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Verbete Draft: o que é MVP

- 6 de janeiro de 2016
A britânica Innocent Drink só se consolidou como empresa após um período de testes em MVP, no qual as pessoas podiam experimentar os sucos da marca e dizer se gostariam de comprar mais deles um dia.
A britânica Innocent Drink só se consolidou como empresa após um período de testes em MVP, no qual as pessoas podiam experimentar os sucos da marca e dizer se gostariam de comprar mais deles um dia.

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

MVP

O que acham que é: Uma versão superficial de um produto.

O que realmente é: MVP, do inglês Minimum Viable Product, ou Produto Viável Mínimo, é a versão de um produto-teste a ser lançado contendo apenas a essência do que se está querendo propor, ou seja, apenas o mínimo viável. O MVP pode ser um produto em si, mas também um modelo de negócio, uma função, uma necessidade do mercado. Segundo o professor Wilson Nobre, membro do Fórum de Inovação da FGV, se o MVP cumprir sua finalidade e for aceito pelo mercado, o produto vai para um ciclo de desenvolvimento mais amplo para atender outras necessidades, paralelas às da essência. Se o mercado rejeitar ou não perceber aquela essência como válida, o desenvolvedor gastou muito pouco recurso para testar sua hipótese. “O MVP é esse teste de uma hipótese do desenvolvedor para uma demanda do mercado. O desenvolvedor não faz pesquisas prévias, ele apenas desenvolve algo enxuto e o apresenta para seu público alvo”, diz.

De acordo com Marcelo Nakagawa, diretor de Empreendedorismo da FIAP e pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Gestão Tecnológica e Inovação da USP, o foco do MVP não é a inovação em si, mas o aprendizado que traz sobre como criar a experiência de consumo mais vencedora. Ele diz que o difícil não é entender a definição de MVP, mas sim aplicar este conceito em cada caso específico. “Por isso, a explicação do que é um MVP é, quase sempre, seguida de exemplos. Os meus preferidos são os MVPs da Innocent Drinks, da Zappos e do Dropbox“, diz.

Às histórias, resumidamente: Em 1999, três amigos ingleses pensavam em montar um negócio de sucos naturais. Queriam criar algo irreverente com nomes engraçadinhos, mensagens inspiradoras nas embalagens e combinações inusitadas de sabores. Antes escrever um plano de negócio ou comprar máquinas, decidiram montar uma barraca de sucos em um festival de música em Londres. Cada pessoa que comprava o suco recebia uma ficha para depositar em caixas que diziam “sim” ou “não” para a pergunta: Devemos largar nossos empregos para fazer sucos? No final do festival, a caixa com “sim” estava lotada, dando início à Innocent Drinks.

Também em 1999, Nick Swinmurn abordou Tony Hsieh com a ideia de vender sapatos pela internet. Empreendedor experiente, Hsieh tinha dúvidas se alguém compraria sapatos online pois imaginava que as pessoas quereriam experimentá-los. Mas Swinmurn disse que cerca de 5% das vendas de calçados nos Estados Unidos já eram feitas por catálogo. Diante da informação, antes de investir muito em tecnologia, estoque, sistema de logística, Hsieh visitou uma loja (física), tirou fotos de alguns calçados e criou um site simples para anunciá-los. Assim que o cliente fazia a compra online, Hsieh ia até a loja, comprava o item e o enviava por correio. Foi esse o início da Zappos, uma das principais varejistas de calçados dos Estados Unidos (anos depois, comprada pela Amazon).

Em 2007, o estudante Drew Houston estava viajando de ônibus quando lembrou que tinha esquecido seu pen drive em casa. Por que não havia uma espécie de “pen drive na internet”?, pensou. Na mesma viagem, começou a programar o que viria a ser o Dropbox. Mas será que as pessoas se interessariam por um produto assim? Será que valeria a pena investir tantas horas? Ele então criou um site simples com um vídeo explicando como Dropobox funcionaria e pediu que os interessados cadastrassem seus e-mails. Em poucos dias, foram feitos mais de 75 mil cadastros.

O MVP pula quase todas as etapas do ciclo tradicional de desenvolvimento de produtos. Neste, há uma fase de pesquisa seguida por uma fase de teste técnico, na qual cria-se uma versão do produto que responda a requisitos previamente especificados. Chama-se, então, um grupo de pessoas para testá-lo. Vencidas todas as barreiras técnicas, inicia-se a fase de teste comercial, na qual é escolhido um mercado alvo, lançada uma quantidade do produto e analisado o comportamento do consumidor e como o produto se comporta naquele mercado. Só depois disso o produto é lançado em escala nos mercados previstos. “O MVP acontece particularmente no âmbito das startups. É um processo muito rápido, que surge geralmente de um insight do que o empreendedor sente como demanda”, fala Nobre.

Quem inventou: O termo foi cunhado por Frank Robinson, CEO da SyncDev, mas foi popularizado dez anos mais tarde no bestseller The Lean Startup, de Eric Ries. “No livro, Ries criou um método que aplica o MVP da forma usada atualmente”, diz Nakagawa. Ainda de acordo com o diretor de Empreendedorismo da FIAP, o MVP é o elemento central do Lean Startup, a metodologia mais utilizada na criação de startups disruptivas e de projetos inovadores em empresas já estabelecidas. Se quiser saber mais sobre o assunto, leia o Verbete sobre Lean Startup aqui.

Quando foi inventado: Frank Robinson cunhou o temo em 2001. O livro de Ries foi lançado em 2011, nos Estados Unidos. No Brasil, foi publicado com o nome de A Startup Enxuta.

Para que serve: Para acelerar o processo de levar produtos ao mercado e reduzir custos. “Serve também para se testar uma hipótese no mercado com o público final ou para descobrir outros clientes que não os esperados mas que respondem bem ao produto”, diz Nobre. Nakagawa acredita que o principal benefício do MVP é o aprendizado realizado em situações reais, com clientes reais e considerando a experiência de consumo imaginada. “Como ainda não é o produto final, a lógica do MVP prevê ajustes ou até mudanças radicais (mais conhecidas como pivot) dependendo da reação dos usuários ou clientes iniciais”, diz. Ele cita ainda, como benefícios adicionais, menor custo (comparado ao processo tradicional), maior velocidade (de execução, mensuração, aprendizado e ajustes), mais eficiência na criação de melhores (mais inovadoras) experiências de consumo e melhor retorno sobre investimento (ROI), entre outros.

Quem usa: Qualquer organização que queira inovar pode se beneficiar do conceito de MVP. De empresas (grandes ou pequenas) ao lançar produtos, a ONGs ao validarem novos serviços ou formas de atuação. “Até governos poderiam ter mais sucesso na implementação de novas políticas se adotassem a lógica de ‘criar, medir, aprender, ajustar’ por meio de MVPs”, fala Nakagawa. Ele diz que o MVP vale tanto para empresas tradicionais que buscam se reinventar quanto para empresas muito inovadoras, que dependem de um fluxo contínuo de criação de novas experiências de consumo. “Mas há contextos em que as empresas podem se beneficiar mais do conceito de MVP, quando os riscos para os clientes inexistem ou são mínimos, como no caso da Innocent Drinks ou da Zappos. Já em casos mais críticos, como em soluções médicas ou farmacêuticas, o MVP pode ser mais útil na validação de um determinado tipo de embalagem (como ocorreu com o Dermacyd Amenity, uma versão do sabonete íntimo feminino distribuída em hotéis e motéis) ou, quem sabe, um novo aplicativo (como ocorreu na 23andMe, que oferece mapeamento genético diretamente ao consumidor), mas os testes clínicos devem seguir os padrões e processos exigidos legalmente em cada país”, a.

Efeitos colaterais: “Com o MVP, o empreendedor pode acreditar que é suficiente mostrar algo pouco elaborado, feito às pressas. Ele tem uma ideia, não sabe se há interesse nela e faz algo fraco. Eventualmente a ideia até é boa, mas com isso ele a mata porque esse algo fraco não conseguirá testar a essência do produto”, diz Nobre. Nakagawa afirma que muitos empreendedores se concentram no MVP como um produto ou um serviço quando deveriam se preocupar com a “experiência de consumo”, uma visão mais holística, sistemática e simbólica da solução das dores do cliente. “O problema é a dificuldade em conseguir aplicar o conceito de forma efetiva. Por mais que entendam o conceito, muitos empreendedores e executivos não conseguem criar um MVP eficaz que crie uma experiência de consumo realmente inovadora, inspiradora e vendável”, diz.

Quem é contra: Em geral, é contra o MVP quem não tem perfil empreendedor, não valoriza tanto o processo de aprendizado que interage com o cliente e quem não compreende a cultura de startups. Assim como as grandes corporações que, por já conhecerem o ciclo tradicional, têm dificuldade em assumir a ideia do lean do qual o MVP faz parte. “Também são contra pessoas que têm uma inércia muito grande de mudar seus paradigmas e adotar coisas novas”, diz Nobre. “A lógica do ‘criar o MVP, medir, aprender, ajustar’ enfrenta muita resistência dos que defendem o ‘planejar detalhadamente tudo antes’. Isto é mais observado em grandes empresas, que trabalham com técnicas tradicionais de planejamento de gestão de projetos e, por isso, precisam definir cada etapa considerando escopo, prazo, responsável e custo”, diz Nakagawa.

Para saber mais:
1) Assista ao primeiro vídeo criado por Drew Houston para apresentar o Dropbox e testar sua aceitação no mercado.
2) Leia, no TechCrunch, o texto How To Create A Minimum Viable Product. Publicado em 2012, ele dá dicas bem práticas e didáticas de como implementar um MVP.
3) Leia TenRocket turns 10 days and $10k into MVP apps for startups, texto no The Next Web que conta a história de como Chris Turner transformou uma experiência difícil em um app, o Ten Rocket, que cria MVPs para startups em 10 dias.
4) Leia a crítica It’s called “Ship” not “Shit”, republicada no The Next Web sob o título (que já diz tudo): Forget MVPs, startups need to create minimum ‘lovable’ products. Abordamos isso acima, no item “Efeitos Colaterais”.
5) Assista ao vídeo Building the Minimum Viable Product em que Eric Ries fala sobre MVP em pouco menos de quatro minutos.

Tecnisa

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