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A 3M começa a rodar sua 1ª solução desenvolvida em parceria com uma startup no Brasil

- 31 de janeiro de 2019
Empresa trabalhou com a VRGlass na criação de um sistema de realidade virtual que leva o centro técnico da companhia a clientes de todo o Brasil.

Com tantas frentes para a inovação, a única ofensiva nessa área que a 3M Brasil não tinha adotado até então era trabalhar em parceria com startups visando olhar outras tecnologias, mercados e mirar novas oportunidades. Esta situação, no entanto, acaba de mudar. A companhia começa a rodar sua primeira solução desenvolvida em colaboração com uma jovem empresa no Brasil: um aplicativo de realidade virtual (VR) criado para garantir que qualquer cliente no mundo possa fazer uma visita virtual ao seu Centro Técnico ao Cliente (CTC), que fica em Sumaré (SP), na sede da empresa no País. A solução foi desenvolvida em parceria com a VRGlass, startup que nasceu em 2011 com a ambição de democratizar a mídia imersiva no Brasil, com soluções de aplicativos, óculos e vídeo 360.

A novidade tecnológica começou a ser apresentada em janeiro para o time de mais de 300 vendedores da 3M no Brasil, funcionários da companhia e parceiros e distribuidores. Depois de rodar para este público, o plano é propagar a solução para toda a base de clientes pelo país. “Será uma ferramenta de vendas importante, uma forma de deixar clara a nossa cultura e forma de trabalhar aos clientes”, conta Renata Perina, 35, líder da incubadora de projetos da organização, estrutura criada em 2017 pela 3M para fomentar projetos de inovação e disrupção internamente.

O aplicativo de realidade virtual é justamente um dos primeiros frutos deste trabalho da incubadora, além de ser ainda a primeira solução desenvolvida pela empresa em parceria com uma startup no Brasil. A aproximação entre a companhia e o jovem negócio foi intermediada pelo Conexão Startup Indústria, programa da ABDI, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, criado para unir corporações e o ecossistema empreendedor. “O edital para participar do programa apareceu no momento perfeito, quando a minha área tinha acabado de ser criada. Resolvemos participar”, lembra Renata. Ela conta os motivos que a levaram a ir em frente:

“Era uma oportunidade de mostrar à comunidade 3M como a cooperação com startups pode gerar bons resultados, derrubar mitos e preconceitos”

Segundo Renata, a 3M foi uma das 49 indústrias que se inscreveram para a rodada de 2017 do programa, ficando entre as 10 selecionadas para participar. Do outro lado, o órgão do governo recebeu a demanda de 350 startups e selecionou as 100 melhores, aquelas que já estavam em um estágio mais maduro para atuar com grandes corporações.

“Detectamos oito desafios internos que poderíamos resolver com a ajuda destas empresas e colocamos no programa”, conta Renata. Segundo ela, a ABDI fez o match entre estas demandas e o que as startups tinham para oferecer e indicou algumas das startups selecionadas que tinham a expertise necessária. A 3M se conectou com a VRGlass para solucionar a questão do Centro Técnico. “É uma empresa muito bacana e super madura”, elogia Renata. Madura e eficiente, pode-se dizer: a startup soma apenas 15 colaboradores, incluindo os departamentos Comercial, Administrativo e Técnico. Mesmo com o time enxuto, alcança faturamento anual de 3 milhões de reais com projetos de realidade virtual e aumentada para marcas como Nissan e Hershey’s, segundo o fundador do negócio, Ohmar Tacla, 37. O empreendimento tem poucos anos de estrada, mas passa longe de ser inexperiente.

REALIDADE VIRTUAL

Com solução de VR, a 3M espera levar o Centro Técnico até clientes que não conseguem se deslocar para visitar o espaço.

Com o match entre corporação e startup feito, era hora de colocar a mão na massa. O CTC da 3M é uma mistura de showroom com ambiente de trabalho. Ali estão reunidos 19 laboratórios onde os engenheiros de aplicação da companhia trabalham em diferentes projetos. Ao mesmo tempo, é um espaço que transpira a essência da companhia, segundo Renata. “É um lugar de inovação, que reúne a experiência com as nossas marcas, tem auditório para eventos e estações de demonstração de uso das nossas tecnologias”, enumera.

Criada em 2005, a estrutura é usada tanto para que os times da 3M desenvolvam soluções quanto para encantar clientes. A questão é que nem todo o público da companhia tem tempo ou disposição para ir até lá fazer uma visita. “Às vezes precisamos de meses para conseguir agenda com um parceiro de negócio para que ele venha a Sumaré.” Aí, como diz o ditado, se a montanha não vai a Maomé, o melhor é fazer o inverso – ou levar o Centro Técnico até os clientes.

Na prática, isso significou para a 3M e a VRGlass a criação de um aplicativo que reúne filmes 360 e locuções que contam à audiência o que é cada ambiente do CTC. Tudo pelo celular, transmitido em um óculos de realidade virtual.

O fundador da startup diz que é um tour virtual completo. “É possível entrar nos laboratórios e ver de perto o seu funcionamento. Nosso desafio era colocar no ambiente digital o realismo da experiência presencial”, conta. Para Ohmar, a realização técnica do projeto correu de forma relativamente tranquila, já que a empresa acumula experiência com a tecnologia. Ainda assim, a cooperação trouxe bons aprendizados, como conta: “Foi um prazer trabalhar com a Renata e acompanhar suas metodologias de gestão, essenciais para entregar de forma ágil uma solução inédita.”

EMPATIA COMO FERRAMENTA CORPORATIVA

A executiva garante que o aprendizado também foi grande do lado da companhia. “Toda a equipe que participou teve a chance de descobrir muitas ferramentas, entender sobre comunicação, segurança de dados e uma série de outros aspectos que não necessariamente estão no nosso cotidiano”, conta. Além disso, ela diz que trabalhar com uma empresa tão diferente em tamanho e cultura é um processo que gera crescimento:

“Para dar certo precisamos nos colocar no lugar do outro, entender as necessidades e eventuais deficiências. A startup também tem que trazer este mesmo olhar para nós. A empatia se transforma em um ferramenta corporativa poderosa”

Ohmar concorda. Segundo ele, este é o passo fundamental para o sucesso de uma parceria entre diferentes. “Cada um precisa compreender as limitações do outro e alinhar as expectativas”, diz. Com uma sintonia tão fina, o trabalho da VRGlass com a 3M pode se estender mais um tanto.  “O plano é transformar o aplicativo em uma plataforma completa 3D para munir a equipe de vendas com recursos de alto impacto para demonstrar produtos”, conta o fundador da empresa.

Renata pretende ainda trazer mais startups para perto. Nos próximos meses a empresa deve apresentar outro fruto do programa da ABDI: uma solução de logística desenvolvida com a Trackage. “Quero que as equipes da 3M vejam os resultados destas parcerias e se contagiem. É só o começo”, diz, cheia de disposição – e empatia.

 

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