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De jovens para jovens, a Wall Jobs quer mudar a forma como estudantes ingressam no mercado de trabalho

- 27 de junho de 2016
Parte da equipe da Wall Jobs no escritório, em São Paulo (Henrique é o de óculos e camiseta preta).
Parte da equipe da Wall Jobs no escritório, em São Paulo (Henrique é o de óculos e camiseta preta).

Em meio a livros, provas e seminários, um dos principais objetivos de quem está na universidade é conquistar uma vaga de estágio – e encontrar uma oportunidade promissora gera tanta ansiedade quanto um TCC. Entretanto, a maior parte dos sites e agências de emprego oferece vagas para os já graduados, o que torna o primeiro emprego para quem está estudando ainda mais difícil. Esse já foi o dilema de Henrique Calandra, paulista de 27 anos, fundador da Wall Jobs, uma plataforma digital de anúncios de vagas de estágio e gerenciamento de processos seletivos.

Criada em 2015, “por universitários e para universitários”, a startup soluciona duas das principais demandas de quem ainda está estudando: ter acesso a vagas exclusivas e receber orientações para se destacar nas empresas. A Wall Jobs disponibiliza centenas de vagas – atualmente, são quase 600 oportunidades. Ao mesmo tempo, desenvolveu um sistema de recrutamento e seleção de estagiários que humaniza o processo seletivo.

Funciona assim: ao anunciar uma vaga, o gestor de recursos humanos da empresa seleciona filtros, como faculdade, curso, nível de inglês e período de estudo do candidato. O próprio sistema ranqueia os usuários mais adequados para a vaga. Depois, o candidato é avaliado em doze competências, tais como liderança, comunicação e raciocínio analítico. Caso o estudante não seja aprovado, ele recebe um feedback apontando em quais aspectos foi bom e onde deixou a desejar.

Henrique fala dessa etapa: “O estudante fica muito frustrado quando não passa em um processo seletivo e a única resposta que recebe é um e-mail padronizado afirmando que ‘não possui o perfil da vaga’. Já senti essa sensação na pele várias vezes. Queria criar um jeito de deixar o processo mais amigável e transparente”. Para lidar com as suas eventuais deficiências, o estudante encontra na Wall Jobs também anúncios de cursos de aperfeiçoamento.

Ação da Wall Jobs na ESPM, local onde a startup nasceu.

Ação da Wall Jobs na ESPM, local onde a startup nasceu.

Com cerca de um ano e meio no mercado, a startup possui números expressivos. São mais de 500 000 estudantes cadastrados, de cerca de 600 universidades. Cerca de 1 200 empresas já usaram o serviço, entre elas Nielsen, Rocket Internet, Danone e IBM. No total, quase 5 000 estagiários já foram contratados por meio da Wall Jobs.

A fonte de receita  vem de planos pagos pelas empresas. Um anúncio de vaga custa 98 reais. Uma assinatura mensal com anúncios ilimitados sai por 250 reais. Também há um serviço premium, que custa 980 reais por mês e garante à empresa acesso a toda a base de dados da Wall Jobs, além da exposição da marca nos eventos universitários organizados pela startup. A expectativa é atingir 2 milhões de reais em faturamento este ano.

Conforme se solidifica, o negócio gera outros desdobramentos. Recentemente, a Wall Jobs encontrou uma nova utilidade para os dados gerados na plataforma. Por meio das avaliações realizadas nos processos seletivos, a startup está aferindo o nível de aceitação das faculdades pelo mercado. “Comparamos a capacidade dos estudantes com o nível que o mercado exige em cada competência. Dessa forma, a faculdade parceira do Wall Jobs pode buscar melhorias para formar profissionais que satisfaçam as demandas das empresas”, conta Henrique.

Nos próximos meses, a Wall Jobs irá publicar um ranking das universidades que, em média, estão mais alinhadas com o mercado. Atualmente, as quatro mais bem posicionadas são Insper, ESPM, FGV e USP.

FRUSTRAÇÕES, INEXPERIÊNCIA E UM PEDIDO DE AJUDA

A startup começou de maneira despretensiosa. Em 2014, Henrique mantinha um grupo no Facebook em que estudantes da ESPM discutiam política. Um dos temas em voga era emprego – e vira e mexe alguém publicava uma vaga para ajudar um colega desempregado. Foi aí que Henrique teve a ideia de criar um mural de empregos para os alunos da ESPM, alimentado pelos próprios usuários. Logo no primeiro dia, o site atingiu 1 000 usuários – e se tornou o mural oficial da faculdade.

Na época, Henrique, que já tinha concluído a graduação em Relações Internacionais e cursava Administração, era estagiário da Biomet 3i, que fabrica implantes dentários, e cuidava do site nas horas vagas. Um dos passos decisivos para o hobbie virar um negócio foi quando a Wall Jobs ganhou uma competição na Feira de Empreendedorismo da ESPM e ingressou a incubadora da instituição, onde foi validada a ideia de criar um sistema de recrutamento e seleção.

Nessa época, quando a Wall Jobs possuía 10 000 usuários de cinco faculdades, a maturidade da startup e de seu fundador foi testada. Às vésperas do carnaval de 2015, Henrique terminara um relacionamento e estava introspectivo. “Do nada, comecei a desenhar todo o site. Em poucos dias, fiz quase tudo. Sentia que aquilo era uma válvula de escape que me deu força criativa”, conta ele.

O segundo revés veio pouco tempo depois. O desenvolver contratado para criar a plataforma – e que já havia recebido o pagamento – entregou apenas 40% do serviço e desapareceu. “Pensei até em desistir tamanha a frustração. Por sorte, encontrei um desenvolvedor muito bom que topou continuar o projeto.”

Henrique e Sergio, o "estagiário sênior" da WallJobs.

Henrique Calandra e Sergio Pio, o chefe de operações e “estagiário sênior” da Wall Jobs.

Ao longo de quase dois anos, o investimento aplicado na Wall Jobs, cerca de 30 mil reais, veio do próprio Henrique. Embora tenha experimentado um crescimento orgânico, a Wall Jobs sofreu com a desconfiança do mercado devido à inexperiência de sua equipe, que possui idade média de 21 anos. Não ter gestores na área de produto também causou inúmeros retrabalhos na plataforma.

Para amenizar os problemas, Henrique convidou Sergio Pio, ex-diretor do curso de Relações Internacionais da ESPM, para atuar como chefe de operações na empresa. “Ele é o nosso estagiário sênior”, brinca.

Outra solução foi pedir mentoria para profissionais com vivência na área de tecnologia. Os nomes escolhidos foram Rodrigo Dantas e Luiz Felipe Couto, cofundadores da Vindi, plataforma de gestão de pagamentos recorrentes. “Eles ajudam em decisões estratégicas e novos negócios para Wall Jobs”, afirma Henrique.

Uma das iniciativas mais recentes da Wall Jobs foi desenvolver o Blog do Estagiário, um site de conteúdo sobre carreira que possui 400 000 acessos por mês. Nos últimos meses, 70% dos leads da startup vieram dali.

Para conquistar mais usuários, em breve a Wall Jobs lançará um aplicativo, em que os estudantes poderão receber notificações de novas vagas, convites de eventos e acessar o conteúdo do Blog do Estagiário.

Do lado das empresas, a novidade será um software de gerenciamento de estagiários e outros funcionários já contratados. O sistema integrará dados de folha de pagamento, produtividade e avaliação de desempenho do pessoal. De acordo com Henrique, o software ajudará o departamento de recursos humanos das empresas a ter uma gestão estratégica – e não somente realizar atividades burocráticas de departamento pessoal.

Com o slogan “Trabalhe onde quer, não onde deu”, a Wall Jobs mantém a pegada de empresa de jovens para jovens, vivenciando riscos, sonhos e, porque não, desilusões. Neste caso, a chave para a maturidade pode ser manter sempre o otimismo.

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Wall Jobs
  • O que faz: Plataforma de anúncios de estágios e gerenciamento de processo seletivo
  • Sócio(s): Henrique Calandra
  • Funcionários: 11 (incluindo o fundador)
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2015
  • Investimento inicial: R$ 35.000
  • Faturamento: R$ 200.000 (em 2015)
  • Contato: contato@walljobs.com.br
Veja também:

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Lucas Mendes e Lachlan de Crespigny são os fundadores da startup que foca em colocação profissional de engenheiros de software e diversos profissionais de TI.