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Urban 3D: a startup que quer construir moradias usando tecnologias revolucionárias e sustentáveis

- 22 de julho de 2015
Anielle, da Urban 3D: aos 22 anos, ela atraiu investidores globais para seus projetos nada modestos de transformação social.
Anielle, da Urban 3D: aos 22 anos, ela atraiu investidores globais para seus projetos nada modestos de transformação social.

É difícil acreditar que Anielle Guedes tenha somente 22 anos. Tem o pensamento rápido e concatenado. Fala sem pausas e mostra grande conhecimento daquilo que defende. Talvez por isso tenha se tornado uma palestrante internacional nos últimos tempos: em março fez discurso nas Nações Unidas, em Genebra, na Suíça, e foi convidada mais recentemente para falar sobre sua trajetória e a startup, Urban 3D, no World Future Society Annual Meeting, nos Estados Unidos. Ah, é embaixadora do [email protected] no Brasil.

A jovem paulistana quer acabar com uma das maiores mazelas da sociedade contemporânea,  a falta de moradia, com uma empresa que tem como missão desenvolver materiais e tecnologias para tornar a construção de casas mais rápida — e barata. “Não podemos continuar esta situação de pessoas não terem o mínimo para viver, o mínimo de saneamento básico, o mínimo de água encanada. Sem isso, elas nunca comerão direito, não pensarão em educação, não terão saúde”, diz Anielle. “Há uma série de questões, intrinsecamente ligadas à casa, que são responsáveis por melhorar os índices de desenvolvimento humano”.

A ideia para a startup nasceu nas salas de aula da Singularity Universtiy, no NASA AMES, na Califórnia, onde Anielle fez um curso de dez semanas, em 2014. Para ela, o atual modelo de desenvolvimento urbano é simplesmente inviável:

“Não vamos conseguir incluir três bilhões de pessoas nos próximos 15 anos se continuarmos a usar os recursos da forma atual. Precisamos de processos mais eficientes”

Para alcançar seu objetivo, a brasileira correu atrás de colaboradores. Já conta com três empresas alemãs – uma na área química, outra especializada em robótica e a terceira em maquinário pesado. A primeira delas está desenvolvendo um novo produto, que substituirá o concreto (altamente poluente). Esta matéria-prima, que terá valor 30% menor do que o concreto tradicional, poderá se transformar em filamentos para impressão 3D. As outras duas companhias estão trabalhando com sistemas de computação inteligente para a construção das moradias.

O objetivo da Urban 3D é que prédios de quatro a cinco andares sejam erguidos em poucas semanas, com um custo até 80% menor do que o cobrado pela construção civil nos dias de hoje. Na prática, a Urban 3D construirá moradias de baixo custo utilizando uma tecnologia inovadora, que alia robótica e impressão 3D, para criar em série módulos pré-formatados digitalmente. Grandes máquinas irão imprimir, com o concreto que será desenvolvido, pavimentos, vigas, paredes. Anielle calcula que o preço final de uma casa ou apartamento finalizado com este processo será algo entre 10 e 15 mil reais.

A Urban 3D tem como missão criar novas tecnologias para combater a falta de moradia no mundo.

A Urban 3D tem como missão criar novas tecnologias para combater a falta de moradia no mundo (imagem: Reprodução internet).

Mas não são somente a ideia genial e o carisma de Anielle que vêm conseguindo convencer parceiros a abraçar o projeto. Ela é persistente e não se cansa ou se sente intimidada em procurar novos investidores. “Às vezes bato na porta, falo oi, eu faço isso aqui. Outras vezes ligo no 0800 mesmo”, conta, dando risada. A receptividade nem sempre é muito boa. “Alguns dizem que é impossível de se fazer. Outros que dará trabalho, mas querem se envolver de alguma forma.”

Para a fundadora da Urban 3D, a conexão entre sua startup e as empresas parceiras é o pensamento fora da caixa. “Elas têm um modo de trabalhar em que entendem que não é possível vender somente a caixinha delas. A caixinha faz sentido, mas é preciso adaptá-la para o que o cliente necessita”, diz.

QUEM É ESSA GAROTA?

Mas como esta jovem circula hoje por grandes cidades do mundo – Vancouver, Berlim, São Francisco, Genebra (para citar apenas algumas delas) — e fala de igual para igual para trazer empresas internacionais e investimentos para seu empreendimento? Pode-se dizer que Anielle sempre foi uma idealista. Desde muito cedo. Aos 4 anos decidiu aprender inglês porque, segundo ela, não conseguia entender como poderiam existir outros “grupos humanos” que falavam uma língua que ela não entendia. Aos 13 anos, já fazia traduções para a Anistia Internacional. Durante muitos anos, foi editora da Wikipedia. Hoje fala inglês praticamente sem sotaque algum, como uma americana.

O aplicativo Ônibus ao Vivo é um projeto da outra startup de Anielle, a CIS.

O aplicativo Ônibus ao Vivo é um da CIS, outra startup que Anielle tem parceria.

 

 

Ao longo da infância e da juventude, engajou-se em diversas iniciativas sociais. Ainda no ensino fundamental, foi vereadora jovem e criou um projeto de sustentabilidade baseado na Lei Cidade Limpa (que limitou a poluição visual na cidade de São Paulo ao padronizar locais e tamanhos de anúncios no espaço urbano). Na hora de escolher um curso na universidade, optou por Física, por achar que encontraria ali o melhor conjunto de ferramentas para realizar seus projetos no futuro.

“Sabia que queria usar a tecnologia para o bem estar social”, conta ela. Decepcionou-se com o que encontrou na Universidade de São Paulo e dois anos depois, trancou o curso. O mesmo aconteceu com Economia (atualmente em stand-by). Mesmo assim, teve tempo para ser presidente do Núcleo de Empreendedorismo da USP (NEU), uma organização não governamental voltada à formação de jovens empreendedores. No momento, cogita transferir o curso de Economia para uma universidade americana.

Além da Urban 3D, Anielle está envolvida com outra startup brasileira, a CIS – Connected Information Services, que desenvolve aplicados de mobilidade urbana. Entre os apps oferecidos pela empresa está o Ônibus ao Vivo, que fornece em tempo real informações sobre as linhas de ônibus da capital paulista. O app tem uma versão gratuita e outra paga, com um maior número de funcionalidades.

ELA QUER LANÇAR UM SUBSTITUTO DO CONCRETO

Mas o coração desta paulistana bate mais forte é pela Urban 3D. A empreendedora já traçou metas nada modestas para os próximos anos. Quer ter o produto químico, o que substituirá o concreto, lançado até 2017 e começar a construção das primeiras casas no ano seguinte. Como a pesquisa de novas tecnologias flui mais fácil nos Estados Unidos, quer levar para lá uma base da startup. Atualmente Anielle conta com a ajuda de uma equipe de seis pessoas: entre elas dois estagiários (um deles vive na Itália e outro na Alemanha) e dois engenheiros químicos, que atuam em centros universitários americanos.

Anielle em uma de suas viagens internacionais (esta, ao Canadá) para "vender" a Urban 3D.

Anielle em uma de suas viagens internacionais (esta, ao Canadá) para “vender” a Urban 3D.

A startup tem pela frente o imenso desafio de levantar rapidamente mais capital. Deve receber até o final do ano um financiamento nacional, mas Anielle já está procurando novos parceiros, seja com anjos brasileiros (pessoas físicas que decidem apoiar financeiramente novos negócios) ou fundos de investimentos no exterior. Ela sabe, no entanto, que um dos maiores obstáculos será quebrar paradigmas deste mercado. “Há muita resistência. As empresas querem usar os métodos mais antigos que propiciam maior poder. Nossa tecnologia irá mexer com um segmento que é extremamente especulado (a construção civil)”, diz.

Anielle sabe que qualquer tecnologia tem potencial para ser usada tanto para o bem como para o mal. Entretanto, vislumbra um futuro em que a tecnologia será utilizada para o desenvolvimento sustentável e proverá uma vida melhor para as pessoas. É por este cenário que ela batalha na Urban 3D. “Imagino ver uma empresa estruturada, mudando a forma como pensamos a construção civil. Quero visitar comunidades inteiras e ver as pessoas morando em casas e pensar que tudo o que fizemos lá atrás era necessário e que conseguimos cumprir o que nos propusemos a fazer”, diz, colocando mais um tijolinho neste sonho.

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  • Projeto: Urban 3D
  • O que faz: desenvolve matéria-prima e sistemas de construção sustentáveis e mais baratos para moradias utilizando impressão 3D
  • Sócio(s): Anielle Guedes
  • Funcionários: 6 (incluindo Anielle)
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2014
  • Investimento inicial: financiamentos privados (não podem ser divulgados ainda)
  • Contato: [email protected]
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