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Verbete Draft: o que é P2P

- 23 de dezembro de 2015
O P2P, ou peer-to-peer, permite que computadores compartilhem dados entre si sem depender de um servidor central. Isso abre inúmeras possibilidades de negócio (imagem: reprodução Business Funding Show).
O P2P, ou peer-to-peer, permite que computadores compartilhem dados entre si sem depender de um servidor central. Isso abre inúmeras possibilidades de negócio (imagem: reprodução Business Funding Show).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

P2P

O que acham que é: O nome de um androide da saga Star Wars.

O que realmente é: P2P, sigla para Peer-to-Peer (par-a-par, na tradução literal ou ponto-a-ponto, em uma tradução livre também utilizada), é um termo utilizado em redes de computadores para definir uma arquitetura distribuída onde cada equipamento atua como servidor, sem privilégio para nenhum equipamento. “Desta forma, os periféricos, arquivos e a capacidade de processamento de um computador são compartilhados com os outros na mesma rede, sem a necessidade de um controle ou servidor central”, diz Celso Henrique Poderoso, coordenador dos cursos de MBA de Arquitetura de Redes e Cloud Computing, Big Data, Data Science e Business Intelligence da FIAP.

No P2P, os computadores que consomem as informações em formatos de arquivos são chamados de leecher e os que fornecem, seeder. Mas um mesmo computador pode ser leecher e seeder ao mesmo tempo. Fica mais fácil entender pensando no eMule, um dos programas de P2P mais conhecidos no mundo: após instalado, o usuário define um diretório dentro do seu computador, onde os arquivos serão descarregados e, consequentemente, poderão ser consumidos por outros computadores. Esses arquivos serão transmitidos por partes — por exemplo, se um usuário precisa de um determinado arquivo e dez pessoas que estão na rede o possuem, ele pega partes desse arquivo em cada um dos dez computadores, o que acarreta em um download mais rápido e não sobrecarrega a transmissão dos dados nos computadores que disponibilizam o arquivo.

Paulo David, da co-fundador e co-CEO da Biva, empresa faz uma derivação da tecnologia P2P para o mercado financeiro, conhecida como peer-to-peer lending (em breve faremos um Verbete Draft também sobre isso), diz que P2P nada mais é do que um processo de desintermediação, onde os próprios usuários e clientes imputam e consomem informação, recursos ou processos: “O P2P é um fenômeno que já influenciou inúmeras indústrias e milhões de pessoas já o utilizaram, de uma forma ou de outra, seja para ouvir música, para comprar e vender produtos, ou mesmo para solicitar um motorista particular”.

Em meados do ano passado, o Mashable publicou um artigo intitulado Next Generation P2P: Measuring Growth in the Peer-to-Peer Industry, que diz que, à medida em que a internet se expande, a habilidade e a forma de conexão têm impulsionado a indústria de P2P, que não se restringe mais a serviços (como compartilhamento de músicas, por exemplo) ocupando espaços no comércio/negócios — a “nova geração”. Três exemplos de P2P nos negócios são o Zopa, um P2P lending inglês, o Airbnb, que dispensa apresentações, e o Happy Desk, uma plataforma que permite que usuários listem espaços (escritórios, barcos, sofá de casa) que queiram alugar.

O artigo They’re All P2P Employment Agencies, de Tom Jacobs, publicado em junho deste ano no TechCrunch vai além: fala da diferença entre startups que fornecem um serviço para vários usuários e as que crescem rapidamente para mudar como uma parte do mundo funciona — a diferença: humanos ajudando humanos. O texto termina com um frase curiosa em tempos de Star Wars: “There’s not much more of a stronger force than people wanting to improve their own condition, and nothing fuels startup growth more than aligning with the inherent natural daily forces and wants of people (…)”.

Quem inventou: Ainda sem o nome de P2P, o conceito surgiu no final da década de 1970 com dois projetos criados para fins acadêmicos: o UseNet (do inglês Unix User Network), meio de comunicação em que usuários postam mensagens de texto em fóruns agrupados por assunto, e o FidoNet, rede de troca de mensagens considerada a percursora do email. A Usenet foi fundada pelos americanos Tom Truscott e Jim Ellis em 1979/80. A FidoNet, em 1984 pelo americano Tom Jennings.

Quando foi inventado: Segundo Humberto Delgado de Souza, coordenador dos cursos superiores de tecnologia em Redes de Computadores e Sistemas para Internet da FIAP, o termo nasceu em 1984, através de um projeto da IBM denominado “Advanced Peer-to-Peer Networking Architecture”. “Mas o conceito P2P teve o seu auge na década de 90 por meio do Napster”, diz. Criado pelos americanos Shawn Fanning e Sean Parker em 1999, o Napster tornava possível compartilhar principalmente arquivos de música no formato MP3, algo que demandava paciência na época. O site começou a ficar famoso nos anos 2000 e teve seu auge em janeiro de 2001 (um pico de 8 milhões de usuários conectados trocando diariamente um volume estimado de 20 milhões de músicas). Dois meses depois, foi fechado, acusado de promover a pirataria e possibilitar a troca de arquivos de áudio protegidos por direito autoral. Foi o primeiro grande episódio de embate jurídico entre a indústria fonográfica e as redes de compartilhamento de música na internet.

Para que serve: Para compartilhamento de arquivos com vantagem da rápida velocidade na transmissão. Embora seja usado para disseminar pirataria, também ajuda na distribuição de software e música livre e gratuita. “Em relação a outros tipos de rede que permitem compartilhamento, o benefício do P2P é não ter um controle centralizado, possibilitando que qualquer computador da rede realize atividades para outros computadores quando estiverem ociosos”, diz Poderoso, da FIAP.

Quem usa: Qualquer usuário da internet, basta instalar um programa. “O uso mais comum, infelizmente, é para o mal, pois é mais utilizado para proliferação da pirataria de filmes, músicas e livros. Mas é também utilizado para compartilhamento de informações no meio científico e acadêmico”, diz Souza. De acordo com Poderoso, diversas empresas de TI estão investindo pesadamente para aumentar a participação do P2P no mercado. “Dessa forma é possível reduzir o investimento em servidores centralizados (os servidores de menor porte são mais baratos e ficam um bom tempo ociosos) e, consequentemente, aumentar o potencial de processamento e armazenamento de dados”, diz. Quem já usou programas como o já citados Napster e Emule e também Kazaa, Ares, Kademlia, Torrent, Gnutela, Kad Network e SoulSeek já baixou arquivos em P2P.

Efeitos colaterais: Souza acredita que os efeitos colaterais estão voltados principalmente para a distribuição ilegal de conteúdo: “Pirataria, arquivos contaminados com vírus ou material pornográfico. Com a disseminação descentralizada, é praticamente impossível interromper a proliferação de um arquivo, pois o compartilhamento é viral”. Para Poderoso, a grande desvantagem do P2P é a perda de informação se um dos servidores estiver permanente ou temporariamente fora do ar. “Isso acontece se não há um bom controle de replicação de dados, ou seja, se os dados não forem colocados em mais de um servidor”, afirma.

Quem é contra: Humberto Delgado de Souza, da FIAP, diz que existem empresas, instituições e pessoas físicas que são contra este tipo de distribuição de arquivos por infligirem os direitos autorais. “São contra também pela possibilidade de causar danos morais e, principalmente, por insegurança em relação à transmissão de vírus em arquivos contaminados”, diz. No Brasil, em 2009, Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos (Apdif) representante das gigantes EMI, Som Livre, Sony Music, Universal Music e Warner Music, conseguiu que a justiça proibisse uma empresa de disponibilizar um software P2P (o K-Lite Nitro) por entender que o software feria direitos autorais de músicas e outros conteúdos protegidos na web.

Para saber mais:
1) Assista ao trailer de Downloaded, filme que conta a história da criação do Napster (ou baixe o filme de arquivos, legais, P2P)
2) Leia, no TechCrunch, como o Spotify abriu mão do P2P, ano passado, mesmo tendo utilizado a tecnologia como uma forte vantagem no começo de sua operação.
3) Leia, no TecMundo,história do Kazaa, que surgiu logo depois do Napster, também teve problemas com a justiça mas, em vez de fechar, converteu-se um serviço legalizado e pago.
4) Leia, na Vice, a história da RIAA, (sigla em inglês para Associação da Indústria Fonográfica da América) com a tecnologia digital e seus processos judiciais históricos.

Tecnisa

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