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Quer empreender e crescer? Aceite seus erros e fracassos e aprenda a se reinventar

- 24 de julho de 2018
Falar sobre os nossas falhas e derrotas é um bom caminho para nos reavaliarmos e aprendermos com os erros - nossos ou dos outros - além de trocar ideias e experiências.

 

Quando se trata de reconhecer e compartilhar os erros, nós, brasileiros, ainda temos uma dificuldade imensa. Sobre nossas conquistas e sucessos, falamos com tranquilidade. Mas sobre as derrotas, nem pensar. Esse é um comportamento que precisa ser revisto, e por vários motivos. Primeiro, porque errar é humano, faz parte do jogo, todo mundo erra uma vez ou outra. Segundo, reconhecer rapidamente o erro e mudar de estratégia é sabedoria, ruim é insistir naquilo que não está dando certo. E por fim, falar sobre os nossas falhas e derrotas é um bom caminho para nos reavaliarmos e aprendermos com os erros – nossos ou dos outros-além de trocar ideias e experiências. Concorda?

Resolvemos abrir o jogo e desmistificar a ideia de que o sucesso vem fácil para algumas pessoas – conceito que só gera frustração. E para inaugurar nossa série de posts sobre o tema, contamos a história da Fabiana Piasentin, empreendedora que fundou a O Que tem no Armário.

Jornalista por formação, até 2015 ela ocupava um cargo gerencial em uma multinacional, coordenando uma equipe de 10 pessoas. “Apesar de ganhar bem, estava em um momento pessoal muito ruim e comecei a procurar cursos fora da minha área de atuação para me distrair e pensar fora da caixa. Foi aí que fiz um curso livre de consultoria de imagem e me apaixonei. Juntei dinheiro para transformar meu Plano B em Plano A e pedi demissão meses depois para me dedicar 100% aos estudos dessa nova área”, conta.

Altos e baixos

Em maio de 2015 Fabiana pediu demissão, e passou o restante do ano estudando. “Usei um dinheiro que havia guardado para fazer um mochilão e uma especialização em Londres. Quando voltei, em janeiro de 2016, criei a Fabi Piasentin Consultoria de Imagem e Estilo. Era basicamente a mesma proposta da O Que Tem no Armário, mas com alguns serviços a menos. Digamos que era meio que um rascunho, porque eu não tinha site e fazia apenas a divulgação boca a boca. Apenas criei a página no Facebook e achava que o trabalho se faria sozinho. Naquele momento, eu tinha muito conhecimento sobre a minha área, mas zero sobre controle financeiro e planejamento. Não fiz uma reserva de emergência para investir na divulgação do meu trabalho, como no impulsionamento de publicações e um site institucional. O pouco que investi foi um logo e cartões de visita, que na prática não me resultaram em nada e estão encostados até hoje. Participava de eventos, mas não tinha material de portfólio e isso é muito importante na minha área. Em seis meses eu terminei com as minhas economias e patinei na busca por clientes. Achava que os meus conhecimentos em comunicação e jornalismo seriam suficientes para me vender, mas percebi que sabia muito pouco sobre marketing digital e o mercado que estava querendo me inserir. Estava enfrentando uma grave crise de depressão que colaborou para que não visse futuro no meu negócio. Sem muita alternativa, fui trabalhar em uma loja e comecei a pegar freelas de jornalismo para complementar a renda. No fim daquele ano eu percebi que não podia insistir em algo que não me dava retorno financeiro e avisei os amigos da comunicação que estava querendo me recolocar na área. Não demorou muito e fui trabalhar em uma agência de conteúdo e lá fiquei até o fim de 2017. No entanto, apesar de pagar as contas, aquilo não me fazia feliz. Sempre soube que a minha maior habilidade estava em trabalhar com estilo e achava um desperdício jogar todo o investimento (pessoal e financeiro) no lixo porque não deu certo na primeira vez. Aí, na metade do ano passado, comecei a me programar. Criei a O Que Tem no Armário com o propósito de ser vista como empresa e já contando com a possibilidade de crescer e contratar funcionários futuramente. Montei um site e comecei a dedicar tempo para criar conteúdo e divulgar minha marca”.

O recomeço

Sem o salário da agência, depois que se demitiu, Fabiana resolveu partir para o tudo ou nada. Colocou no papel os seus objetivos e está se dedicando ao plano de negócios. “Também contratei uma empresa focada no desenvolvimento de empreendedoras, a Feminaria, para aprender como posso crescer e me diferenciar entre concorrentes. Nesse período de experiências, descobertas e falhas, aprendi que não adianta conhecer apenas o serviço que você oferece para prosperar. Sem outras habilidades, como planejamento, marketing e noções financeiras, seu negócio será sempre um hobby e, no máximo, pagará suas contas no fim do mês. No meu caso, minha maior falha foi não ter me planejado financeiramente para o começo do meu negócio, quando ainda não estava consolidada e não tinha um fluxo de clientes. Sem dinheiro e endividada, eu tive que voltar ao mercado de trabalho porque me desesperei com a possibilidade de atrasar contas. Ainda estou aprendendo a gerir minhas finanças, mas hoje em dia tenho uma relação muito mais madura com o dinheiro e com a minha empresa.

A O Que Tem no Armário

A empresa começou oficialmente em janeiro deste ano. “Sou consultora de imagem com foco no consumo sustentável. Meu objetivo é otimizar o guarda-roupa das minhas clientes fazendo o maior número de combinações com as peças que elas já possuem e, caso precisem comprar roupas novas, que sejam as mais versáteis possíveis. Além, é claro, de adequar o estilo da pessoa à fase de vida que ela vive. A maioria das minhas clientes têm em torno de 30 a 40 anos e não se enxerga mais nas roupas que usa – seja porque mudou de corpo, trocou de emprego ou o guarda-roupa não acompanhou o amadurecimento dela. Sempre digo que não gosto de desperdiçar o meu dinheiro e menos ainda o das outras pessoas. Muita gente vê esse serviço como algo fútil, mas mexer no nosso guarda-roupa exige uma grande reflexão sobre quem somos e qual a nossa relação com as compras. Meu diferencial, além de trazer um novo olhar para o que consumimos, é provar para as pessoas que elas têm muita coisa no armário que pode ser usada de forma diferente.

Os principais aprendizados

“Desde que recomecei a empreender, tenho enfrentado uma jornada de muita descoberta e altos e baixos. Comecei muito empolgada e com vários planos, mas à medida que as coisas demoraram para acontecer e eu não conseguia clientes, fui desanimando, era difícil controlar a ansiedade. Para um negócio se consolidar são necessários meses, às vezes anos, e eu estou entendendo isso agora. Para não falhar novamente, passei a trabalhar com a Feminaria para entender todos os meus pontos negativos e encontrar ferramentas internas que me impeçam de repeti-los. Tenho confiança no serviço que ofereço e acho que o faço muito bem, mas agora preciso encarar minhas dificuldades para me sobressair nesse mercado. Isso inclui cursos de marketing digital e organização das minhas finanças, que ainda estão misturadas entre a PF e a PJ”.

Por outro lado, Fabiana conseguiu enxugar todos os desperdícios de dinheiro que a desestabilizavam financeiramente. “Acho que de todo esse processo o que mais me marcou é que é preciso ter paciência para consolidar um novo negócio, pois o desespero faz a gente tomar decisões ruins. Poucos sonhos se mantêm quando a realidade chega e as contas vencem. Meu grande erro foi não dar a devida atenção ao planejamento financeiro, não ter reservado uma quantia para o começo da empresa. Minha vida teria sido bem mais fácil se eu tivesse poupado e estudado melhor o meu mercado e meus diferenciais. Hoje aprendi, também, a me organizar melhor e hoje tenho um planejamento diário e outro quinzenal de todas as atividades da empresa”.

Fabiana conta que hoje ela mudou a visão que tem de si mesma, se profissionalizou. “Deixe de ser alguém que ajuda “as pessoas a escolherem roupa”, me posicionei como empresária, com segurança, não tenho mais vergonha de precificar meu trabalho porque sei exatamente o valor dele. Antes, eu falava o meu preço quase pedindo desculpas, perguntando se aquele valor estava ok para as clientes. Cheguei a trabalhar de graça apenas para provar para mim mesma que era útil e isso tirava meu tempo para pensar em estratégias e formatar meu negócio de forma rentável. Hoje em dia, quando quero trabalhar com alguém e vejo que ela não tem condições de pagar o valor cheio, ofereço alternativas de pagamento ou mudo o pacote para que ninguém saia perdendo. E, quando alguém sinaliza que meu trabalho é caro, relembro todo o investimento que fiz em mim mesma para chegar até aqui. É difícil no começo, mas é assim que a gente cria uma cartela de clientes com o nosso perfil”.

Outra lição importante foi entender a necessidade de estruturar um plano de negócios, para visualizar onde se quer chegar a curto, médio e longo prazo. “Apesar de ainda fazer alguns freelas de jornalismo, cada dia tenho direcionado meu foco e minha energia para o meu negócio. Agora sei que planejamento é fundamental. A maioria dos negócios consolidados partiu de um princípio estruturado. É preciso, também, investir e estudar as áreas que você não domina – no meu caso, o administrativo, financeiro e marketing. Para prosperar, não adianta apenas ser um expert no seu serviço”, conclui.

Esta matéria pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

 

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