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Verbete Draft: o que é PechaKucha

- 20 de julho de 2016
Muito melhor que Pokemon. Conheça o PechaKucha, um formato rápido e eficiente de apresentar ideias, criado no Japão.
Muito melhor que Pokemon. Conheça o PechaKucha, um formato rápido e eficiente de apresentar ideias, criado no Japão.

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

PECHAKUCHA

O que acham que é: O concorrente do sabor wasabi do chocolate Kit Kat.

O que realmente é: PechaKucha 20×20 é um formato de apresentação de ideias, projetos, coleções de slides, etc., feita por profissionais, amadores, estudantes, crianças (ou seja, quem quiser), com a seguinte regra: mostrar 20 imagens, em 20 segundos cada, tempo usado para discorrer sobre elas. Como as imagens são substituídas automaticamente (em ordem previamente organizadas) não há possibilidade de voltar ou redistribuir o tempo. Até porque uma PechaKucha é feita em exatos seis minutos e 40 segundos. Depois disso, próximo! Mateus Bagatini, Communications Manager da Questto|Nó e organizador da PechaKucha em São Paulo, diz que o formato é divertido, interessante e vai direto ao ponto. “Por isso, o engajamento é alto. A PK já acontece em 900 cidades pelo mundo, em qualquer tipo de organização.”

PechaKucha é uma palavra japonesa ( ペチャクチャ) que significa bate papo. Bagatini conta que “pecha” tem a ver com movimento rápido e “kucha” deriva de “kuchi” que, em japonês, é boca: “Ou seja, seria o movimento rápido dos lábios, como em uma chit-chat, um bate papo”.

A PechaKucha foi criada no Japão por dois arquitetos. Eles perceberam que quase não havia espaços públicos para compartilhar, por exemplo, um trabalho de conclusão de curso de um estudante de graduação. Há quem utilize o formato dentro de reuniões internas em empresas ou apresentações escolares — nestes casos, o uso é livre. Já quando a PechaKucha acontece em um ambiente aberto ao público ou vá ser divulgada, a organização pede que, se possível, seja feita uma doação de 200 dólares.

Dois outros formatos de apresentar ideias são fáceis de associar ao PechaKucha: TED e Pitch (de elevador). Em relação ao primeiro eles se dizem lisonjeados com a comparação mas falam que “TED é de cima para baixo, PK é de baixo para cima”. Em relação ao Pitch, dizem que o PK é um pouco mais longo, mas que a ideia é a mesma, de apresentações curtas e concisas.

Quem inventou: Astrid Klein, italiana, e Mark Dythan, inglês. Arquitetos, eles se conheceram durante o mestrado no Royal College of Art, em Londres, se mudaram para Tóquio e abriram, em 1991 o escritório de arquitetura Klein Dytham architecture (KDa). No site da PK, os criadores contam que criaram o evento “porque arquitetos falam demais. Dê um microfone e algumas imagens a um arquiteto — ou a qualquer pessoa criativa — e eles não pararão mais de falar. Dê um PowerPoint para qualquer outra pessoa e acontecerá o mesmo problema”.

Quando foi inventado: Em fevereiro de 2003. Johnny Linnert, Operations Director da Pecha-Kucha global, conta que Klein e Dythan fizeram uma PechaKuchaNight em um bar no bairro de Roppongi, chamado SuperDeluxe. “Era para ser um evento único, apenas aquela noite. Mas os pedidos para que repetissem não pararam e, quando se deram conta, três anos depois, já tinham feito 30 eventos no SuperDeluxe e começaram a pensar em expandir para o mundo.”

Para que serve: Serve para, como já dito acima, permitir que qualquer pessoa tenha oportunidade de mostrar algo que tenha criado, em público, de forma leve e divertida. Bagatini diz que o formato ajuda o poder de síntese e no exercício do story telling. “Sintetizar seu conteúdo dentro de espaço e tempo determinados ajuda seu cérebro a criar ideias com um fluxo mais interessante”, fala.

Segundo Linnert, os criadores e organizadores da PK perceberam, ao longo de alguns anos que os participantes são movidos pelo volume e pela qualidade de criativos em sua comunidade local. “As PechaKucha Nights trazem criativos de todos os tipos o que significa uma quantidade considerável de valor que é cultivada pela junção dessas pessoas.”

Quem usa: Qualquer pessoa interessada (física ou jurídica). “Os eventos do PechaKucha 20×20 são bastante grandes e populares em escolas, órgãos públicos locais, pequenos negócios, universidades, conferências, corporações ou qualquer lugar que você possa pensar”, diz o site. No Brasil, já rolaram eventos e há organizadores em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador e Brasília.

Efeitos colaterais: O fim das palestras modorrentas? Os entrevistados dizem não haver efeitos negativos no PK.

Quem é contra: Bagatini diz não acreditar haver quem seja contra. “Algumas pessoas podem pensar que o formato, por ser mais divertido, fica longe do profissionalismo, o que não é verdade. Até mesmo porque o ‘mundo do Vale do Silício’ usa formatos parecidos, como Pitch, Lightning Talks e Ignite.”

Para saber mais:
1) Leia, no Guardian, Employers are using creative perks to boost employee packages, sobre práticas inovadoras das empresas — dentre elas a PechaKucha —  para atrair e manter profissionais talentosos.
2) Assista, no YouTube, à A PechaKucha about PechKucha. O vídeo, segundo o autor, pode ser chamado de “meta PechaKucha” e tem, claro, pouco mais de seis minutos.
3) Leia, na Forbes, o texto This Unusual Japanese Technique Will Radically Improve Your Presentations que explica a plataforma e a técnica de falar pouco deixa apresentações bem mais valiosas.

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