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“Tive que lidar com minhas dificuldades, abrir mão da vaidade e aprendi que um mais um é mais que dois”

- 2 de novembro de 2018
Tati Oliva fala dos desafios de, pouco a pouco, educar o mercado sobre o poder da cultura de colaboração entre marcas (foto: Rodrigo Zorzi).

 

por Tati Oliva

Sempre gostei de Publicidade, mas meu pai era contra e queria ter uma filha advogada. Prestei Publicidade em duas universidades e Direito em uma outra, e acabei sendo aprovada para a segunda opção. Mesmo estudando, sempre fiz freelas em lojas de que gostava e até vendia sanduíche natural e brigadeiro no shopping em que minha mãe tinha loja, porque sempre quis ter o meu dinheiro e ser independente.

Numa dessas de me virar, uma amiga me levou para uma seleção de recepcionistas de eventos. Passei e fiz trabalhos para SporTV, Brastemp e o Banco de Eventos, agência de marketing promocional e comunicação que faz parte da Holding Clube — maior grupo de live marketing do Brasil, capitaneado por José Victor Oliva.

Consegui uma oportunidade de ser parte da equipe do Hospitality Center do Meio & Mensagem no Festival de Criatividade de Cannes, na França, onde tive contato com José Victor, que elogiou minha atuação e me ofereceu um emprego quando retornamos ao Brasil. No Banco de Eventos, onde trabalhei por quase nove anos, comecei como assistente de produção e cheguei ao posto de diretora de Novos Negócios.

A verdade é que eu poderia ter me acomodado. Desenvolvia um bom trabalho com números de vendas sólidos e projetos ousados, porém aquilo não me motivava mais a sair de casa depois que voltei da licença maternidade de minha segunda filha.

Ser mãe acelerou a decisão de ir atrás de outra coisa, buscar de novo tesão no trabalho e inspirar minhas filhas a encontrarem o caminho delas

Dentro dessa motivação, existia a possibilidade de me manter no Banco de Eventos e estruturar uma área de parcerias ali, mas parceria exige um timing diferente do timing de eventos… É necessário começar a desenvolver uma ideia muitos meses antes e esse prazo não existia em uma empresa de eventos. Então, decidi montar a Cross Networking.

Abrir um negócio, especialmente um totalmente novo como a Cross, não foi um mar de rosas. Temos a ilusão de que alugar um espaço, contratar um funcionário e sair vendendo é tudo que precisamos, mas não foi bem assim, e por isso eu resolvi ficar no grupo da Holding Clube.

Eu não tinha ideia da dimensão real do que era empreender e de como isso envolve questões financeiras, jurídicas e fiscais

Mesmo com esse respaldo da Holding, não podia dar passos mais largos do que a perna enquanto não entendesse de verdade do meu negócio e, para isso, precisei viver e aprender. No início, tive que educar o mercado sobre o que a Cross fazia. Era difícil explicar para as pessoas que não éramos uma empresa de captação de patrocínio, mas sim a primeira agência do mercado brasileiro especializada em parcerias estratégicas. Eu, representando uma empresa nova, tinha que chegar para os clientes e dizer: “Vai demorar mais tempo, vai dar mais trabalho, mas vai ser bom pra você”.

Tive que bater na porta de um por um, cobrar pouco, presentear clientes com parcerias e até faturar zero com alguns jobs, porque esse sistema era algo que eles nunca tinham feito e simplesmente não queriam fazer. E eu ainda não tinha a segurança de falar que ia ser do caramba, nem tinha cases para validar isso. Fomos indo aos poucos. Fizemos projetos com algumas empresas que, nos dias de hoje, brifam suas agências em relação a parcerias.

Ao longo desses dez anos, eu fui entendendo quais são as etapas e os processos. A Cross nasceu sem planejamento, era só venda, e não existe isso. Hoje temos toda uma estrutura que envolve planejamento e criação, envolve enxergar oportunidades, mostrar para o cliente onde ele vai chegar, como fazer esse operacional.

Fui vivendo aos trancos e barrancos para entender essa estrutura, chegando na hora errada, em cliente que ainda não estava pronto para fazer parcerias

Hoje estamos no melhor momento. Uma das principais razões para estarmos comemorando uma década de Cross é porque eu nunca deixei de acreditar no negócio. Lembro que, no início, meu salário foi reduzido para um quinto do que eu ganhava e eu tive que aprender a viver com uma grana diferente, mas nunca deixei de acreditar que esse negócio ia ser grande e cada vez maior. Entre algumas das parcerias de sucesso já firmadas pela Cross estão OMO + Hering Kids, Maizena + Tok Stok, America + Club Samsung, Jasmine + Droga Raia, Drinkfinity + Studio Velocity e muitas outras.

Precisei lidar com dificuldades que geraram aprendizados preciosos para a minha carreira de empresária e empreendedora, como entender que o meu negócio tem uma forma de ser que está em mim, mas que eu preciso passar isso para a frente, para a equipe, além de entender que as pessoas são boas em algumas coisas e não são boas em outras, sem me frustrar com isso.

Tive também que aprender a abrir mão da vaidade, aprender que tem gente melhor do que eu em determinados assuntos e que podemos caminhar juntos. Eu quero que a minha equipe brilhe, que a referência seja a Cross, não a Tatianna, e que esse negócio se perpetue.

Para mim, toda parceria bem-sucedida já nasce no mindset da economia compartilhada. Esse negócio de que as pessoas e as marcas podem se beneficiar trabalhando juntas é bonito, é sustentável, é viável e é necessário. Acredito muito no NÓS, na união, que juntos somos mais fortes e mais bem-sucedidos. Para mim, parceria virou um jeito de enxergar a vida e também de me posicionar no mundo. Por isso, tenho vendido muito essa ideia do lifestyle da parceria, da cultura da colaboração, porque esse é o meu propósito, meu legado. Com dez anos de experiência na Cross Networking, entendi que a fórmula para um negócio de sucesso é que um mais um é mais que dois.

 

Tati Oliva, 43, é sócia e diretora-geral da Cross Networking, empresa pioneira em realizar parcerias estratégicas entre marcas, e autora do livro Um mais um é maior que dois, da Editora Colmeia.

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