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Como a Shelfpix usa inteligência artificial para organizar um ponto crucial ao varejo: as prateleiras

- 20 de novembro de 2018
Fernando Maman e Hildo Rocha contam como a plataforma de inteligência artificial facilita a vida dos promotores de vendas e ainda reduz custos.

É sonho de muito empreendedor criar uma solução disruptiva que substitua, em massa e de maneira inesperada, hábitos tradicionais dos consumidores. É isso que os fundadores da paulistana Shelfpix escolheram ao mirarem um peixe grande: nada menos que todas as gôndolas de supermercados e estabelecimentos varejistas. Usando uma tecnologia de visão computacional e algoritmos de inteligência artificial, a solução criada pela startup, batizada de Yodda, faz o monitoramento automático dos produtos nas prateleiras das lojas por meio de fotos ou vídeos e, assim, agiliza o trabalho dos promotores de vendas e gerentes de marcas, reduzindo custos para os contratantes.

Em outras palavras, trata-se de uma plataforma de gestão remota para FMCG (do inglês, fast moving consumer goods), os produtos de giro rápido: artigos de higiene pessoal, de limpeza e alimentos pré-embalados. No varejo, são itens de alto giro e que requerem muito manejo. “Há cerca de 150 mil pessoas, no Brasil, visitando lojas com a missão de gerenciar a categoria de produto pela qual são responsáveis”, afirma Hildo Rocha, 32, sócio e general manager da startup. Ele conta que o promotor contratado por uma fabricante de produtos de limpeza, por exemplo, tem a incumbência de colocar os itens da forma correta na gôndola, atendendo a um planejamento de exposição. “Essa pessoa também está colhendo dados para avaliar o desempenho do produto, das marcas concorrentes e o comportamento do consumidor”, completa. 

Esses profissionais preenchem formulários e planilhas, contando os itens, calculando o percentual da gôndola que o produto ocupa, informando preço, promoção e uma série de outros detalhes — tudo isso manualmente. No geral, para obter essas informações, os promotores devem completar um questionário contendo entre 150 e 250 aspectos, em cada estabelecimento. Aí entra a sacada da startup: uma simples fotografia ou vídeo feitos com um smartphone, por meio do aplicativo da Shelfpix, pode responder pelo menos metade dessas questões com muito mais rapidez e precisão. Hildo diz:

“A taxa de erro de um ser humano em atividades repetitivas, como monitorar gôndolas, é de 35% a 40% em um ano. A nossa AI tem uma margem de erro máxima de 5%”

As chances de falhas ficam por conta das mudanças e estilizações que as embalagens podem receber, com o tempo, e condições não ideais para a captação das fotos ou vídeos. Toda tecnologia do serviço da Shelfpix, que começou a ser desenvolvida em 2012, com o aporte dos próprios sócios de 1 milhão de dólares, está baseada na digitalização das imagens das gôndolas, captadas pelos próprios promotores de venda. A ferramenta permite que eles aumentem o número de estabelecimentos visitados durante a jornada de trabalho, ao mesmo tempo que os libera para outras atividades de relacionamento no comércio.

ESTRUTURA ENXUTA, META DE CRESCIMENTO EXPONENCIAL

Formado em Engenharia e Gestão de Processos Tecnológicos pela Universidade Federal de Minas Gerais, Hildo compõe a empresa com outros quatro sócios, dois dos quais são investidores. Dos três que estão no dia a dia da operação, Fernando Maman, 51, CTO da Shelfpix, é o mais experiente de uma equipe de 15 funcionários que opera inspirada no conceito de exponencialidade, modelo consagrado entre  startups que propõem transformações massivas.

Simulação do sistema de coleta de dados da Shelfpix, após um promotor de venda fotografar uma gôndola com o app da startup.

“A mudança do modelo de trabalho acelerou demais o nosso negócio e a gente está brigando para conseguir ficar atualizado sobre esses novos conceitos”, diz Fernando.

Organizações exponenciais possuem um arranjo mais horizontal e flexível, reunindo as equipes não por áreas, mas conforme os projetos que a empresa pretende desenvolver, de forma rotativa, usando ferramentas de tecnologia da informação para otimizar o conhecimento da equipe, multiplicar os resultados e reduzir o tempo dos processos internos de desenvolvimento.

Dedicado a modelos de smartmoney em startups (aporte em que além de dinheiro o investidor fornece know how ao negócio), sócio de outra empresa de business intelligence e relações públicas associada a grandes multinacionais de tecnologia da informação, Hildo conhece bem o modelo tradicional do mercado de trabalho. Mineiro, ocupou cargos executivos em empresas grandes e agrega à startup o conhecimento de um setor altamente especializado. “Isso me trouxe todo o backgroud que preciso para conduzir a negociação e o relacionamento com os clientes de grande porte com quem a gente atua”, diz.

A Shelfpix tem apenas 15 clientes na carteira. Pode parecer um número pequeno, mas trata-se de Unilever, Coca-Cola e Ypê, entre outras. Só a primeira possui mais de 400 marcas de produtos, cada uma com suas variações de tamanhos, embalagens e composições, ocupando uma grande fatia das gôndolas. Por isso mesmo, a gigante dos bens de consumo escolheu a Shelfpix como uma das cinco contempladas pela primeira edição de seu programa de aceleração Lever Up, que recebeu mais de 500 inscrições este ano no país. 

Realizado de agosto a dezembro, o programa é uma parceria com a Liga Ventures. Ao final do ciclo, os serviços da Shelfpix poderão ser internalizados pela Unilever, garantindo um avanço na capacidade de atuação da startup, que ano passado teve faturamento de 700 mil reais. 

A PESQUISA É A FONTE, A TECNOLOGIA É O MEIO

Contratada pelas fabricantes para apoiar o trabalho dos promotores de venda e gerentes de contas, a plataforma é operada atualmente por cerca de 200 a 250 pessoas, principalmente no Sudeste e no Nordeste do país. O número de usuários é pequeno perto do contingente que pode passar a adotar a tecnologia, mas os sócios acreditam que o timing de expansão está em compasso com a modernização do setor. Fernando fala a respeito:

“Quando se desenvolve uma tecnologia que está na barreira do conhecimento, o maior problema é o processo de pesquisa”

Ele prossegue: “Depois, para criar um modelo de negócio que seja competitivo no planeta inteiro, é preciso ter grande suporte tecnológico”. O CTO diz que o time busca nas pesquisas acadêmicas o insumo necessário para a criação das ferramentas que sustentam o aparato do negócio, que opera no formato SaaS, com assinatura mensal.

O passo a passo do funcionamento do Yodda, sistema da Shelfpix que consegue realizar a gestão das gôndolas por meio de visão computacional e algoritmos de inteligência artificial.

O valor do serviço é baseado na quantidade de fotografias e vídeos processados pelo sistema e no número de SKUs (Unidade de Controle de Estoque ou, na prática, produtos) que o cliente deseja monitorar. O pay-back efetivo do investimento está estimado entre dez a 12 meses, mas de acordo com os sócios, os ganhos no processo são visíveis já no início da aplicação, com aumento de velocidade de captação de cerca de 30 a 50% e a possibilidade de gerar diariamente relatórios que, atualmente, costumam ser consolidados a cada 15 dias ou um mês.

Promotores, líderes, gerentes e supervisores já estão aptos a utilizar o serviço da Shelfpix, mas o grande ganho exponencial da plataforma deve acontecer a partir de 2019, quando pretendem lançar a interface para incluir o consumidor final no jogo. Com um apelo de gamificação e pontuação, qualquer cidadão com um um smartphone poderá fornecer informação sobre a situação das gôndolas que frequenta, formando um mutirão de crowdsourcing que potencialmente conseguirá, de fato, provocar uma mudança nos hábitos de consumo.

Com mais de 12 prêmios conquistados em cerca de um ano de operação, a startup parece caminhar confiante para se posicionar entre as grandes ideias de transformação massiva que movimentam o cenário nos últimos anos. Fernando descreve a abordagem que está tornando possível o sonho dos sócios: “Não pretendemos criar partes incríveis de uma coisa fantástica que ainda não existe. Vamos, aos poucos, entendendo o todo e como juntamos isso tudo de forma diferente para criar um produto disruptivo”. E entender o todo e saber como montar as peças desse quebra-cabeça de maneira inovadora já é um desafio e tanto.

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Shelfpix
  • O que faz: Sistema de visão computacional e AI para controle de gôndolas
  • Sócio(s): Hildo Hudson Rocha, Fernando Antonios Maman, José Augusto Domingues, Robson Vieira Pedreira e Ricardo Carvalho Sleiman
  • Funcionários: 15
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2014
  • Investimento inicial: US$ 1 milhão
  • Faturamento: R$ 700.000 (em 2017)
  • Contato: hildo.rocha@shelfpix.com.br
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