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“Se aparecer na sua frente uma segunda chance de realizar um antigo sonho, não a desperdice”

- 18 de maio de 2018
Patrick já tem cabelos brancos e achava que fazer um MBA no MIT era algo para suas filhas. Estava, felizmente, enganado.
Patrick já tem cabelos brancos e achava que fazer um MBA no MIT era algo para suas filhas. Estava, felizmente, enganado.

 

por Patrick Teyssonneyre

Já vou logo avisando: esta não é uma historia triste de superação, mas de alguém que não aceita ficar na zona de conforto e que está sempre em busca de realizar o seu próximo sonho. Falando nisso, nem no melhor deles eu poderia imaginar que um inocente período de férias na Califórnia iria mudar por completo a minha vida e a da minha família em menos de um ano, me levando a transitar de diretor global de inovação e tecnologia da Braskem, baseada em São Paulo, para estudante no MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos. Meu principal aprendizado ao longo deste processo que vou narrar é que com sonhos não se brinca:

Se aparecer na sua frente uma segunda chance de realizar um antigo sonho, não a desperdice de maneira alguma. Se der para realizar na primeira oportunidade, melhor ainda

Tudo começou em julho do ano passado, logo no início das férias. Em uma bela tarde de sábado, estávamos passeando pelo campus da Universidade de Stanford, em Palo Alto, com alguns amigos do Brasil e nossos respectivos filhos, quando fiz o seguinte comentário: “Que lugar espetacular! Quem me dera realizar um sonho antigo de um dia fazer um MBA aqui ou em alguma outra universidade top no mundo. Pena que o meu momento já passou. Quem sabe, me realize através das minhas filhas, se vier a ser o desejo delas perseguir este tipo de oportunidade”.

Patrick em frente ao Grande Domo do MIT, que sempre considerou um “magneto”. Agora ele tem a chance de vê-lo todos os dias.

Eis que ouço a seguinte resposta de um deles: “Ainda dá tempo de realizar o seu sonho, pois aqui em Stanford tem o MSx, um MBA imersivo, com dedicação integral e duração de um ano, para profissionais bastante experientes”. Esta informação ficou martelando na minha cabeça durante o restante das férias.

Ao retornar ao Brasil, comecei a pesquisar o tema e descobri que o MIT também oferecia um programa com características similares, chamado Sloan Fellows Program. Era tudo o que eu temia: o icônico MIT oferecendo este tipo de curso… Na primeira vez em que passei em frente ao Grande Domo, um dos seus principais cartões postais, estava fazendo um treino de corrida na beira do Rio Charles. Fiquei com a sensação de que aquilo era um poderoso magneto e que, se eu ficasse muito tempo próximo, me puxaria com força para perto dele e não me largaria nunca mais.

O fato é que, após as férias, o magneto começou a mostrar a sua força. E eu passei a me questionar: são 18 anos em uma empresa incrível, feita por pessoas igualmente incríveis, na qual comecei como estagiário e, hoje, exerço uma função que me dá muito prazer e reconhecimento. E a super equipe global de inovação e tecnologia que lidero? E a minha esposa? Conseguiríamos ficar sem receber um centavo de salário durante pelo menos um ano, apesar de sermos bem disciplinados com nosso planejamento financeiro, para que eu pudesse estudar? Entre prós e contras, estaríamos de alguma forma prejudicando o futuro das nossas filhas? Esta iniciativa fecharia mais portas do que abriria?

As perguntas continuavam: Como seria a adaptação da minha família? E o frio em Boston no inverno? E por aí vai… Comecei a abordar de forma mais séria a ideia com a minha esposa em uma noite de agosto. Ela não fez muitos comentários. No dia seguinte, me acordou mostrando no smartphone os locais em que poderíamos morar em Boston ou Cambridge, nos Estados Unidos (o MIT fica em Cambridge). Estava animadíssima, sem nem sequer ter pisado algum dia naquela região. Assim, se abria a janela da oportunidade.

Para este tipo de movimento de mudança dar certo, é fundamental que todos os diretamente envolvidos estejam em sintonia e engajados ao redor do mesmo objetivo

Somado a isso, nesse meio tempo, eu havia escutado a opinião de algumas pessoas que respeito e admiro e gostei muito do que ouvi. Foi energizante. Estava tomada a decisão de me candidatar ao concorrido MIT Sloan Fellows Program, cerca de três semanas após eu ter descoberto que ele existia.

A próxima etapa foi comunicar a decisão à empresa na qual trabalhava, o que foi feito com transparência e antecedência, ainda que eu pudesse não ser aceito no programa do MIT. Após um longo processo seletivo, em meados de fevereiro, recebi a ligação informando que havia sido aprovado. Felicidade geral!

No início de abril, o MIT organizou a semana de orientação para receber os alunos que cursarão o Sloan Fellows Program, bem como os seus cônjuges. Foi uma semana indescritível. Principalmente por todo o cuidado e carinho proporcionados pela instituição, pelos atuais alunos do curso e pelos seus companheiros. Pela forma com que nos abraçaram, nos fizeram sentir que estávamos revendo uma grande família que não visitávamos há algum tempo, sendo que na verdade, não conhecíamos praticamente ninguém até então.

Algumas coisas que ouvi ao longo daquela semana soaram como música aos meus ouvidos: “Deixem a competição do lado de fora da porta. Vocês não estão aqui para competir uns com os outros e sim para colaborar. Nenhum Sloan Fellow (como chamam os participantes do curso) será deixado para trás. Se alguém estiver ficando para trás, os demais o levantarão e o carregarão”.

Não à toa que um dos muitos ex-alunos ilustres deste programa de MBA é o Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU e prêmio Nobel da Paz. Além de todos esses aspectos positivos, minha esposa, que nunca havia estado em Boston, nos primeiros dias já estava fazendo aula de ioga com russas e brasileiras que tinha acabado de conhecer e me enviava fotos de cabeça para baixo. Tudo isso nos deu ainda mais segurança da nossa decisão.

Depois desse reconhecimento de solo, nos mudamos para Cambridge, nos Estados Unidos, juntamente com nossas duas filhas, com o objetivo de transformar mais um sonho em realidade. Sonho este com características peculiares, pois o vejo como meio e não como fim. A principal motivação para colocá-lo em prática é acelerar o meu desenvolvimento pessoal e profissional, além de viver uma experiência única em família.

No momento, não vejo a hora de me juntar aos meus cerca de 110 colegas de turma oriundos de 35 diferentes países para o início das aulas, em junho, e desfrutar de todo o ecossistema de inovação e empreendedorismo que o MIT tem a oferecer. Ontem participei de um evento incrível do MIT, no qual estavam presente Justin Trudeau (primeiro-ministro do Canadá) e Eric Schmidt (ex-CEO e atual membro do conselho do Aphabet-Google), juntamente com outras personalidades que eu jamais imaginaria ver ao vivo.

O que exatamente farei ao término do curso? Em que país estaremos morando? Não tenho a menor ideia

Mas definirei ao longo do próximo ano. Uma coisa é certa: onde quer que estejamos, ainda que à distância, continuarei de alguma forma contribuindo para o desenvolvimento do meu querido Brasil, país que, apesar das dificuldades, tantas oportunidades proporcionou a mim e à minha família.

 

Patrick Teyssonneyre, 41, formado em Engenharia de Materiais, foi diretor global de inovação na Braskem. É investidor-anjo em startups e, em 2014, foi reconhecido como uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil pela revista Época

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