanto seguir criando jogos novos e divertidos.

A PlayMove quer atualizar seu software "O Contador de Histórias" para receber contribuições também dos pequenos.

A PlayMove quer atualizar seu software “O Contador de Histórias” para receber contribuições também dos pequenos.

O desenvolvimento de um título ocorre da seguinte forma: primeiro, encontram seu objetivo, por exemplo, fazer um jogo de matemática para trabalhar os cálculos simples. Depois, estudam como o assunto é abordado hoje em dia para, então, criar um tema. Seguindo o mesmo exemplo, os cálculos simples são base para um novo jogo que a empresa está desenvolvendo, que acontece num mundo de piratas.

Depois disso é a hora de desenvolver a dinâmica, também chamada de gameplay, e testá-la com crianças ainda fora do ambiente virtual. Então, o trabalho segue com os ilustradores, que criam os cenários e os personagens que os programadores irão utilizar para montar a versão piloto do jogo. Os testes internos começam com essa versão piloto, que será refinada até a versão beta, uma etapa onde o programa já roda, mas ainda não está finalizado. Ele vai, então, ser testado por crianças, que dão o retorno necessário para as adequações finais. Após apertar os últimos parafusos o jogo está finalizado e pronto para ser lançado. O processo todo pode demorar de 3 a 8 meses.

Sua intenção é que a mesa não seja a venda final, mas sim um canal para uma relação de longa duração onde as escolas sigam comprando jogos novos. Por isso, precisam estar sempre corrigindo e atualizando seus sistemas. Do projeto inicial da PlayTable, já precisaram alterar a tecnologia de armazenamento de dados para uma mais robusta, que aguente o tranco de uma criança de três anos. As próximas versões do brinquedo virão também com microfone e câmera, enquanto a próxima safra de jogos terá espaço para experiências mais interativas, que permitirão às crianças criarem seus próprios conteúdos.

Essa interatividade vem para corrigir um caminho. No princípio, ainda não estava claro a importância de compartilhar arquivos entre as mesas ou mesmo de salvar os desenhos feitos no jogo de pintura, por exemplo. Com o tempo, eles entenderam o potencial de uma galeria coletiva de imagens, onde uma criança possa pintar o desenho de outra ou trabalhar em materiais criados pelos professores. Também pretendem atualizar outros jogos como o de contação de histórias, hoje narrado por profissionais, para que seja possível  gravar e compartilhar versões das histórias contadas pelos pequenos. Todas estas atualizações são fornecidas de graça para quem já tem o jogo na sua PlayTable.

Trabalhar com educação foi uma perspectiva que caiu no colo de Marlon por acaso, com a entrada de Jean na história, e ele se apaixonou:

“Hoje, minha preocupação não está  apenas no retorno sobre o investimento do cliente, agora também considero o impacto que o meu trabalho tem na vida das pessoas”

Atualmente, a Playmove ocupa quase todo o seu tempo de dedicação,  embora ele ainda permaneça como sócio da Morphy. Marlon conta que essa experiência mudou a forma como ele observa o mundo. Agora, ele analisa as cores, as músicas e a reação da sobrinha quando estão vendo televisão juntos. Assiste Peppa Pig, entre outros, buscando mais insumos para a criação de seus jogos.

Para Marlon é preciso testar novas formas de abordagem educacional. Sua intenção é propor o desenvolvimento intelectual, não a decoreba. Por isso, ele entende que seu produto é uma provocação para que escolas e governos reflitam sobre o formato de ensino. “Se o produto for 100% disruptivo, não vai ser aceito. A forma já é nova, então temos que trabalhar com os conteúdos padrão, reconhecidos pelo MEC. Se for totalmente diferente, já era, ninguém vai aceitar. Nosso objetivo com a PlayTable é testar, aos poucos, novas possibilidades para melhorar as escolas brasileiras.”

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  • Projeto: Playmove
  • O que faz: Soluções tecnológicas para educação
  • Sócio(s): Marlon Souza e Jean Gonçalves
  • Funcionários: 25
  • Sede: Blumenau, SC
  • Início das atividades: 2014
  • Investimento inicial: R$ 2 milhões
  • Faturamento: NI
  • Contato: [email protected] e (47) 3326-5116
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