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Já imaginou um coworking voltado aos games independentes? Conheça a Indie Warehouse, em Brasília

- 9 de janeiro de 2019
Saulo Camarotti conta como, em apenas um ano, o espaço de tornou o maior "habitat" do país de desenvolvedores de jogos.

A Indie Warehouse é um escritório, uma produtora de eventos, um espaço de reunião e, eventualmente, de festa. Por ali, circulam artistas gráficos, designers, cientistas da computação, publicitários, cineastas e outros profissionais ligados à Economia Criativa.

Para simplificar, trata-se de um coworking voltado para o nicho de games independentes, embora não feche as portas para outros segmentos. A verdade é que a Indie tem uma biografia mais longa e um trabalho de abrangência maior do que se poderia supor de um negócio que acaba de completar seu primeiro ano de existência.

O galpão de mil metros quadrados, no Lago Norte, em Brasília, abriga a experiência de alguns dos maiores desenvolvedores de jogos no Brasil. Tornou-se um ecossistema de troca, compartilhamento de conhecimento e de serviços, a ponto de ser o principal aliado na produção de games da capital brasileira, referência do setor no país.

Em 12 meses, 282 pessoas trabalharam na Indie Warehouse, onde produziram 54 jogos. Os estúdios abrigados lá receberam 4,5 milhões de reais em investimentos públicos e privados. Foram realizados 34 eventos abertos, com mais de 2 200 participantes. O local recepcionou, também, 26 mentores externos, como Catarse, Unity, Unreal, IGN e 11bit. E recebeu Jason Della Rocca, referência mundial no assunto, fundador da Execution Labs, incubadora e aceleradora de desenvolvedores de jogos.

AS CONQUISTAS FORAM ACELERADAS PELA TRAJETÓRIA DE UMA EMPRESA “IRMÔ

Não parece muito para tão pouco tempo de vida? Pois é. A resposta está no DNA do negócio. A Indie Warehouse é “irmã” da Behold Studios, um dos cinco maiores estúdios de desenvolvimento de games independentes do Brasil em faturamento e, também, um dos mais premiados. Os dois negócios têm CNPJ diferentes, mas os mesmos fundadores e uma história em comum.

A Indie Warehouse ocupa um galpão de uma antiga madeireira e funciona 24 horas.

O programador Saulo Camarotti, 32, sócio-fundador da Behold e da Indie, conta: “Não vejo a Indie Warehouse como o início de uma coisa nova, mas a consequência de uma década de trabalho. Nesse tempo, houve a construção de uma cena de games em Brasília, que se tornou referência”.

Saulo fala que, lá atrás, começou a surgir uma comunidade de desenvolvedores de games na cidade. Os estúdios foram crescendo com união, sem se verem como concorrentes. Em determinado ponto, decidiram não apenas trabalhar juntos como morar no mesmo lugar.

Em 2015, alugaram uma mansão no Lago Norte, onde 25 pessoas de cinco estúdios diferentes tinham espaço para dormir, comer, trabalhar, além de uma sala de descompressão (ambiente que oferece atividades descontraídas e promove a convivência entre os colaboradores). Esta era a Indie House, o protótipo do que viria a ser o coworking. Foram dois anos de convivência. “Deu muito certo. Começamos a ganhar prêmios. Houve um concurso nacional em que dos cinco finalistas, três moravam nesta casa”, diz Saulo. E continua:

“A união deu resultado, mas começamos a achar que a casa era limitada. Precisávamos de uma estrutura melhor, profissionalizar o negócio, trazer investidores”

A Behold já havia alcançado a independência financeira. Aberto em 2009 por quatro estudantes amigos da UnB, o estúdio ganhou visibilidade com o jogo Knights of Pen & Paper, com 3 milhões de jogadores, e, depois, com o Chroma Squad, que somou 20 prêmios internacionais.

Ao todo, lançou mais de 15 jogos e ganhou 54 prêmios e nomeações internacionais. Dos fundadores, apenas Saulo permaneceu. Ao longo dos anos, mais quatro sócios se juntaram ao time: os designer Hugo Vaz, 29, e Guilherme Mazzar, 33, o programador Leonardo Prunk, 28, e o artista gráfico Betu Souza, 31.

Em 2017, os sócios da Behold resolveram investir em uma estrutura mais profissional, que pudesse não apenas abrigá-los (já contam com dez funcionários), mas reunir toda a comunidade de games de Brasília. Só há quatro casas com essa vocação no mundo, segundo Saulo. “O sonho da gente é que outros estúdios também possam ir longe produzindo games e fortalecendo todo o ecossistema de produção de jogos.”

DE GALPÃO ABANDONADO A CELEIRO DE DESENVOLVEDORES

Bem perto da Indie House, havia um galpão de uma antiga madeireira disponível. Com mais três sócios-investidores, a Behold reformou toda a estrutura para montar a Indie Warehouse. O custo inicial foi de cerca de 500 mil reais.

Mais de 280 pessoas já trabalharam na Indie Warehouse, onde produziram 54 jogos em apenas um ano de operação.

Com estações de trabalho, salas de reuniões, espaços multiuso e até arquibancada, o coworking funciona 24 horas. A diária custa a partir de 20 reais e o acesso 24/7, 170 reais. O negócio ainda não atingiu seu ponto de equilíbrio financeiro, mas conquistou um público diverso. Reúne desde desenvolvedores de jogos a produtos correlatos, como aplicativos, arte, ilustração, cinema e audiovisual como um todo.

Surpreendeu, inclusive, ao atrair muitos outros segmentos. Eventos de café, compliance, aulas de inglês etc. “Também já recebemos eventos da Uber, do Banco do Brasil, da Perestroika”, enumera Saulo. O foco, no entanto, não se desviou. O coworking continua a acolher todo o cluster de jogos digitais. Há eventos de prototipagem, grupos de estudos de editais de financiamento e mostra de indie games. Saulo agora trabalha para superar o próximo desafio: atrair investimentos para manter os profissionais independentes no espaço. Ele conta:

“Muitos desenvolvedores não têm como largar outras ocupações. Às vezes, um jogo demora até dois anos para ficar pronto e é caro colocar no mercado”

Como também trabalha como programador para a Behold e estava difícil gerenciar sozinho o coworking (os outros sócios só trabalham na Behold), Saulo contratou Júlia Hormann como gerente geral e gestora de novos negócios. Além dela, também é contratada a produtora de eventos Maria Tereza Font Fernandes.

Cabe a Júlia ajudar Saulo a abrir caminhos. A publicitária tem experiência nesse quesito. É fundadora do Picnik, o maior e mais consolidado evento de economia criativa de Brasília (recentemente, ela deixou a sociedade). Júlia gosta de desbravar terrenos em busca de financiamento, sensibilizar autoridades em prol de políticas públicas para o setor, estudar editais, garantir verbas do setor privado e público.

Apaixonada por arte, tecnologia e inovação, topou o desafio de ajudar a converter paixão e sonho em projeto, tempo e dinheiro. “Na economia criativa de maneira geral, existe uma dificuldade nisso. Gosto de trabalhar para capacitar empreendedores e para estruturar e desenvolver melhor o segmento, sensibilizar autoridades do setor público e trazer investidores”, diz.

E Saulo, que sonha um dia ver o reconhecimento do jogo como cultura e arte, complementa: “Os jogos se tornaram uma nova mídia. Contam histórias, têm enredo, são feitos por artistas também. Não são necessariamente produtos comerciais e a tecnologia é só um meio de propagação e desenvolvimento. O que importa é a mensagem que eles trazem”. Afinal, por que não incluir o universo dos games nos editais de financiamento público destinados à cultura ou criar uma aceleradora para investir nos games como tantas que já investem em startups? É para virar o jogo e fortalecer esse ecossistema que a Indie Warehouse está trabalhando.

DRAFT CARD

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  • Projeto: Indie Warehouse
  • O que faz: Coworking voltado para desenvolvedores de games e economia criativa
  • Sócio(s): Saulo Camarotti, Hugo Vaz, Guilherme Mazzar, Leonardo Prunk, Betu Souza, Danilo Oliveira, Joice Madeiros e Gabriel Leite
  • Funcionários: 2
  • Sede: Brasília
  • Início das atividades: 2017
  • Investimento inicial: R$ 500.000
  • Faturamento: Mais de 280 pessoas trabalharam no local, onde produziram 54 jogos em um ano
  • Contato: contato@indiewarehouse.com.br
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