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Verbete Draft: o que é Transumanismo

- 28 de março de 2018
O implante de microchips já é uma das possibilidades de Transumanismo testada, inclusive, em funcionários de uma empresa americana (Imagem: Youtube/Reprodução).
Implantar microchips em seres humanos é uma das possibilidades de Transumanismo. A imagem acima é de um teste real, feito com funcionários de uma empresa nos Estados Unidos (Imagem: Youtube/Reprodução).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

TRANSUMANISMO

O que acham que é: O mesmo que Pós-Humanismo.

O que realmente é: Transumanismo é uma forma de transcender a biologia por meio da tecnologia que engloba, ainda, o Biohacking, modificações feitas por pessoas no próprio corpo, na linha “faça você mesmo” (não à toa, usa-se DiY BIO como sinônimo de transumanismo).

O termo vem do inglês (Transhumanism), é conhecido pelas siglas “H+” ou “h+” e pensa o futuro a partir de duas premissas inter-relacionadas: a de que a espécie humana (como a conhecemos) pode estar em uma fase precoce de desenvolvimento e a de que variadas e crescentes tecnologias tendem a aumentar suas capacidades e possibilidades, desacelerar seu envelhecimento e, até, torná-la imortal. Neste último caso, atingiria de fato o Pós-Humanismo (ou Posthumanism).

Camila Achutti, professora do Insper, CTO e fundadora da MasterTech, diz que gosta de pensar o Transumanismo como um movimento de super-humanos. “Quando falamos em utilizar microchips para tornar nossa memória infinita, usar hardwares para não precisar dormir ou comer, transformando seres humanos em ciborgues imortais, estamos falando de Transumanismo.”

Outros meios de aplicação do Transumanismo não são exatamente novos, como a nanotecnologia, as pílulas que aumentam a capacidade cognitiva e a concentração (conhecidas como “nootrópicos”), a clonagem, as alterações genéticas etc. A diferença é que, em função da exponencialidade, eles estão cada vez mais avançados. Dentre as novidades está a possibilidade de fazer um upload do cérebro humano no computador e modificar a mente, e a de substituir chaves e cartões de crédito, por exemplo, por chips implantados nas mãos.

Para Wagner Sanchez, diretor acadêmico da FIAP, o Transumanismo faz parte de uma linha intelectual que prega a reformulação dos homens com o uso de tecnologias exponenciais. Ele afirma, inclusive, que se esse objetivo for atingido, será preciso haver fusões entre ser humano e tecnologia: “Com isso, nossas capacidades e habilidades, tanto intelectuais quando físicas, poderão ser aprimoradas e estarão sempre sofrendo upgrades, como a própria tecnologia”.

Ainda de acordo com Sanchez, os super-humanos podem vir a se tornar seres humanos sem dor, com mais força física, poder intelectual, resistência a doenças e imunes ao envelhecimento. “A ideia é que possamos criar versões humanas mais avançadas, corrigindo bugs, melhorando a aparência física, inserindo novas habilidades, eliminando fraquezas etc.”

Quem inventou: O termo foi cunhado pelo biólogo e filósofo inglês Julian Huxley em uma palestra apresentada em Washington, nos Estados Unidos, denominada Knowledge, Morality and Destiny.

Apesar disso, Achutti conta que o grande nome por trás da área apareceu anos mais tarde. Max More foi um filósofo que reuniu pessoas na Califórnia para falar sobre o Transumanismo que se conhece hoje no mundo todo.

Quando foi inventado: A palestra de Huxley aconteceu em 1957. Os estudos de More são de 1990.

Para que serve: Como forma de substituir o desenvolvimento natural da evolução biológica (e suas limitações) pela tecnologia visando o aumento da capacidade física, intelectual e psicológica, o prolongamento da vida (podendo chegar à imortalidade), a resolução ou prevenção de doenças genéticas, a aceleração do aprendizado e aumento da capacidade cognitiva, a “troca” de órgãos humanos por robóticos (em caso de amputação) etc.

Sanchez diz que o Transumanismo pretende aprimorar a humanidade em todos os sentidos, desde físicos até psicológicos. “Imagine o momento em que tivermos a primeira interface cérebro/computador implantada na cabeça de uma pessoa ? Poderemos, por exemplo, sugerir geneticamente um conjunto de características específicas para os bebês. Isso pode ser algo positivo, mas pode também ter vieses negativos.” A Singularity University já fala de “Designer Babies”, embriões que seriam fruto de “correções” genéticas na fertilização in vitro.

Quem usa: Atiradores de elite do exército dos Estados Unidos já foram treinados com Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC), um método que usa correntes elétricas muito fracas no cérebro para acelerar os tempos de reação e a velocidade de aprendizado.

Em julho do ano passado, a empresa norte-americana Three Square Market, de Wisconsin, ofereceu a possibilidade de implantar microchips em seus funcionários (do tamanho de um grão de arroz) que funcionam como uma chave multifuncional, cartão de crédito e ferramentas de identificação. Ao todo, 50 dos 80 funcionários toparam experimentar o implante (que está na foto acima).

Achutti diz que há grandes players e pensadores Transumanistas focados em entender o potencial, os riscos e os limites envolvidos nessa transformação dos super-humanos, principalmente na esfera ética. “Ronald Bailey, cientista americano, alega que o Transumanismo é o movimento que simboliza aspirações ousadas, corajosas, imaginativas e idealistas na humanidade”, diz ela.

Efeitos colaterais: Há riscos diversos, o principal deles é a não observância de questões éticas, como aumento da desigualdade social em função do acesso restrito, e o de haver experiências mal sucedidas.

Segundo Achutti, não é toda população que conseguirá se beneficiar das descobertas Transumanistas. Fora isso, ela diz se tratar de um cenário ainda muito obscuro para a maioria das discussões do dia a dia. “Hoje, só um terço da população mundial tem acesso à internet, imagina quando falamos de um tema tão mais complexo como esse? Se nem educação básica é acessível para todo mundo, descobertas tecnológicas que melhoram habilidades humanas são muito mais distantes da população em geral.”

Para Sanchez, os efeitos colaterais ainda são pouco conhecidos e é possível que venham a provocar experiências mal sucedidas das reformulações humanas: “Aberrações, mutilações e males poderão ser causados a pessoas, além de existirem muitas iniciativas em laboratórios caseiros sem controle algum”.

Quem é contra: “Pessoas cujas ideias, geralmente, giram em torno da espiritualidade e da humanidade, como se com o Transumanismo fôssemos perder as característica humanas”, fala Achutti.

Para saber mais:

1) Leia, no The Verge, Transhumanism. Mind uploading, cryonics, artificial intelligence, robotics, space exploration, brain and body modifications, and the sci-fi roots of a technofuture. Trata-se de uma linha do tempo sobre Transumanismo, de 1906 até 2015.
2) Leia, na Forbes, Transhumanism And The Future Of Humanity: 7 Ways The World Will Change By 2030. O artigo elenca pontos que acredita ser vantagens do Transumanismo no meio empresarial e empreendedor.
3) Leia (ou baixe em PDF) o estudo Transhumanism: How humans will think, behave, experience, and perform in the future, and the implications to businesses, feito pela Frost & Sullivan em 2017.
4) A Singularity University coloca os “designer babies” entre novas tecnologias disponíveis na área de sexualidade e reprodução humana.

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