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Social Wave, uma startup que se especializou em lotar festas e eventos. Sim, e para millennials

- 5 de abril de 2018
Os sócios da Social Wave Ricardo, Ilan e Bernardo (a partir da direita): em comum, a paixão pela música eletrônica
Os sócios da Social Wave Ricardo, Ilan e Bernardo (a partir da esquerda): em comum, a paixão pela música eletrônica

Em geografia, platô é uma superfície elevada com cume nivelado. Era nesse lugar alto, porém plano, que o empreendedor Ilan Kriger acreditava estar quando decidiu abrir mão de um negócio consolidado para se lançar no movediço terreno das startups. Aos 40 anos, hoje é CEO da Social Wave, plataforma web e mobile que “transforma fãs em embaixadores”, ajudando produtores, eventos e casas noturnas a venderem ingressos e lotar festas. Com dois anos completados no último dia 17, a startup participou de três processos de aceleração, conseguiu 550 mil reais de investimentos e tem como meta movimentar 2 milhões por mês em sua plataforma.

Natural de Curitiba, Ilan sempre empreendeu. Administrador por formação, desde jovem já queria um negócio para chamar de seu. Foi sócio de uma academia de jiu-jitsu e de um campo de paintballl. A paixão por música eletrônica o motivou a atuar como DJ aos 22 anos. Ganhou, inclusive, prêmios importantes. Abriu um selo fonográfico, passou a trabalhar como produtor musical e de eventos e inaugurou, em 2004, uma escola de produção musical e discotecagem: a Academia Internacional de Música Eletrônica (AIMEC). Ilan deu aulas, criou um blog e um canal no Youtube, que chegou a ter 1 milhão de visualizações. Construiu um importante legado dentro do universo da música.

Em 2014, “a maior e melhor escola de DJs do Brasil” ia bem, com muitos alunos formados e filiais em seis cidades, além da sede em Curitiba. Mas Ilan começou a sentir uma inquietação. Parecia estacionado, e esse é um lugar de profundo desconforto para quem tem nas veias o sangue empreendedor. Ele conta:

“Eu estava em um platô. Queria uma empresa moderna, sair para implementar coisas novas e não via muito como fazer isso na escola”

Decidiu vender sua participação para os outros sócios e mergulhou no ecossistema das startups. Estudou, fez cursos online, juntou-se a Bernardo Buschle, 29, também DJ, produtor musical e administrador. Sócio da Social Wave, Bernardo ocupa hoje o posto de VP of Sales.

DE COWORKING PARA MÚSICOS À VENDA DE EXPERIÊNCIAS PARA MILLENNIALS

De início, Ilan e Bernardo planejaram criar um coworking só para músicos. Seria uma grande estrutura no Parque das Pedreiras, em Curitiba. O projeto era ousado, mas esbarrou na crise econômica. “No fim de 2014, a crise estava grande e ficamos preocupados de não conseguir levantar investimentos”, diz. Abortaram o coworking em gestação e lançaram o Big Spaces Services, um marketplace para produtores musicais, que oferecia produtos, serviços, consultorias e aulas.

No fim de 2015, foram selecionados para um programa de aceleração na Hotmilk, da PUC Paraná. Nesse processo, perceberam que o mercado de edição para música não era tão grande assim e não geraria tantos clientes a ponto de tornar o negócio lucrativo. Tiveram, então, outra ideia: transformar o marketing boca a boca em um canal de vendas para festas e shows que fosse atrativo para os millennials. Ilan fala a respeito: “Essa geração quer ter boas experiências e compartilhá-las com os amigos, quer status, tirar selfies com DJs, estar nos bastidores. Decidimos torná-los embaixadores de eventos musicais para vender ingressos”.

A startup ganhou novo foco, nome e cara. Em março de 2016, depois de um protótipo desenhado e testado, estava no ar a Social Wave. Ilan e Bernardo tiraram do bolso 80 mil reais e recorreram a parcerias na área tecnológica. Por um lado, funcionou, pois havia expertise para colocar o negócio para rodar com velocidade. Por outro, o custo era alto e não podia ser absorvido pela startup. Acabaram contratando o especialista em desenvolvimento mobile Ricardo Steinmacher, 28, formado em mecatrônica e também amante de música. Hoje, ele é sócio e ocupa o cargo de CTO.

VIERAM INVESTIMENTOS: HORA DE CUMPRIR METAS

A Social Wave funciona da seguinte: um produtor de evento musical ou festa contrata os serviços da Social Wave. A startup, por sua vez, identifica os fãs e os microinfluencers que possam ajudar a vender ingressos. Ilan dá mais detalhes:

“São pessoas que têm entre mil e 10 mil seguidores nas redes, autoridade e engajamento. Ou seja, são vistos como referência entre os amigos, com poder de influenciá-los”

Após identificar esse público, a plataforma cria uma campanha e esse grupo passa a vender ingressos. O que eles ganham com isso? “Experiências interessantes”, como conhecer seu ídolo e ter acesso ao backstage de um show. A estratégia tem dado certo e lota festas e festivais conhecidos, como Warung Day Festival, Só Track Boa, Green Valley, XXXPERIENCE, Festeja, Country Festival, Playground, Progressive, Atchuca e outros. São mais de 8 mil candidatos a embaixadores cadastrados e 4 mil já selecionados.

O trabalho da Social Wave consiste em identificar os fãs de um evento e seu poder como microinfluenciadores para impulsionar a venda de ingressos.

A Social Wave é remunerada por um percentual de 10% do valor dos ingressos vendidos. Desde o início, isso era suficiente para que a empresa não operasse no vermelho. Para crescer, no entanto, precisavam de investimentos. Foi em busca desse impulso que a startup se inscreveu em um programa de aceleração da ACE. Concorreu com 3 mil inscritos e ficou entre os 40 selecionados. Nesse primeiro processo de imersão, saíram com 150 mil reais, além de treinamento, indicação de livros e um set list de providências a cumprir. Tudo acompanhado de perto por um mentor, com reuniões semanais para análise de resultados, identificação de pontos fracos, elaboração de estratégias de crescimento.

Em outubro, concluíram a segunda etapa do processo de aceleração pela ACE, o Growth. Entre as 40 startups que participaram da primeira fase, apenas três foram selecionadas para mudar de patamar. Desta vez, a Social Wave tornou-se apta a receber um aporte de 400 mil reais. Com o dinheiro, sobram metas agressivas e sobem as exigências.

O time da Social Wave cresceu com os aportes recebidos da aceleradora ACE e hoje conta com 19 integrantes.

Os sócios precisam seguir um plano de ação para conseguir girar 2 milhões de reais por mês na plataforma, como desejam. Nos últimos 30 dias, o movimento foi de 710 mil, com mais de 4 200 ingressos vendidos.

Para crescer ainda mais, os fundadores apostam no time (hoje composto por 19 funcionários), além de estratégias de marketing e novas fontes de receitas, como um serviço de concierge em fase de elaboração. Outra aposta é criar uma ferramenta viral de embaixadores, mas com muita cautela:

“Cada evento tem uma relação com seus fãs. Não nos apoderamos da lista dos produtores para fazer crescer nosso time de embaixadores e influencers”

Ilan prossegue: “Essa é uma questão de ética para nós. Não queremos apenas ter clientes, queremos ser parceiros e garantir o sucesso dos eventos”. Além de Curitiba, s startup já vendeu ingressos para festas de São Paulo, Belo Horizonte e outras capitais. Ilan acredita que ano a ano o negócio vai ajudando os shows a ganharem mais público. Ele cita como exemplo uma festa em que a Social Wave vendeu 30 ingressos na primeira edição e, no ano seguinte, 300. Na próxima, a meta é atingir os 1 200. Como se vê, para Ilan, chegar a um novo platô é uma possibilidade. Mas estacionar lá está fora de cogitação.

DRAFT CARD

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  • Projeto: Social Wave
  • O que faz: Plataforma de venda de ingressos de eventos musicais online
  • Sócio(s): Ilan Kriger, Bernardo Buschle e Ricardo Steinmacher
  • Funcionários: 19
  • Sede: Curitiba
  • Início das atividades: março de 2016
  • Investimento inicial: R$ 80.000
  • Faturamento: R$ 71.000 (março de 2017)
  • Contato: contato@socialwave.com.br
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