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Verbete Draft: o que é Teoria da Mudança

- 3 de maio de 2017
Teoria da Mudança é uma metodologia que torna visível o caminho necessário, desde o curto e médio prazo, para se alcançar uma mudança real no longo prazo.
Teoria da Mudança é uma metodologia que torna visível o caminho necessário, desde o curto e médio prazo, para se alcançar uma mudança real no longo prazo (imagem: reprodução Emily Shepard para Idex).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

TEORIA DA MUDANÇA

O que acham que é: Uma nova perspectiva sobre a Teoria da Evolução.

O que realmente é: Teoria da Mudança (ou Teorias de Mudança) é uma metodologia de planejamento que, a partir a realização de um mapa, traduz, organiza ou estrutura mudanças pretendidas por uma iniciativa social. Segundo Fernanda Bombardi, gerente executiva do ICE (Inovação em Cidadania Empresarial), a Teoria da Mudança é o que define a direção tomada por uma organização e uma potente ferramenta de comunicação com seus stakeholders. “É por isso que precisa ser construída de forma colaborativa de forma a refletir os desejos de todos os públicos envolvidos na intervenção.”

De acordo com Rogério Silva, sócio fundador e diretor de pesquisa da Move, agência de avaliação estratégia e desenvolvimento social, o papel da Teoria da Mudança é articular os resultados em uma espécie de cadeia causal. “Isso se faz demonstrando que os resultados de longo prazo serão produzidos desde que os resultados de médio e curto prazo também sejam alcançados, e que certas condições sejam favoráveis”, afirma. Ele diz ainda que uma boa Teoria da Mudança costuma aprofundar as discussões, evitar os discursos vazios e panfletários e mostrar que o caminho para a transformação é possível. “Mas é difícil, requer condições favoráveis e exige tempo.”

Silva exemplifica: “Imaginemos que uma iniciativa que promete um rio limpo e utilizado para a pesca e o lazer dentro de 10 anos só será alcançado desde que novos padrões de tratamento de água e esgoto sejam implementados, que não haja mais dejetos clandestinos despejados no rio, que a fauna e a flora sejam reconstituídas, que haja campanhas educativas para empresários e cidadãos e assim sucessivamente.”

Quem inventou: Silva diz que a Teoria da Mudança é originária de debates promovidos pelo Aspen Institute, que deram origem ao chamado Roundtable on Community Change, do qual fazia parte Carol Weiss, uma das mais importantes formuladoras do conceito. “Surgiu, inicialmente, na esteira de um importante campo teórico que chamamos de Program Theory. Segundo Weiss, as Teorias de Mudança representam uma abordagem que tenta responder a três perguntas fundamentais: Por que é tão difícil compreender os pressupostos sobre os quais as mudanças sociais estão apoiadas?; Porque as fases que antecedem os resultados finais e que mostram como uma política ou programa se desdobra nas comunidades são tão pouco evidentes e explicitadas? e Por que os stakeholders tipicamente desconhecem o caminho e os desdobramentos dos programas com os quais se relacionam?”

Quando foi inventado: O Roundtable on Community Change começou nos anos 1990 mas Carol Weiss (1895 – 1952) já trabalhava no conceito desde a década de 1980.

Para que serve: Para Bombardi, a Teoria da Mudança é um direcionador que permite que organizações (da sociedade civil, negócios de impacto social etc.) voltem a seus objetivos iniciais, analisem se o impacto socioambiental esperado está sendo alcançado e corrijam rotas, quando necessário. “A Teoria da Mudança serve como uma ferramenta de gestão e deve ser acompanhada de outras metodologias como de monitoramento e avaliação de resultados.”

Silva diz que em uma iniciativa na área educacional, por exemplo, pode-se relacionar ingresso ao ensino superior a uma boa estratégia de letramento das crianças nos primeiros anos do ensino fundamental e, assim, sucessivamente, em direção à formação completa. “Quaisquer Teorias de Mudança querem construir uma cadeia de resultados e demonstrar e comprometer stakeholders. Dito de outra maneira, as Teorias de Mudança devem ser portadoras de uma mensagem de transformação, comunicar um compromisso e dar a ele contornos tangíveis, a fim de que as iniciativas mostrem etapas intermediárias fundamentais para o alcance de resultados de longo prazo ou mais complexos.”

Quem usa: Segundo Silva, prioritariamente, três tipos de organizações. As da sociedade civil (institutos, fundações e agências de cooperação), para expressar as transformações que apoiam e evidenciar as estratégias que utilizam. As agências governamentais, sobretudo nos campos da saúde, assistência social e desenvolvimento agrário, com o propósito de construir de forma colaborativa e de comunicar suas linhas ou programas. “E, por fim, negócios de impacto social, com vistas a demonstrar seus efeitos no público-alvo e angariar apoios, sobretudo financeiros, para seu desenvolvimento ou aceleração”, conta.

Efeitos colaterais: A Teorias de Mudança podem ter falhas na sua cadeia de resultados, prometendo resultados de longo alcance que não podem ser sustentados pelos de médio alcance e assim sucessivamente. Isso acontece quando não envolve os stakeholders e, assim, se torna a imposição de uma imagem, sem vínculos políticos e lastro com as pessoas. Ela também corre o risco de ser ser tecnicamente frágil quando se sustenta em pressupostos técnicos, políticos ou financeiros igualmente frágeis, descolados da realidade social.

Quem é contra: “Desconheço quem se posicione desta forma, mas sei que há atores que demandam que as Teorias de Mudança seja feita com cuidado, com discussões profundas, evitando simplificações etc”, diz Silva.

Para saber mais:
1) Leia, no Social Good Brasil, 6 passos para uma Teoria de Mudança e mais impacto social em seu projeto. Bem atual, o texto ensina a metodologia passo-a-passo.
2) Assista ao vídeo Theory of Change Explained. Em cinco minutos, Jan Brouwers, do Centre for Development Innovation, Wageningen UR, fala sobre o que a metodologia é capaz de fazer na prática, embora seja chamada de “teoria”.
3) Assista também DIY toolkit: Theory Of Change, da Nesta UK. O formato do vídeo é usual na internet: a explicação do tema é feita com desenhos a mão enquanto são narrados por um locutor. É curto.

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