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Verbete Draft: o que é Economia Circular

- 20 de abril de 2016
Economia Circular tem a ver com reciclagem, mas está longe de ser só isso. Consiste em usar o design para desenvolver produtos com menos impacto e mais consciência. Saiba mais a respeito.
Economia Circular tem a ver com reciclagem, mas está longe de ser só isso. Consiste em usar o design para desenvolver produtos com menos impacto e mais consciência. Saiba mais a respeito.

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

ECONOMIA CIRCULAR

O que acham que é: Uma forma de reciclar e reutilizar produtos.

O que realmente é: Economia Circular é um modelo, uma nova forma de se pensar a utilização dos recursos naturais. Se propõe a transformar o sistema vigente — cuja trajetória é: extração, transformação, consumo e descarte — a partir da reciclagem e da revalorização, ao longo dos processos de produção, dos nutrientes biológicos e técnicos. A Economia Circular é definida como “sistema industrial restaurativo por intenção e por design”. Segundo o professor Maurício Turra Ponte, coordenador do ESPM Social Business Centre, para que se possa aplicar o conceito de Economia Circular tecnicamente, é preciso desenhar e fazer um planejamento antes da produção de um produto — para que possa ser, posteriormente, aproveitado em outro sistema — o que dá ao design importância vital no processo. “Os princípios seguidos são o de repensar os produtos, para que gastem menos recursos, reduzir materiais, favorecer a substituição de componentes e reparos, reduzir materiais agressivos ao meio ambiente e possibilitar que sejam feitos por materiais reciclados”, diz. Além disso, a Economia Circular considera a possibilidade de utilizar os materiais da produção de um produto para o desenvolvimento de outro, ideia bastante semelhante a do ciclo biológico, onde os insumos são absorvidos pelo meio.

De acordo com o professor, o modelo atual de produção e consumo no mundo considera os recursos naturais infinitos e acredita na possibilidade de descarte de produtos após o uso, contando com a possibilidade de serem absorvidos pelo ecossistema. “Nenhum desses dois pressupostos está correto”, fala Ponte.

Quem inventou: A Fundação Ellen McArthur, responsável pela disseminação e aceleração da Economia Circular em todo o mundo, afirma em seu site que o conceito tem variadas origens e não está ligado a um determinado autor ou data. No entanto, tem sido aperfeiçoado e desenvolvido por seis escolas de pensamento: Design Regenerativo, Economia de Performance, Cradle-to-Cradle, Ecologia Industrial, Biomimética e Blue Economy. A britânica Ellen McArthur, ex-velejadora profissional, teve inspiração para criar sua fundação durante uma volta ao globo em um veleiro, por 71 dias. Sozinha, navegou sem reabastecimento de combustíveis, alimentos ou água e se deu conta da abundância mas também da finitude dos recursos naturais quando mal utilizados.

Quando foi inventado: Ainda segundo o site da fundação, as aplicações práticas para os sistemas econômicos modernos e processos industriais adquiriram uma nova dinâmica desde o fim da década de 1970, lideradas por um pequeno número de acadêmicos, líderes intelectuais e empresas. A Ellen McArthur Foundation foi criada em 2005. Seu escritório brasileiro foi aberto em novembro do ano passado.

Para que serve: Professor Sênior do Instituto de Energia e Ambiente da USP e autor do livro Beyond the Green Economy, Ricardo Abramovay diz, em um texto da revista Exame replicado em seu site, que o ponto de partida da Economia Circular é de natureza eminentemente ética. “Os vários documentos lançados desde 2012 pela Fundação Ellen McArthur preconizam uma economia não apenas menos danosa, mas regenerativa tanto dos ecossistemas como do tecidos sociais que têm sido sistematicamente destruídos pelas formas atuais como se obtém riqueza.” Para Ponte, o objetivo é que as empresas diminuam a utilização de recursos naturais. “Assim, geram menos resíduos e podem acessar consumidores da base da pirâmide.” 

Quem usa: Cisco, Google, H&M, Phillips, Renault e Unilever são alguns dos parceiros globais da Fundação Ellen McArthur. Dentre os membros do CE100 (Circular Economy 100 programme) da fundação há empresas como Apple, Dell, Ebay e Coca-Cola, entre outros.

Efeitos colaterais: “Não detecto efeitos colaterais, uma vez que o conceito diminui impactos ao meio ambiente e agrega mais pessoas ao processo produtivo”, fala Ponte.

Quem é contra: O professor da ESPM diz que é pouco provável que existam organizações contrárias à Economia Circular, mesmo que forneçam as matérias primas. “A longo prazo, todas terão que buscar novas formas de fornecimento pois os recursos são finitos.”

Para saber mais:
1) Leia Towards the Circular Economy: Accelerating the scale-up across global supply chains, relatório feito em 2014 pelo Fórum Econômico Mundial em colaboração com a Ellen McArthur Foundation e McKinsey & Company.
2) Assista ao TED The Surprising I think I learned sailing solo around the world, no qual Ellen McArthur conta como se deu conta sobre a Economia Circular.
3) Leia, no eCycle, o texto Economia circular: o modelo que propõe um reaproveitamento sistemático de tudo o que é produzido, que explica, com links e gráficos, o modelo.
4) Leia, na Harvard Business Review, How Businesses Can Support a Circular Economy, texto que explica os três pontos que, acredita, podem ser um ponto de partida para empresas: reciclar, alugar e aumentar a longevidade dos produtos.
5) O artigo As Oportunidades da Economia Circular, publicado no site da Endeavor, lista quatro fatores que podem ajudar a empresa a fechar o ciclo da sustentabilidade.
6) Assista ao TEDx Economia Circular, do brasileiro Chicko Sousa, engenheiro mecânico e palestrante sobre desenvolvimento de processos industriais focados no mercado automotivo e de reciclagem.

tec

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