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“Queremos que toda mulher tenha confiança para se autopromover”

- 25 de setembro de 2018
Rosana Galvão, diretora de relações governamentais da Dell Brasil, acredita na troca de experiências entre mulheres para aumentar o número de empresárias no país

Qualquer pessoa que já abriu um negócio dirá que conhece dezenas de dificuldades para trilhar o caminho do empreendedorismo. Mas imagine que além dos obstáculos encontrados à frente, há um passado que te puxa para trás, desacelerando seu crescimento e evolução. É o que acontece com mulheres que têm o desejo de abrir a própria empresa. “Colocar dinheiro e empenho em um projeto próprio causa receio. Sentimos que deveríamos estar gastando dinheiro no sustento da família, por exemplo, não em um sonho”, explica Rosana Galvão, diretora de relações governamentais da Dell Brasil. “Isso acontece porque ainda atribuímos uma identidade de ‘cuidadora’ às mulheres. E mesmo quando superam esse medo, elas precisam encarar uma cultura que diz que falar bem de si é errado.”

Para começar a mudar esse cenário, um gesto simples é suficiente: criar ambientes amigáveis onde mulheres, juntas, possam conversar sobre suas experiências como empresárias. Esse é o objetivo da série de encontros internacionais Women Funding Women, promovidos pela Dell. Em São Paulo, o evento aconteceu no último dia 18 de setembro. Antes da capital paulista, ele já havia passado pela Cidade do México. Agora, segue para cidades da Europa, América do Norte e Ásia, como Lisboa, Washington e Tel Aviv. Em qualquer localização, o objetivo é o mesmo: trazer fatos, dados e pesquisas sobre desafios do empreendedorismo feminino para propor estratégias e ações a favor das mulheres que estão abrindo seus negócios. Para Rosana, os frutos do evento são instantâneos:

Encorajamos mulheres a trocar experiências, mencionar dificuldades e entender como podem se ajudar. É uma oportunidade de encontro para adquirir conhecimento.”

De acordo com o estudo WE Cities, realizado este ano, São Paulo é, entre as 50 cidades analisadas, a campeã em eventos para mulheres discutirem questões como acesso ao capital humano e financeiro para suas iniciativas. Rosana ressalta que o Women Funding Women é, além disso, uma oportunidade de ganhar autoconfiança ao promover o próprio trabalho.

O argumento foi corroborado por Maria Rita Spina Bueno, convidada para palestrar no evento. “A mulher precisa acreditar em seu produto e ter uma visão grande do próprio negócio”, diz. “É preciso celebrar conquistas publicamente e se impor.” Maria Rita é diretora executiva da Anjos do Brasil, uma rede de investidores sem fins lucrativos que fomenta o investimento anjo para empreendimentos de inovação. Observando o mercado pela ótica de quem busca os lugares certos para injetar capital, ela aponta que mulheres que sabem falar bem de si se destacam mais rapidamente. O Women Funding Women é solo fértil para aprender a fazer isso. “Observando outras trajetórias, o distanciamento diminui e as mulheres percebem que nenhuma é diferente demais da outra. Então, a confiança no próprio trabalho aumenta. Fica perceptível que se uma mulher pode alcançar o sucesso, outras também poderão.”

 

Maria Rita Spina Bueno, da Anjos do Brasil, acredita que eventos que reúnem empresárias são fundamentais para o crescimento e sucesso do empreendedorismo feminino

O evento também preenche outra lacuna sentida por empresárias e apontada pelo WE Cities: um dos maiores entraves que a mulher brasileira encontra ao abrir o próprio negócio é buscar alguém em quem se espelhar. Em encontros como esse, a história muda: “Nós viramos a solução para nosso próprio problema”, diz Maria Rita. A diretora ainda ressalta que o empreendedorismo precisa de diversidade, algo que mulheres inevitavelmente trazem em um mercado que ainda é majoritariamente formado por homens.

“Um raciocínio unicamente masculino não vai resolver problemas em cenários e serviços voltados para mulheres.”

Foi em um desses cenários que Gabryella Corrêa encontrou espaço para abrir seu próprio negócio em 2017 e apresentá-lo no Women Funding Women de São Paulo: ela é a fundadora do aplicativo Lady Driver, que conecta passageiras a motoristas mulheres. A ideia foi colocada em prática após a CEO ser vítima de assédio em um carro particular que chamou, também por meio de um app. Juntando o interesse que já tinha por mecânica de carros ao desejo de segurança, a empresária se posicionou em uma área segmentada do mercado que tem boas chances de crescer – e, melhor: ainda sem nenhum concorrente direto. Atualmente, o Lady Driver conta com 26 mil motoristas cadastradas em mais de 300 mil passageiras em São Paulo.

“O efeito transformador do app na vida das mulheres é o meu combustível para trabalhar”, diz a CEO, especialmente sobre as motoristas. “Estudantes, aposentadas, mulheres fora do mercado de trabalho ou que se separaram e dependiam de seus maridos para sobreviver conseguem uma renda média de R$ 5 mil a R$ 6 mil por mês e se tornam independentes. Além disso, elas são abraçadas por uma comunidade segura e colaborativa.”

 

Em nome da segurança das mulheres em carros particulares, Gabryella Corrêa criou o Lady Driver, app que já soma centenas de milhares de passageiras em um ano e meio

Ainda com foco no empoderamento feminino, Gabryella faz questão de que o valor médio das corridas seja inferior ao de aplicativos similares. “A mulher ainda ganha menos do que o homem e isso precisa ser levado em consideração”, diz. Para que a motorista não saia perdendo na conta, a Lady Driver monetiza uma porcentagem inferior da corrida em comparação a outras empresas que recrutam motoristas particulares. Escolher embolsar menos no curto prazo teve efeitos positivos: entre janeiro e junho de 2018, o app cresceu 600%. Agora, deve expandir sua atuação para o Rio de Janeiro e restante da América Latina. Ter o apoio de outras participantes durante o Women Funding Women ajudou Gabryella a fazer conexões e se sentir acolhida. “Apresentando meu trabalho e me conectando com outras mulheres, fujo da inércia. Todas saímos fortalecidas daqui”, diz.

Quem conhece há anos a força que a Dell pode dar a empreendedoras que estão começando no mercado é Beatriz Alves, sócia-fundadora da Br Goods, empresa referência na fabricação de divisórias hospitalares, cortinas, bate-macas, corrimãos e cantoneiras. Há oito anos, a CEO integra a Dell Women Entrepreneur Network (DWEN), uma rede internacional formada por mulheres que abriram ou pretendem abrir seu próprio negócio. Antes do convite para se apresentar em um encontro da DWEN em 2010, ela costurava dentro de casa as cortinas que vendia. “Naquela época, eu me sentia pequena demais para fazer diferença.” Porém, com a legitimação de seu trabalho por parte da Dell, ganhou confiança, relevância e propósito para continuar. “Passei a ir aos encontros de empresárias para dividir as falhas e sucessos que tive durante a minha trajetória.” Beatriz relata que, em uma ocasião, mencionou um período difícil em que quase foi à falência. Ao final de sua apresentação, uma empresária a abordou para agradecer porque estava passando por uma situação semelhante. “Percebi que não estava sozinha. Nenhuma de nós está.” Participar da rede de mulheres deu a Beatriz a maturidade de que precisava para continuar tocando o próprio negócio.

 

Beatriz Alves, da Br Goods, marca presença em eventos da DWEN. “Depois da minha terceira ou quarta participação, senti que era detentora das decisões da minha empresa. Tornei-me mais madura e cresci como CEO.”

A oportunidade de se aproximar do mercado empreendedor de maneira fértil transformou Beatriz em uma parceira da Dell Brasil. Após ficar conhecida nos eventos da DWEN, ela já foi convidada para um encontro em Austin, no Texas, onde foi homenageada e apresentou os frutos de seu trabalho até mesmo para representantes da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao refletir sobre a grande transformação que a rede provocou em sua vida, a resposta é simples: “Graças a todas as mulheres que encontrei, acredito que a maior mudança aconteceu em mim.”

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