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Verbete Draft: o que é Geração Z

- 24 de agosto de 2016
A paquistanesa e ativista Malala Yousafzai, de 19 anos, é a personificação da Geração Z.
Nativos digitais, rompedores de barreiras e multitarefas. A paquistanesa e ativista Malala Yousafzai, de 19 anos, é a personificação da Geração Z (imagem: reprodução).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

GERAÇÃO Z

O que acham que é: A geração surgida a partir do filme infantil FormiguinhaZ.

O que realmente é: Os nascidos entre 1994 e 2009. Esta definição segue a mesma linha do tempo utilizada nos Verbetes Geração X e Geração Y, e adotada pela maioria dos especialistas.

Chamados também de Post-Millennials, Gen Wii e iGeneration, a Geração Z compreende quem tem entre 7 e 22 anos hoje e tem, em comum, a ultraconexão tecnológica. Um report da agência de publicidade e tendências Sparks & Honey diz que a Geração Z é um tsunami e os chama de “primeira tribo de nativos digitais”. Fala também que 60% dos Z querem causar algum impacto no mundo (em contraponto a 39% de Millennials). A paquistanesa e ativista Malala Yousafzai, de 19 anos, é a personificação da Geração Z, de acordo com o Telegraph. Malala sobreviveu a um atentado a bala por membros do Taliban e se tornou a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz.

Segundo Luiz Arruda, consultor sênior da WGSN Mindset, os Z negam muitos dos conceitos e crenças das gerações anteriores: são mais conscientes e seletivos com marcas, mais “naturebas” e preferem se autorrealizar a ter altos salários. “Eles acreditam que podem mudar o mundo, e trabalham para isso. São chamados de “clicktivists”, pois entendem o poder da tecnologia e da coletividade voltadas para causas sociais e ambientais”, diz. Outros aspectos da geração Z é ser ainda mais tolerante que os Millennials e acreditar que a pluralidade de culturas e opiniões é fundamental para a sociedade. “Para eles, o estranho é ser igual.”

Gustavo Pessoa, psicólogo, mestre em Psicologia do Desenvolvimento pela USP e cofundador da Talent Matching, diz que os Z desconhecem barreiras físicas e tensões existentes até a década de 80 e que só começaram a reaparecer a partir do ano 2000. “Por isso, vivem tranquilamente em ambientes mais fluidos, se dão melhor com incertezas e indefinições e, muito comumente, desprezam rótulos”, diz.

Os jovens da Geração Z, ainda: exploram o lazer, a carreira, as relações e a sexualidade de forma menos rígida; são mais nômades, menos vinculados a uma instituição, país ou círculo social. Ao lado disso, e de acordo com Arruda, os Z têm a rapidez como característica marcante. “São multitarefa, são conhecidos por ter um ‘filtro de oito segundos’ (ou seja, levam apenas esse tempo para se interessar por algo) e ser muito ágeis na hora de absorver e selecionar informações relevantes.”

Quem inventou: Um concurso online do jornal USA Today propunha nomes para a geração que sucederia os Millennials. Ali, surgiu o termo Geração Z, que ganhou força ao longo dos anos seguintes, principalmente depois de uma apresentação desenvolvida e difundida pela Sparks&Honey.

Quando foi inventado: O concurso do USA Today foi feito em 2012 e o report da Sparks&Honey em 2014.

Para que serve: Classificar gerações tem diversos fins. “Para entender os funcionários e administrá-los, para entender os consumidores e assegurar mais vendas”, diz Pessoa. Para Arruda, classificar e definir gerações é uma parte importante do cotidiano da rede que envolve marketing, agências de propaganda e consultorias de negócio e tendências. “Elas balizam uma série de escolhas estratégicas e criativas e são relevantes para a definição mais acurada dos públicos-alvo, além da adequação das estratégias de mercado, produto e comunicação”, diz. Uma vez conhecidas as principais características, desejos e demandas de cada target, fica mais fácil traçar um “caminho” assertivo e relevante até eles.

Quem usa: Profissionais de marketing, agências de propaganda, consultorias de negócio e tendências. Governos também, nas áreas educacionais e de saúde, por aplicarem estratégias de acordo com a faixa etária do público atendido.

Pessoa diz que o mercado digital se beneficiará imensamente das características mais flexíveis da Geração Z. “Os dados são importantes para empresas medirem a atratividade de seus produtos e como marca empregadora e também olhando para tendências e o futuro da empresa. Os Z são os líderes do futuro.”

Efeitos colaterais: São desatenciosos e desinteressados; valorizam mais imagens do que texto; não leem livros; não praticam esportes; não são muito pacientes; são teimosos e estão sempre com pressa. Arruda conta que muitos estudiosos apontam que essa é a geração que está crescendo mais rápido. “Como resultado, vivem a ‘compressão da idade’, com a puberdade surgindo mais cedo em suas vidas, trazendo preocupações e problemas antes vistos nos mais velhos, como distúrbios alimentares e preocupação excessiva com o corpo.”

Para Pessoa, as capacidades de multitarefa e adaptação em relação às gerações anteriores faz com que a Z tenha características potencialmente negativas como a falta de profundidade e falta de criação de vínculos duradouros. “A Geração Z demorará mais a ver valor na continuidade e na adoção de padrões únicos porque é naturalmente diversa e abraça essa diversidade.”

Quem é contra: Pessoa diz que muitos X são ou serão pais de Z, e a radicalização da diversidade pode trazer incômodo: a Z é a geração da experimentação, deixando rótulos, lealdades e afiliações de lado. “Pode ser assustador conviver com pessoas que não são facilmente classificáveis e que confrontarão o status quo e buscarão a mudança de forma tranquilo, sem absorvê-la como um trauma ou dificuldade.”

Para saber mais:
1) No site do Nexo, assista ao vídeo A Pirâmide Etária no Brasil ao Longo das Gerações. É bem bacana sobrepor a classificação de gerações que estamos listando à realidade brasileira.
2) Navegue no slideshare Meet Generation Z – Forget Everything You Learned About Millennials, da Sparks and Honey. São 57 telas que esmiuçam essa geração com uma grande quantidade de informação.
3) Assista a três TEDx sobre o tema: A manifest from Generation Z, de Elise By Olsen, What do we know about the generation after millennials?, de Jason Dorsey e Intro – Generation Z, de Elise Hietbrink.
4) Leia, no Co.Exist, What Is Generation Z, And What Does It Want?, texto em que o consultor de inovação Jeremy Finch diz que os Z têm “o peso de salvar o mundo e consertar os erros passados em seus pequenos ombros.
5) Leia, no New York Times, Move Over, Millennials, Here Comes Generation Z. Leitura crítica, o texto explica a Geração Z tanto em comparação com a Y como com dados e pesquisas a seu respeito.

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