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Verbete Draft: o que é Direct Listing

- 17 de abril de 2019
Direct Listing nada mais é do que a venda de ações de empresas diretamente para os compradores, ou seja, sem intermediadores.

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

DIRECT LISTING

O que acham que é: Uma nova série da Netflix.

O que realmente é: Direct Listing é uma forma de abertura de capital por meio da qual uma empresa vende suas ações diretamente ao público, sem intermediários. É uma alternativa ao tradicional IPO (Initial Public Offering ou Oferta Pública Oficial), no qual o intermediário ganha taxas percentuais para facilitar o processo.

Obviamente mais barata do que a IPO, a Direct Listing ainda é pouco utilizada, mas tem sido considerada a bola da vez, principalmente por causa do aumento de startups unicórnio, por publicações de business e tecnologia.

Segundo Andrea Paiva, coordenadora dos MBAs online da FIAP, a Direct Listing é também conhecida como Direct Public Offering (DPO), já que pode ser definida, justamente, como oferta pública direta. “Essa é uma nova forma de captar investimento. A empresa oferece ao mercado parte de seu capital sem ter uma bolsa de valores como intermediária.”

Vale dizer que, seja por meio de Direct Listing ou IPO, negócios optam por abrir seu capital, geralmente, quando estão em busca de grandes investimentos. Sendo assim, deixam de ser privados e passam a ser — em grande, média ou pequena parte — de propriedade pública. Foi anunciado que a Uber está para fazer um IPO este mês e que o Airbnb pode fazer uma Direct Listing até o fim do ano.

Para que serve: Para que uma empresa privada venda parte de suas ações diretamente ao público, sem a utilização de intermediários. A economia, ao eliminar a comissão dos intermediários, é o ponto foca essa operação, mas não é o único importante. Uma outra vantagem, de acordo com Paiva, é que a empresa que está captando recursos não fica sujeita às exigências do mercado de valores mobiliários. “Essa exigências são enormes e engessam alguns tipos de manobra”, afirma.

A Direct Listing ainda garante que as ações da empresa não sejam vendidas previamente para investidores institucionais, como acontece tradicionalmente no IPO, o que a torna mais descentralizada e democrática.

Quem usa: Ainda há poucas adesões. A Spotify surpreendeu o mercado ao optar pela Direct Listing, em vez da IPO, quando abriu seu capital em abril do ano passado. Até o fim de 2019, espera-se que pelo menos duas outras empresas de tecnologia façam o mesmo: Airbnb e Slack.

Efeitos colaterais: Falta de garantia de venda das ações. Berenice Righi Damke, professora de finanças do Insper, faz uma lista do que ela chama de dois “pontos de atenção” da Direct Listing: a formação de preço ficar ao sabor do mercado, sem nenhum agente ou assessor financeiro agindo no processo, e a possibilidade de falta de informações necessárias ao investidor na hora da tomada da decisão, que nesse caso fica totalmente a cargo da empresa. “Além disso, para empresas menos conhecidas, a liquidez pode ser muito pequena, pois não há um rito de divulgação e distribuição das ações. Por outro lado, isto pode ser resolvido com emprego de tecnologia.”

Quem é contra: O sistema atual de fazer negócio. A Direct Listing, por fugir da forma tradicional (e pelo intermédio de bancos) de abertura de capital, poderia estar mudando a forma de relação financeira do Vale do Silício com Wall Street, beneficiando o primeiro em detrimento do segundo. Tudo ainda é muito incipiente, mas há quem aposte na mudança.

Para saber mais:
1) Leia, no Recode, os textos Spotify’s direct listing is an inflection point in the Wall Street-Silicon Valley relationship e Airbnb and Slack are considering untraditional IPOs that box out bankers like Spotify did.
2) Leia, na Forbes, A Slack Direct Listing Could Tempt Other Tech Unicorns—But It’s Unlikely To Challenge The Traditional IPO.
3) Leia, no TechCrunch, Direct listings. Six leading IPO experts talk about the revolution in how tech startups go public.

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Rogério Luiz passou por PwC, Embraer, Citibank, AmBev, Totvs e Netshoes. Hoje, na ITU Partners, dá consultoria para startups.