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Verbete Draft: o que é Volunturismo

- 7 de novembro de 2018
Voluntária da Exchange do Bem com crianças de uma comunidade na Cidade do Cabo, na África do Sul.

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

VOLUNTURISMO

O que acham que é: Trabalho voluntário como agente de turismo.

O que realmente é: Volunturismo é o nome dado a viagens que mesclam passeios turísticos com trabalho voluntário. O neologismo — uma contração das palavras “turismo” e “voluntariado” e que tem origem no idioma inglês (voluntourism) — é reflexo da procura cada vez maior por esse tipo de experiência que inclui tanto a escolha do destino quanto a de um projeto social. Segundo Daniel Cabrera, fundador e presidente da Vivalá, empresa que organiza esse tipo de viagens, o Volunturismo geralmente é direcionado a locais de atrativos naturais, culturais ou gastronômicos e procurado por pessoas dispostas a deixar um legado positivo na comunidade visitada. “É o oposto de turismo predatório”, diz.

Não existe um formato único de Volunturismo ou regras que determinem em quais locais pode ser feito, a duração, o tipo de voluntariado e valor a ser pago para a agência (até porque é possível que o viajante faça a experiência contatando ONGs por conta própria). Na Índia, por exemplo, é possível fazer recreação (com atividades manuais e lúdicas) de crianças com câncer abrigadas temporariamente nas chamadas shelter houses, em Nova Deli. Em Gana, na África, volunturistas podem ajudar na construção de um sistema de drenagem. No Brasil, há Volunturismo para auxiliar na formação profissional de empreendedores ribeirinhos do Lago do Acajatuba, no Amazonas, e para apoiar crianças com necessidades especiais na Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte, entre outros.

Eduardo Mariano, fundador e presidente da Exchange do Bem, agência de intercâmbio social, conta que o Volunturismo abrange as mais variadas causas e atividades, desde atividades em hospitais até reconstrução de áreas devastadas por desastres naturais. “Além disso, há o fato de que os viajantes hospedam-se, preferencialmente, em casas de família ou voluntários, tendo, dessa forma, uma imersão cultural bastante profunda.”

Quem inventou: Não há registro da autoria do termo Volunturismo. Já o turismo voluntário em si, segundo Mariano, tem origem na YMCA (Young Men’s Christian Association), na Inglaterra. “É uma organização cristã que atua até hoje e tem projetos ao redor do mundo todo”, fala o empreendedor.

Quando foi inventado: O termo voluntourism, segundo o dicionário Oxford, começou a ser usado na década de 1990. O turismo voluntário feito pela YMCA data dos anos 1900.

Para que serve: Para o turista, os benefícios são uma imersão cultural profunda e uma conexão emocional com o local e sua população. Para a comunidade, há ganhos materiais (em forma de melhorias e pagamento por estadia, por exemplo), educacionais (com aprendizagem) e emocionais (ao ser cuidada, ouvida, acarinhada etc.)

Quem usa: Não existe um “volunturista padrão”, embora haja predominância de mulheres. As idades também variam, mas é possível dizer que fica entre 25 e 35 anos.

Efeitos colaterais: Falta de continuidade dos projetos e instabilidade emocional em crianças carentes pela fugacidade do vínculo. Mariano conta que a criação de sua agência tem a ver com sua própria experiência pessoal como voluntário no Nepal, por cinco meses, em 2013. “Quando voltei para o Brasil, fiquei pensando que se ninguém continuasse as aulas que comecei, eu só teria ajudado financeiramente por ter me hospedado e me alimentado na região. Levando sempre voluntários, é possível dar continuidade aos projetos.” Cabrera diz que o voluntariado não pode ser voltado apenas para o bem estar do turista mas para o da comunidade, ainda mais quando se trata de crianças carentes. “O vínculo formado e quebrado, de forma repetida, faz com que a criança passe a ter dificuldades de se relacionar diante da perda iminente”, fala. Pensando nisso, o programa de voluntariado de sua empresa é voltado para capacitação profissional de microempreendedores. “O conhecimento é a única coisa que ninguém pode tirar de você.”

Quem é contra: Críticos do Volunturismo apontam, principalmente, três questões: a da quebra do vínculo emocional (colocada no tópico anterior), a utilização desse tipo de viagem para autopromoção, seja pessoal (um desejo maior de publicar selfies em comunidades pobres do que realmente ajudá-las, por exemplo) ou profissional (“agregando” valor ao CV). Mariano diz preparar os viajantes para que tenham em mente que o objetivo da viagem é, de fato, o voluntariado, e que as fotos sejam divulgadas apenas com autorização. “Isso é importante para afastar voluntários que não estejam realmente comprometidos com a nossa proposta.”

Para saber mais:
1) Leia, no Huffington Post, dois textos que, diante das atuais críticas ao Volunturismo, levanta, também, seus pontos positivos: The Pros And Cons Of Volunteering Abroad e Voluntourism – It’s Not All Bad.
2) Leia, no The Guardian, The business of voluntourism: do western do-gooders actually do harm? Crítico a vários pontos do Volunturismo, o texto diz que a prática pode ser impulsionada por sentimentos nobres, mas é construída sobre uma economia perversa.

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