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Se vale medalha, o Olimpíada Todo Dia está lá para cobrir e comprovar que o esporte vai muito além do futebol

- 25 de setembro de 2019
A equipe da OTD na co0bertura dos Jogos Pan e Parapan-Americanos em Lima, no Peru, entre julho e agosto: o uniforme laranja tornava possível reconhecer a equipe de longe.

Nunca antes na história deste país houve um site que cobrisse — cotidianamente — competições de halterofilismo, badminton e taekwondo. Essa é a proposta do Olimpíada Todo Dia, uma plataforma de conteúdo de nome (quase) autoexplicativo.

De blog despretensioso criado na empolgação com a Rio-2016, o OTD tornou-se em três anos referência para veículos esportivos do país. O site e as páginas nas redes sociais informam diariamente as boas novas de diversas modalidades.

O jornalista Fernando Gavini, 42, é o idealizador do OTD. Ele festeja um marco recente que deu visibilidade ao portal: os Jogos Pan e Parapan-Americanos disputados em Lima, no Peru, entre julho e agosto.

“O Pan serviu para conquistarmos de vez o respeito no mercado. Foi uma mudança de patamar. O COB [Comitê Olímpico do Brasil], as federações, todos nos conheceram melhor. Durante os Jogos, conseguimos estar em todos os lugares. Só tínhamos menos gente do que a Record e o Sportv, que transmitiram o evento”

O esforço fez a audiência no período chegar a 1,3 milhão de visitantes únicos, mais do que o dobro das 646 mil pessoas que acessaram o site ao longo do seu primeiro ano.

46 DIAS DE PAN E PARAPAN, SETE PESSOAS, UM ÚNICO BANHEIRO DE HOSTEL

A cobertura no Peru foi um trabalho insano: 46 dias em que os sete integrantes do OTD dividiram o mesmo quarto do hostel, o mesmo banheiro, e se desdobraram para acompanhar cada uma das centenas de medalhas conquistadas pelo Brasil. Deixaram escapar três — de 308 — no Parapan.

A gravação do último boletim do Parapan talvez seja o grande exemplo de como o trabalho é encarado no OTD. Os cinco remanescentes (dois voltaram para São Paulo antes do Parapan) estavam exaustos pelas poucas horas de sono e muitos dias de cobertura intensa e alimentação desregrada. Mesmo assim, a convivência parecia a de velhos amigos, ainda rindo de piadas infames sobre Peru, com o sentimento leve de dever cumprido, e a paciência para corrigir pequenos erros no vídeo. Confira aí:

A alegria não era de quem ganha rios de dinheiro,mas de saber que houve reconhecimento do público, dos jornalistas, das empresas e o mais especial, dos atletas. Os atletas foram fundamentais para o crescimento do Olimpíada Todo Dia, segundo Gavini. Com o apoio deles nas redes sociais e também fazendo o meio de campo com empresários, a plataforma tem como projeção dar seu grande salto e faturar R$ 1,2 milhão entre agosto de 2018 e agosto de 2019 — a contabilidade financeira é feita de acordo com o calendário olímpico, por supuesto.

O PROJETO NASCEU DESPRETENSIOSAMENTE, NA EMPOLGAÇÃO COM A RIO 2016

Gavini está no jornalismo esportivo há 22 anos, com passagem pela ESPN e atualmente na Gazeta. A ideia de criar um espaço para falar de esporte olímpico veio logo depois de acompanhar como torcedor, ao lado de amigos, os Jogos Rio-2016. As arquibancadas sempre lotadas acenderam a luz na cabeça do repórter.

“O cara da vara, a menina do judô… Por mais que o público nem conhecesse a história do Thiago Braz e da Rafaela Silva, torceram por eles e gostaram. Pensei então que queria ser o meio para mostrar o que esses e outros atletas faziam antes e depois dos Jogos”

Assim, ele criou o blog, inicialmente com o nome fernandogavini.com.br. Já nas primeiras semanas, entendeu que o esporte olímpico renderia muito mais assunto — e trabalho — do ele que imaginava. Assim, rebatizou a plataforma para lembrar que não é só de quatro em quatro anos que esses atletas competem.

Três meses depois, em janeiro de 2017, a recém-formada em jornalismo Giovana Pinheiro havia terminado um frila e comentou com o amigo de profissão que tinha a ideia de contar histórias de “atletas invisíveis”. Gavini a convidou para participar do OTD, que ainda não faturava nada, mas estava terminando a programação para tornar-se um site. Ela aceitou e aos poucos foi amolecendo a cabeça dura do amigo.

NO COMEÇO, A GALERA SE OFERECIA PARA TRABALHAR DE GRAÇA

Foi Giovana que passou a pensar a marca além do portal. Ela apostou em conteúdos direcionados especificamente para as redes sociais, sem a preocupação de linkar com o site. Ela teve também a ideia de adotar uma estratégia aparentemente simples, mas que os tornou não só mais conhecidos, como um “ponto de encontro” em Lima: a confecção de uniformes cor de laranja da equipe.

Giovana, 25, conta por que quis embarcar no projeto:

“Ninguém dá ‘hardnews’ de esporte olímpico. O Globoesporte, o Uol, cobrem alguns eventos, mas não todos. Nós temos agenda no site, acompanhamos tudo, mostramos o lance a lance ao vivo, quando dá colocamos vídeo… E a partir da cobertura do hardnews, criamos as matéria especiais”

Os colaboradores começaram a brotar nas redes sociais. Eram estagiários, recém-formados, fãs de esportes pouco convencionais que tinham interesse em produzir conteúdo. Na época, o OTD ainda não pagava direito nem seu servidor, então não tinha como bancar essas pessoas. Mesmo assim, a galera se oferecia para colaborar, pensando em criar portfólio e conhecer de perto o mundo esportivo.

O PRIMEIRO INVESTIDOR ANJO — E A MUDANÇA APÓS UM NÃO

O site passou a ser propagado só na base de curtidas e compartilhamentos. O OTD fechou seu primeiro ano faturando R$ 15 mil graças aos banners programáticos. Gavini começou a participar de feiras e eventos relacionados a esporte olímpicos, atrás de conexões e oportunidades.

Num desses encontros, em maio de 2017, o jornalista conheceu o empreendedor Guilherme Figueiredo. Dentista por formação, Guilherme é um entusiasta do esporte olímpico, gostou do projeto e entrou de sócio. Seu pai foi o primeiro investidor do portal e colocou R$ 100 mil, divididos em parcelas mensais de R$ 10 mil.

“A partir daí nenhum dos colaboradores passou a trabalhar mais de graça. Nós sócios seguimos sem tirar dinheiro, mas começamos a pagar todos que colaboravam”, conta Giovana.

Nesse período, no entanto, não estava definido como fariam para ganhar dinheiro. A primeira reunião que conseguiram marcar com uma grande empresa, a Nissan, ouviram um não. Ela lembra:

“Vender clique, vender banner não deu certo. Com o tempo, percebemos que a gente vende conceito, valores, [a chance de] aliar a marca a valores olímpicos. Enfrentamos a primeira rejeição, mas estávamos nos aproximando dos atletas — e os atletas começaram a nos ajudar”

UM ATLETA DO BADMINTON FEZ A PONTE PARA O PRIMEIRO CONTRATO

Ygor Coelho, 22, atleta do badminton, foi fundamental para que o OTD fechasse o primeiro contrato. Patrocinado pela Nissan, ele reaproximou os jornalistas da montadora japonesa. No início de 2018, Gavini e Giovana venderam a ideia de produzir conteúdo. Combinaram de realizar 12 mini documentários, um para cada atleta apoiado pela empresa.

O primeiro acordo foi de R$ 50 mil por cinco meses, renovado automaticamente por mais três meses. Na sequência, em abril de 2019, houve um novo acerto, com novos valores em uma parceria maior, envolvendo produção de branded content.

Fernando Gavini posa com Ygor Coelho, ganhador de um ouro inédito para o badminton brasileiro no Pan em Lima e “parceiro” quando o OTD fechou seu primeiro contrato.

A grana começou a entrar bem na época em que chegava ao fim o aporte do investidor-anjo. “Foi um sinal de que era para continuar. Nosso maior acerto foi apostar na qualidade do conteúdo, De conseguir conquistar um lugar de referência. Fazer uma coisa que quase ninguém faz.”

Se a audiência não bastava para competir com futebol, a saída para se tornar mais atraente, explica o CEO, era produzir material inédito:

“Posso garantir porque conversei com cada jornalista que cobriu o Pan: 100% deles usaram nosso guia para estudar. Éramos fonte de pesquisa. E esse conteúdo é complementar ao que as empresas querem para o patrocínio deles. Esse é o grande acerto. Não precisamos bater cabeça e buscar trilhões de audiência”

DE OLHO EM TÓQUIO, A IDEIA É ARRECADAR GRANA PARA SE MANTER DEPOIS

A Pan e o Parapan trouxeram além do reconhecimento a experiência de que um projeto feito nos mínimos detalhes é fundamental para o negócio começar a dar lucro. Nos Jogos de Lima, a ideia era terminar no azul. Mas imprevistos com transportes, equipamento quebrado (e perdidos) e outros perrengues fizeram com que o dinheiro desse “no limite”.

A planilha de olho nos Jogos de Tóquio já tem alguns tópicos e a pesquisa ainda não está fechada. O objetivo é arrecadar um valor que ajude a manter a estrutura do OTD nos anos seguintes, quando o foco do público e do mercado saem um pouco do esporte olímpico.

“Temos que pensar em ciclos olímpicos. Esse é o nosso primeiro. Se ficamos entusiasmado com o resultado do Pan, imagina na Olimpíada. Agora, temos a preocupação que é a seguinte: em 2020 vamos conseguir capitalizar possivelmente R$ 1,2 milhão. Mas e em 2021? Em 2022 também não vai ser fácil, porque é ano de Copa do Mundo. Precisamos ter parceiro que pensem na Olimpíada todo dia, como a gente.”

 

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DRAFT CARD

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  • Projeto: Olimpíada Todo Dia
  • O que faz: Plataforma de conteúdo de esportes olímpicos.
  • Sócio(s): Fernando Gavini, Giovana Pinheiro e Guilherme Figueiredo
  • Funcionários: 10 (incluindo os sócios)
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2016
  • Faturamento: R$ 226 mil (agosto de 2018/agosto de 2019)
  • Contato: [email protected]
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