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Tâmara Garkisch cria festas com decoração sustentável – que pode ser usada depois no quarto da criança

- 7 de novembro de 2018
A empreendedora conta como apostou na produção de comemorações infantis mais ecológicas e lúdicas, conquistando os pais dos aniversariantes e, mais recentemente, empresas.

Sem ter cursado uma faculdade ou curso técnico, o caminho empreendedor da paulista Tâmara Garkisch, 42, começou como o de muitas mulheres no Brasil, sendo artesã. Mais de 20 anos depois, ela hoje toca uma empresa que leva seu nome, a Tâmara Garkisch, que realiza recreação e festas infantis sustentáveis, com uso de descartáveis biodegradáveis e em papel semente, além de decoração em madeira, papeis e tecidos — transformados após a festa em enfeites e brinquedos para a criança. Este ano, ela ainda criou outro viés, voltado ao mundo corporativo. 

Mãe de Guilherme, 21, e Lívia, 10, Tâmara, desde a adolescência, trabalhava como promotora de vendas em São José dos Campos. Aos 21, quando teve o primogênito, decidiu encontrar outra forma de se sustentar e, ao mesmo tempo, poder passar mais tempo com o filho. A inspiração para seu primeiro produto veio de um incômodo com as festas de aniversário que realizava para o menino. Depois de meses planejando, ela via todo o gasto de tempo e dinheiro acabar em apenas quatro horas e ainda deixar um bocado de lixo para limpar.

E o que dizer das lembrancinhas que, apesar de bonitinhas, não tinham qualquer utilidade depois? Veio, então, a ideia de produzir brindes que fossem finalizados pelas próprias crianças e tivessem alguma utilidade, posteriormente, para as mães, como lixeiras de carro, pantufas de pano e ecobags com desenhos feitos pelos alunos ou estampados com suas mãos e pezinhos. Os primeiros clientes foram escolas particulares. Ela fala mais a respeito desse período:

“Passava a madrugada produzindo lembrancinhas e durante o dia ficava com meu filho. Foi a melhor coisa que fiz da minha vida, mas trabalhava que nem doida”

Ela continua: “Quando o deixava na escolinha, eu ia a pé de colégio em colégio oferecendo meus produtos para não gastar com transporte”. E foi com este trabalho que ela sustentou a família até conseguir fazer sua empresa decolar. Conhecida pela habilidade e criatividade, Tâmara, então, foi convidada por uma diretora escolar a colaborar com toda a parte em tecido na redecoração de sua casa.

Por um ano, fez o projeto, que lhe rendeu o suficiente para comprar o primeiro computador, enquanto começava a pensar no próximo passo para empreender. “Fiz uma pesquisa e descobri coisas absurdas de como o ‘lixo’ das festinhas faz mal às crianças e ao meio ambiente. Imagina a quantidade de bexigas descartadas? É desnecessário.”

ELA DESCOBRIU UM DIFERENCIAL: TRABALHAR A PARTE AFETIVA DAS FESTAS

Foram quatro anos pesquisando e, com uma pitada de cara de pau, fazendo networking com revistas de casamento. “Eu ligava e dizia que um dia estaria nas capas. Me achavam maluca”, conta rindo. Até que, em meados de 2011, após se separar do marido, ela se mudou para a Praia Grande, no litoral paulista, onde um amigo se ofereceu para ajudá-la, emprestando cerca de 20 mil reais para sua ideia de negócio.

Nas criações de Tâmara Garkisch, a toalha de mesa pode virar uma cabana ou mesmo uma colcha para o quarto da criança.

Tâmara usou o dinheiro para lançar o conceito da empresa. Comprou material, fez logo, site, papelaria e contratou um fotógrafo para registrar uma festa toda produzida à mão — e com um detalhe: a decoração poderia ser usada depois no quarto da criança.

A toalha de mesa de algodão, por exemplo, pode virar colcha de cama e o painel, um tapete. Além disso, espetos de bolo se transformam em fantoches, móbiles usados nas mesas e criados com aros de bicicletas, depois, enfeitam berços.

Foi um sucesso de divulgação, mas ainda não financeiro. Diversas revistas a convidaram para reportagens, mas era preciso gastar de dois a três meses para produzir cada festa e, assim, se passou um ano com muita publicidade, mas sem entrar dinheiro em caixa. Para completar, um problema familiar atrasou ainda mais seus planos e ela acabou perdendo o timing por três anos. Apenas em 2012, quando os grupos de Facebook de mães já eram populares, Tâmara voltou a investir 5 mil reais em seu sonho. Como ela já tinha um portfolio para se divulgar, o primeiro ano foi imediatamente um sucesso.

Ela fala: “Quando comecei, o mais difícil era furar um bloqueio. As pessoas se acostumam a contratar um certo tipo de trabalho e ficam resistentes, mesmo se aparecer um profissional bom. Era uma super novidade. Com a gente, não acontece do bebê não aproveitar a festa”. Seu diferencial:

“Trabalho com a parte afetiva, pegando as características da criança e inserindo na decoração. Ela vê que em todos os detalhes tem referências de seu desenho ou livrinho preferido”

Suas festas tornaram-se referência. No entanto, logo chegaram os concorrentes oferecendo um conceito similar — com a metade do preço. Ela entendeu, na marra, que seria preciso buscar sempre inovação e estar alinhada com seus princípios para sobreviver ao competitivo mercado: “Tem cliente que oferece pagar a mais para colocar um arco de bexiga, mas não aceito. Se meu propósito é ser sustentável, tenho que ir até o fim”. A empreendedora ainda diz: “Os pais se preocupam com alimentação, escola, mas com isso de festa ainda esquecem. Esta dificuldade eu quebro com o lado afetivo”.

UMA RECREAÇÃO MAIS LÚDICA E  A APOSTA NO MUNDO CORPORATIVO

Em busca de fazer a empresa crescer, Tâmara criou um Kit Festa (com uma decoração seguindo os moldes do negócio e pronta para os pais montarem), que era enviado para todo o Brasil. Assim, sua carteira de clientes não se limitaria mais a São Paulo. Por mais um ano, ela garantiu o sucesso do empreendimento, mas novamente surgiu a concorrência.

Foi quanto teve outra ideia ao perceber que as mães contratavam empresas de recreação que nada tinham a ver com seu conceito, usando bexigas e eletrônicos. Decidiu, então, fazer um resgate de brinquedos e brincadeiras antigas e sustentáveis. Para colocar tudo em prática, conseguiu o apoio de um fornecedor, uma empresa de tecidos, e conseguiu novamente furar a resistência.

Outra forma de rentabilizar foi investir em recreações mais lúdicas, como as próprias lembrancinhas acima: aros de fazer bolhas de sabão.

No último ano, a empresa chegou a ter ateliê em Pinheiros, na capital, mas a crise econômica não perdoou, apesar do faturamento anual de 192 mil reais. Mesmo pensando em desistir muitas vezes, ela conseguiu insistir graças à diversidade de seus produtos. “Quando não havia festa para produzir, surgia uma recreação ou um kit”, conta. Uma festa completa custa, em média, 5 mil reais, mas ela oferece também piqueniques, por 3 mil reais. Cada projeto demora, pelo menos, dez dias para ser produzido.

Hoje ela conta com uma rede de parceiros, entre artesãos e recreadores, além do apoio do filho, a grande inspiração para o negócio. A caçula também já está sendo influenciada pelo espírito empreendedor: “Quando vejo que o olho dela brilha com um projeto, sei que está bom. Ela é o meu termômetro e gosta de ajudar”.

Tâmara segue inovando. Há dois meses, lançou seu braço corporativo. O diferencial é, além de produzir um evento sustentável, oferecer um outro benefício ao cliente, sem custo adicional. Parte do investimento dele (uma festa pode chegar a 100 mil reais, dependendo do tamanho) é revertido para ONGs, projetos sociais ou uma área verde do própria empresa contratante. Além disso, as emissões são neutralizadas e a gestão de resíduos segue a mesma lógica da festa infantil, com mínimo de lixo biodegradável.

Apesar de ainda enfrentar certa resistência no mundo corporativo, ela vai em frente: “Tem agências muito antigas de eventos e uma multinacional não quer correr risco apostando em uma empresa nova. O que faço, para ao menos verem o projeto, é focar na parte sustentável e social. Hoje em dia, quase todas as corporações têm gestão ambiental, mas esquecem isto nos eventos”. Que venham, cada vez mais, comemorações conscientes.

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Tâmara Garkisch Festas e Eventos Sustentáveis
  • O que faz: Decoração e recreação infantil e eventos corporativos sustentáveis
  • Sócio(s): Tâmara Garkisch
  • Funcionários: 2 (incluindo a fundadora)
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2012
  • Investimento inicial: R$ 25.000
  • Faturamento: R$ 195.000 (em 2017)
  • Contato: contato@tamaragarkisch.com.br
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