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Verbete Draft: o que é Mineração de Criptomoedas

- 1 de novembro de 2017
Verbete Draft: o que é Mineração de Criptomoedas
A mineração de criptomoedas, como a Bitcoin, é tão difícil - e até mais complexo - do que encontrar ouro (imagem: reprodução Gecko and Fly).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

MINERAÇÃO DE CRIPTOMOEDAS

O que acham que é: Lavagem de dinheiro virtual.

O que realmente é: Mineração de Criptomoedas é o processo pelo qual transações de moedas digitais (virtuais ou eletrônicas) são verificadas, validadas e adicionadas à Blockchain, tecnologia de registro público dessas transações, composta por uma rede de usuários. É, ainda, o meio pelo qual novas criptomoedas são geradas. Como a pioneira Bitcoin é a moeda digital mais importante e valiosa do mercado, o termo é mais conhecido como Mineração de Bitcoins.

É possível fazer uma analogia com o ouro: ambos não são emitidos de forma tradicional (impressos), são raros (daí uma parte de seu valor) e têm mineração custosa (outra parte de seu valor).

No caso da Mineração de Criptomoedas, as “ferramentas de extração” são megacomputadores ligados em rede (que podem estar na casa de qualquer pessoa), um software que tenha essa função específica, muita energia elétrica para dar conta do processo e “mineradores” com mentes brilhantes. Isso porque a função destes computadores é decifrar problemas matemáticos complexos gerados a cada transação de criptomoedas entre usuários — daqui o caráter raro e custoso. Isso é o que garante a segurança do processo.

Segundo Henrique Poyatos, coordenador dos cursos de EAD da FIAP, o minerador que encontrar a solução do problema primeiro é o descobridor do chamado bloco transacional (daí o nome Blockchain), e pode escolher quais transações de criptomoedas serão registradas nesse bloco. “Nesta etapa, acontece uma verdadeira competição entre os milhares de mineradores, que empregam um grande poder computacional para descobrir a resposta”, diz.

No caso das Bitcoins, a recompensa é de 1,25 moeda, gerada no sistema no exato momento em que o bloco é registrado. Não é pouco. De acordo com o Investing.com, uma Bitcoin valia cerca de 600 dólares no começo de outubro passado e, um ano depois, chegou a 4.400 dólares. Hoje, está cotada em 6.518, 50 dólares (e amanhã provavelmente já vai ter subido, de acordo com a tendência).

Poyatos conta que os demais mineradores validam o bloco descoberto pelo vencedor e se preparam para a descoberta do próximo bloco: “Esse processo acontece de 10 em 10 minutos e, graças esse importante trabalho, a Blockchain se torna um livro-razão inviolável e distribuído, pois cada um dos milhares de mineradores possui uma cópia dele”.

De acordo com César Torres Fernandes, professor das Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatecs), Ipiranga e São Bernardo do Campo, a Mineração de Criptomoedas permite a inviolabilidade do processo. “Mesmo que mineradores tentassem processar transações fraudulentas ou tentassem aumentar suas comissões, não seriam capazes, pois os demais rejeitariam qualquer bloco que contivesse dados inválidos, mantendo, assim, a rede segura.”

Existem algumas dezenas de criptomoedas no mercado, como a Monero e a Ethereum. Foi com a Monero que o Pirate Bay trouxe à tona uma questão ética sobre a Mineração de Criptomoedas, em setembro deste ano. O site utilizou a capacidade de processamento dos computadores de seus usuários para, sem comunicar que faria isso, minerar a criptomoeda gerando dinheiro para si mesmo, sob o argumento de que como não tem anúncios precisava de outras fontes de sustento. O Nexo fez uma reportagem em que conta a história e contextualiza a Mineração de Criptomoedas (o link está abaixo, em Para saber mais).

Quem inventou: A Mineração de Criptomoedas está diretamente ligada à criação da Bitcoin cujo inventor é conhecido pelo pseudônimo de Satoshi Nakamoto.

Quando foi inventado: Em 2009.

Para que serve: Validar as transações de moedas virtuais para que não ocorram operações fraudulentas. A Mineração de Criptomoedas faz uma varredura em todas as transações já feitas até o momento, verificando se o saldo transacionado é válido e qual seu dono. Além disso, para efetivamente gerar novas moedas.

Quem usa: Quem quiser, sejam grandes empresas ou usuários comuns. Neste último caso, basta ter um computador potente, baixar o software de mineração e ter a capacidade de decifrar códigos. Dois exemplos de empresas de tecnologia são o WordPress e o Reddit. Há até o uso social da mineração de dados: a organização Adote um Gatinho, por exemplo, criou a CatCoins uma plataforma que convida participantes a ceder a capacidade de processamento de seus computadores para a mineração de criptomoedas que serão doadas à causa.

Fernandes diz que, aos poucos, bancos e instituições financeiras estão fechando acordos com empresas que realizam transações com Bitcoins: “O intuito é facilitar transferências entre clientes”.

Efeitos colaterais: Alto consumo de energia elétrica por parte dos computadores mineradores, além da possibilidade de haver longos períodos de gasto sem nenhuma recompensa financeira.

Segundo Poyatos, minerar criptomoedas é um empreendimento de alto investimento. “Pagamos muito caro por energia elétrica no Brasil e a conta não fecha. Existem alguns mineradores no Paraguai, onde a energia elétrica é mais barata, e muita gente na Ásia”, afirma.

Quem é contra: Humberto Delgado de Sousa, coordenador do curso de Defesa Cibernética da FIAP, diz que os países que são contra a utilização de criptomoedas também passaram a colocar barreiras para a Mineração delas. “Eles fazem isso aumentando o valor de placas de vídeo, por exemplo, que aumentam a eficiência do processamento exigido pelo processo, além de criarem leis específicas. A China, atualmente, posicionou-se contra as Bitcoins e o mercado vê isso com receio pois há uma quantidade significativa de mineradores no país.”

Bangladesh, Bolívia, Equador e Islândia são alguns países nos quais as Bitcoins são ilegais.

Para saber mais:
1) Leia, no Nexo, O que é mineração virtual e como ela usa computadores em segredo. O texto explica a Mineração de Criptomoedas, fala sobre o episódio do Pirate Bay e traz uma entrevista com Yasodara Córdova, pesquisadora na Harvard Kennedy School afiliada ao Berkman Klein Center for Internet & Society.
2) Leia, no TechTudo, Bitcoin: a mineração de moedas. Partindo da analogia com o ouro, o texto explica a Mineração de Criptomoedas em detalhes e tecnicismos, sendo bastante didático.
3) Leia, no 99Bitcoins, Is Bitcoin Mining Profitable in 2017?. Além de responder à pergunta, o texto traz uma série de verbetes relacionados aos tema.

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