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Verbete Draft: o que é Idea-Driven Organization

- 3 de fevereiro de 2016
A japonesa Toyota é um caso clássico de Idea-Driven Organization: os funcionários são permanentemente convidados a melhorar o processo industrial.

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

IDEA-DRIVEN ORGANIZATION

O que acham que é: Uma organização guiada por ideias — dos chefes.

O que realmente é: Idea-Driven Organization, ou Organização Guiada por Ideias, são organizações que acreditam que existe valor nas ideias dos funcionários, que podem ser chamados de pessoal da linha de frente ou empregados de chão de fábrica. Esse tipo de organização não é apenas aberto às ideias dos seus funcionários como, especialmente, as valoriza. Segundo Antônio Carlos Teixeira Álvares, membro fundador do Fórum de Inovação da FGV e professor do departamento de Administração da Produção e de Operações (POI) da FGV-EAESP, a Idea-Driven Organization tem um sistema de alto desempenho para captação de ideias e obtém ao menos 12 ideias por funcionário por ano, o que dá um média de uma por mês. “A inovação é proveniente de todas as pessoas e lugares da organização, criando o que chamamos na academia de Meio Inovador Interno”, fala. Também professor do departamento de Administração da Produção e de Operações da FGV-EAESP, José Carlos Barbieri diz o projeto e implantação da Idea-Driven Organization é feito de modo sistemático para que gere um grande número de ideias que, por sua vez, são geralmente pequenas. “Essas ideias são geradas, especialmente, pelos funcionários que atuam na linha de frente. Para isso, criam-se condições e meios para estimulá-los continuamente e para que o que concebem seja, de fato implementado”, fala.

Quem inventou: De acordo com Barbieri, não se pode dizer que alguém inventou a Idea-Driven Organization e, sim, que foi uma evolução no meio empresarial cujo marco decisivo foi o Movimento da Qualidade (movimento do início do século XX organizado por gerentes de operações de empresas para melhorar suas bases, o sucesso de seu negócio e a satisfação de seus clientes) com seu conceito de qualidade total. Já o termo Idea-Driven Organization foi cunhado por Alan G. Robinson e Dean M. Schroeder ao lançarem um livro praticamente com mesmo nome (a diferença é vem após o artigo “The”). “Os autores, professores de universidades norte-americanas, explicitaram o conceito e deram indicações sobre como se tornar uma organização nesses moldes”, diz Barbieri. No Brasil, o livro foi publicado com o título de Organização Guiada por Ideias.

Quando foi inventado: O embrião da Idea-Driven Organization está nos programas ou sistemas de sugestão das empresas que evoluíram a partir da “caixa de sugestão”, que tem origem no início do século XX (há indícios de que essas caixas já eram usadas no século XIX). O professor Teixeira diz que, entretanto, com raríssimas exceções, não eram sistemas de alto desempenho e que uma das empresas pioneiras na criação de sistemas de captação de ideias de alto desempenho foi japonesa Toyota, em 1951. “Ela criou um programa denominado ‘Ideia Criativa Toyota’. Segundo a literatura, esse sistema nasceu antes do reconhecido do Sistema Toyota de Produção (STP) e teria sido a principal razão para seu sucesso ao permitir uma rápida adaptação no chão de fábrica”, diz. Já o livro Idea-Driven Organization foi publicado em 2014.

Para que serve: O maior benefício é que a empresa se torna eficiente e inovadora já que as ideias provenientes de funcionários aumentam em muito a produtividade da empresa, além de melhorar o clima interno. “A ideias registradas normalmente referem-se a pequenas conhecimentos tácitos, que, ao serem registrados, se transformam em conhecimentos explícitos”, fala Teixeira. Há, também, segundo Barbieri, o fato de que as ideias levem a uma maior eficiência operacional que, por sua vez, possibilita uma vantagem da empresa em relação à concorrência. Outro fator, ainda segundo professor, é que o ambiente interno da empresa torna-se propício à realização de inovações de quaisquer tipos: “Entre as muitas ideias geradas provavelmente algumas irão desencadear processos de inovação radical”.

Quem usa: A maioria das empresas reconhecidas como inovadoras tem algum meio para estimular, captar e implementar ideias de seus funcionários. “Ser uma organização dirigida por tais ideias faz parte de um estágio mais avançado rumo à maturidade organizacional que se caracteriza pela valorização das pessoas”, diz Barbieri. O exemplo mais conhecido mundialmente é a já citada Toyota, que espalhou a prática pelo mundo. “No Brasil, o exemplo mais notório é a Brasilata (empresa brasileira fabricante de embalagens de aço), que gera cerca de 150 ideias por trabalhador, por ano, com cerca de 90% de aproveitamento”, fala o professor.

Efeitos colaterais: “As chefias, especialmente as médias, podem imaginar que irão perder prestígio com a liberdade dada aos subordinados para propor mudanças, ainda que pequenas”, diz Teixeira. Barbieri fala que, a rigor, não há efeitos colaterais negativos. “Muita das ameaças que as organizações enfrentam vêm de fora do seu setor por meio de inovações radicais que tornam seus produtos obsoletos ou menos competitivos. Por isso, o sucesso na geração e implantação de quantidades significativas de ideias dos funcionários não deve inibir o esforço para buscar outras fontes de inovação com vista a diversificar seu portfolio de produtos”, fala.

Quem é contra: A organização para se tornar guiada por ideias depende do compromisso intenso do CEO para poder convencer os outros níveis gerenciais da mudança que, conforme exposto na questão anterior, normalmente geram resistências. O problema é que os CEOS são normalmente pessoas excepcionais, muito bem preparadas e acabam, por causa disso, achando que há pouco valor nas ideias do pessoal de linha de frente. Esse é um grave engano porque o CEO não consegue visualizar aquilo que acontece no chão de fábrica. Tem muitos CEOs que até são favoráveis a um sistema de captação de ideias do pessoal da linha de frente, porque acreditam que ele poderá melhorar o clima interno sem contra indicações, mas não acreditam em grande resultado. A literatura, porém, mostra que as 80% melhorias operacionais nas empresas guiadas por ideias são originárias do pessoal da base e apenas 20% da alta administração.

Para saber mais:
1) Assista a este webinar (de cerca de uma hora) sobre o livro The Idea-Driven Organization, com os autores. Para uma versão mais curta, assista o vídeo The Lean Nation, aqui apenas com Alan Robinson, que é entrevistado sobre a publicação.
2) Navegue no blog do The Idea-Driven Organization, que possui uma série de artigos, sobre os mais variados assuntos que ratificam o conceito.
3) Leia, na Harvard Business Review, a resenha do livro de Alan G. Robinson e Dean M. Schroeder.

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