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Verbete Draft: o que é Sociedade 5.0

- 11 de setembro de 2019
Na Sociedade 5.0, a tecnologia deve melhorar a qualidade de vida. Drones, por exemplo, podem ajudar a logística da entrega de mercadorias (inclusive em locais ermos e montanhosos).
Na Sociedade 5.0, a tecnologia deve melhorar a qualidade de vida. Drones, por exemplo, podem ajudar a logística da entrega de mercadorias (inclusive em locais ermos e montanhosos).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

SOCIEDADE 5.0

O que acham que é: Uma sociedade controlada por robôs.

O que realmente é: É a sociedade centrada na essência humana, que equilibra o avanço econômico com a resolução de problemas sociais por um sistema de alta integração entre os espaços cibernético e físico. Seria, cronologicamente, o próximo passo evolucional após as sociedades da caça (1.0), agrícola (2.0), industrial (3.0) e da informação (4.0).

A explicação acima é uma adaptação (em tradução livre) de uma definição do conceito proposta pelo site do Cabinet Office, agência chefiada pelo primeiro ministro do Japão, país que elaborou e está implementado a proposta.

Para Priscilla Silva, pesquisadora em Direito e Novas Tecnologias do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS), a Sociedade 5.0 pretende revolucionar a sociedade a partir da humanidade tirando o foco das etapas de produção e industrialização, concepção de “evolução” até então.

“Em função das evoluções tecnológicas e da hiperconectividade, a humanidade deverá se adaptar ao novo contexto social. Para que não se perca a subjetividade, a ideia da sociedade 5.0 é instaurar um contexto de melhora de qualidade de vida, em que a tecnologia seja utilizada a serviço da população e não o contrário.”

Em termos mais pragmáticos, a Sociedade 5.0 é uma smart society (no mesmo sentido de smart cities) que, para resolver problemas sociais cada vez mais preocupantes (como o envelhecimento da população, por exemplo) usa tecnologias como Inteligência Artificial, Internet das Coisas (e derivativos como Internet dos Serviços e AIoT), assim como os cada vez mais potentes e refinados carros autônomos, robôs, drones etc.

No site oficial do governo do Japão, um link leva para uma página com gráficos, textos e até um vídeo, o Special WEB movie (veja no item “Para saber mais”) em que atores encenam o uso dessas tecnologias no dia a dia.

Criação: O conceito de Sociedade 5.0 apareceu pela primeira vez em 2016, no chamado “Quinto Plano Básico de Ciência e Tecnologia”, estratégia nacional de cinco anos formulada pelo Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação (CSTI) do governo do Japão.

Em fevereiro deste ano, o site da UNESCO publicou um texto (link no item “Para saber mais”) em que o acadêmico japonês  Yasushi Sato, da Universidade de Niigata, explica o histórico da Sociedade 5.0 e por que tanto governos quanto líderes empresariais têm altas expectativas em relação à sua aplicação.

A Sociedade 5.0 está em evidência no mundo todo e foi discutida em junho último no G20 Summit, fórum composto por 19 países e a União Europeia. Foi a primeira vez que o Japão sediou o evento, que aconteceu na cidade de Osaka.

O tema também esteve presente no Fórum Econômico Mundial deste ano. No site há um artigo, que fez parte do encontro, escrito por Hiroaki Nakanishi, atual chairman da Hitachi. Sob o título Modern society has reached its limits. Society 5.0 will liberate us (link no item “Para saber mais”), ele contextualiza e defende o modelo.

Para que serve: Alguns exemplos, segundo dados oficiais do governo do Japão, são o uso de drones para melhorar a logística da entrega de mercadorias (inclusive em locais ermos e montanhosos), o levantamento de propriedades e apoio em casos de desastres em todo o mundo; telemedicina, que permite consultas médicas remotas para pessoas com problemas de mobilidade; robôs cuidadores para idosos; e ônibus autônomos monitorados por aplicativos no celular.

Silva, do ITS, diz que cada vez mais objetos do dia a dia estarão conectados à internet, oferecendo serviços e tornando a vida mais prática. “Acompanhando a IoT, o conceito de cidades inteligentes está cada vez mais presente, a partir de um serviço público conectado, como redes hidráulicas controladas por centrais remotas, transporte público integrado, sistemas elétricos autônomos e informações de big data, entre outros.”

Investimento: A Sociedade 5.0 faz parte da agenda política e econômica do governo japonês.  No texto da UNESCO, Sato fala que o orçamento para ciência e tecnologia do país ficou estagnado em cerca de US$ 33 bilhões entre os anos 2002 e 2017 e saltou para US$ 35 bilhões, em 2018, e US$ 38 bilhões em 2019. Para este ano, a previsão do governo é de investir US$ 87 bilhões em robótica e US$ 6 bilhões em IoT.

Embora os Estados Unidos também invistam forte em tecnologia e inovação — em setembro do ano passado, seu Departamento de Defesa anunciou um compromisso US$ 2 bilhões em cinco anos para novos programas que promovam a Inteligência Artificial — o TechCrunch diz que o país está atrasado. “Não colocamos foco suficiente no que a IA pode fazer, não apenas para a indústria, mas para levar a sociedade adiante e resolver muitos dos nossos problemas mais comuns”, diz o autor do texto. Para ele, a questão está na falta de uma parceria completa entre o governo dos Estados Unidos e o setor privado.

Mundo afora: Silva diz que no norte global, onde as aplicações de inteligência artificial tendem a ser mais evoluídas, há mais países desenvolvendo um plano estratégico nacional de inteligência artificial atrelado a standards e princípios éticos. “Já nos países onde as aplicações de inteligência artificial ainda está incipiente, o pensamento ético e regulatório tampouco está sendo desenvolvido.”

Ainda assim, segundo a pesquisadora, há casos isolados, até mesmo no Brasil. Ela cita Águas de São Pedro, cidade do interior do estado de São Paulo, considerada uma smart city. “Lá houve um maior investimento tecnológico pelo setor privado.”

Efeitos colaterais: Coleta e uso de dados dos cidadãos para outros fins não éticos. De acordo com Silva, para que haja um equilíbrio de atendimento das necessidades humanas sem que se ultrapasse a privacidade e a ética, as empresas deverão se adaptar. “Mas isso requer maior capital de investimento, maior capacitação e adaptabilidade, aumentando o ambiente concorrencial.”

Para saber mais:
1) Assista, no site oficial do governo do Japão (e leia tudo sobre o modelo de Sociedade 5.0), ao Special WEB movie.
2) Leia, no site da UNESCO, Japan pushing ahead with Society 5.0 to overcome chronic social challenges.
3) Leia, no site do Fórum Econômico Mundial, o texto Modern society has reached its limits. Society 5.0 will liberate us.
4) Leia, no TechCrunch, Japan’s ‘Society 5.0’ initiative is a road map for today’s entrepreneurs.

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