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Verbete Draft: o que é Dia de Sobrecarga da Terra

- 1 de agosto de 2018
A data serve de alerta: exatamente hoje, 1º de agosto, a demanda da humanidade por recursos e serviços ecológicos excedeu a que a Terra poderia regenerar até o fim do ano.

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

DIA DE SOBRECARGA DA TERRA

O que acham que é: Nome de um filme de ficção científica.

O que realmente é: O Dia de Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day ou, simplesmente, Overshoot Day) é o dia e o mês em que a demanda da humanidade por recursos e serviços ecológicos excede o que a Terra poderia regenerar até o fim do ano. O déficit é mantido liquidando os estoques e acumulando resíduos na atmosfera, principalmente dióxido de carbono. Hoje, dia 1º de agosto, é o Dia da Sobrecarga da Terra de 2018. Isso significa que, até ontem (ou, em apenas 212 dias), esgotamos completamente comida, água, fibra, terra e madeira que teriam de servir até 31 de dezembro. Virginia Antonioli, coordenadora de conteúdo do Instituto Akatu, diz que este é o ano em que o Overshoot Day aconteceu mais cedo desde que o mundo estourou seu orçamento ambiental pela primeira vez, no início da década de 1970. “Isto significa que, até o final deste ano, a população mundial terá consumindo uma quantidade de recursos naturais cuja geração e regeneração dependem de serviços ecossistêmicos, cada um com o seu tempo, equivalentes a 1,7 planeta. Ou seja, consumimos 70% mais do que a Terra consegue regenerar em um ano.”

Existe, também o Dia de Sobrecarga da Terra para cada país (Country Overshoot Day), que leva em consideração o território e o estilo de vida da população. Segundo Bruna Mello de Cenço, comunicadora de mudanças climáticas e energia do WWF-Brasil, se todos tivessem o estilo de vida da média dos brasileiros, o Dia da Sobrecarga da Terra teria chegado ainda antes este ano e, ao final de 2018, o consumo equivaleria ao de 1,8 planeta. Ela afirma: “Por meio da conscientização podemos mudar a data. De acordo com a Global Footprint Network, se postergarmos essa data em cinco dias por ano, até 2050, estaremos, de novo, em equilíbrio de consumo. É a campanha #movethedate ou #mudeadata”. O cálculo do Dia da Sobrecarga da Terra leva em conta a Pegada Ecológica (consequências deixadas por atividades humanas como comércio, indústria e consumo no meio ambiente). Considera áreas utilizadas para a produção de alimentos, fibras e madeira, acomodação da infraestrutura urbana e absorção das emissões de dióxido de carbono.

Quem inventou: O conceito de Earth Overshoot Day foi concebido pelo economista político Andrew Simms. Foi a parceria da entidade britânica New Economics Foundation, da qual Simms é membro, com o think tank internacional de pesquisa Global Footprint Network (GNF) que fez, por meio de uma campanha global, com que o dia ficasse mundialmente conhecido. Em seguida, a WWF se juntou ao grupo.

Quando foi inventado: A campanha foi lançada em 2006, ano em que o Overshoot Day caiu em outubro. A WWF é parceira desde 2007.

Para que serve: Para analisar o ritmo e a intensidade de recursos naturais do planeta e divulgar dados de modo a alertar e promover a consciência e a mudança de hábitos dos indivíduos assim como o estímulo e pressão de políticas públicas que brequem iniciativas privadas como indústrias poluentes ou que causam desmatamento, por exemplo.

Quem usa: Organizações, think tanks, cidadãos, governos, ativistas e quem mais se interessar em conhecer e mudar a realidade do planeta. A página do WWF sobre o tema alerta para o fato de que até tweets podem fazer uma grande diferença. Esse tipo de ação, que fazemos praticamente todos os dias (e sem nos darmos conta), deixa Pegadas Digitais. Todo tipo de navegação online (redes sociais, Netflix, e-mail etc), também tem algo físico por trás: milhares e milhares de servidores de computadores, responsáveis por armazenar os dados que compõem a internet. O que os alimenta, em sua grande maioria, é a eletricidade proveniente de fontes de combustíveis fósseis como o carvão e o gás natural. Por todo lugar, mesmo na nuvem, deixamos, então, essas Pegadas Digitais. Quem estuda e combate isso é a Sustentabilidade Digital.

Efeitos colaterais: Não há.

Quem é contra: O think tank The Breakthrough, na Califórnia, já publicou alguns artigos questionando as premissas utilizadas para o cálculo usadas pela GNF. Segundo Antonioli, eles afirmam que a metodologia simplifica uma realidade extremamente complexa ao não considerar dinâmicas de índices de empobrecimento dos solos, entre outros fatores. “Esses índices fariam com que os resultados dessa quantificação de impactos fossem ainda mais drásticos”, afirma ela. Para o GFN, suas aproximações permitem estimativas satisfatórias e a falta desses dados (muitos não existem ainda) não diminui a importância da conscientização que a data traz.

Para saber mais:
1) Entre no Footprinter Calculator e calcule sua Pegada Ecológica.
2) Veja, no site da GNF, o gráfico do Country Overshoot Days. O do Brasil, este ano, já foi: 19 de julho.
3) Assista, no YouTube, ao vídeo Earth Overshoot Day 2018 falls on August 1st. Apesar do título se referir ao dia deste ano, a explicação — ilustrada e bem didática — é sobre o conceito geral.