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“Quando decidi empreender, eu só sabia o que não queria mais. Hoje sei que essa já é uma grande decisão”

- 23 de novembro de 2018
Thaysa conta sua trajetória de publicitária a facilitadora de autoconhecimento.

 

por Thaysa Azevedo

Eu vim do Acre. Essa foi a minha primeira grande necessidade de ressignificação na minha vida. Cheguei em São Paulo para cursar Publicidade e Propaganda, numa turma em que a maioria dos jovens tinha alto poder aquisitivo e pouco conhecimento da realidade brasileira de outros Estados. Por alguns dias desta experiência, era como se eu fosse uma atração (meio bizarra) de circo, pela forma como me tratavam.

Eu tinha tudo para entrar nas estatísticas de jovens em depressão, mas o fato é que eu sentia uma desconexão profunda com aquele contexto e, por conta disso, comecei a valorizar ainda mais a minha própria história. Logo no início da minha carreira como publicitária, me fiz ser conhecida como “a planejadora do Acre”. Isso me dava um respaldo do forte entendimento das diferentes realidades de nosso país, uma vez que também conhecia bem outros estados e, para uma profissional que analisa comportamento humano para marcas nacionais, isso tinha um imenso valor.

Ainda assim, sentia que precisava me fortalecer para dar conta do contexto hostil e competitivo do mercado da comunicação e, durante a faculdade mesmo, comecei a criar um segundo currículo relativo à minha busca por autoconhecimento e desenvolvimento da espiritualidade. Fiz um curso de Reiki (prática de cura japonesa) e, desde então, nunca mais parei.

Era como se eu estivesse construindo dois caminhos diferentes e que aparentemente nunca se cruzariam: de um lado, a subjetividade representada por diversos cursos, estudos e práticas profundas a respeito do universo, do não dito e do não tangível das energias. Do outro, cursos de extensão, pós- graduação, MBA e um constante crescimento profissional nas maiores agências de publicidade de São Paulo, como Bates, Y&R, Loducca22, BE/Lowe, Taterka, e LewLara/TBWA.

Sincronicamente, eu parecia ser um para-raios de fusões do mercado. Isso ajudou a me acostumar com as transformações e a ouvir a mim mesma nessas situações, entendendo que a escolha de permanecer nas novas empresas que se formavam não vinha apenas de cima para baixo, mas era uma escolha minha em primeiro lugar. Que nova cultura organizacional se formava com as fusões e o quanto eu me sentia conectada com ela? Mais do que entender que eu tinha escolha e a capacidade de redirecionar a minha realidade, percebi que tinha algo para além do salário e do nome da agência que me levava a questionar aquelas empresas.

Porém, todo o trabalho de autoconhecimento que eu seguia realizando não foi suficiente para me fazer mudar completamente de rota. Após dez anos de mercado, eu me encontrava no ápice do que se entende e se espera do sucesso: ganhando um ótimo salário, casada com outro talentosíssimo publicitário, com o carro do ano e viajando todas as férias para o exterior. Mas algo dentro de mim já dava sinais de que eu estava no meu limite.

Nunca vou esquecer das manhãs que levantava chorando para ir trabalhar. Eu estava atendendo às muitas expectativas a meu respeito, mas me negligenciando por completo

Foi aí que criei coragem e me separei do meu primeiro marido, que já externava as diferentes escolhas de vida de dois jovens que se tornaram adultos juntos. Com a separação, rompi com toda uma lógica de realização a partir do que esperavam de mim. Rompi com o meu próprio reconhecimento a partir de referências externas e fui em busca das minhas próprias.

Logo no início desse processo, percebi o quanto havia me perdido e o quanto eu, apesar de já olhar tanto para isso, ainda não me conhecia por completo. Fui redescobrindo tudo o que me dava prazer. Voltei a dançar, comecei a tocar e me lembrei do quanto a música eleva a minha alma. Mas foi apenas dois anos depois, em 2014, que iniciei uma profunda jornada de ressignificação da minha atuação no mundo e de amadurecimento da minha auto responsabilidade.

Fui demitida da última empresa de comunicação para a qual trabalhei: o SBT. Parte de mim se entristeceu muito pela forma como tudo aconteceu. Outra parte sentia uma grande felicidade por perceber aquele movimento como uma oportunidade e por saber que eu dificilmente teria coragem de pedir demissão, de sair da minha zona de conforto.

Entendi que era o momento certo de me jogar no nebuloso processo de empreender. Nebuloso, porque não tinha a menor ideia do que eu faria profissionalmente.

Quando decidi empreender, eu só sabia o que eu não queria mais. Hoje, entendo que isso já é uma grande decisão para dar o primeiro passo

Mesmo desorientada, eu já vinha num movimento de realização por meio de meus projetos paralelos. Desde meados de minha carreira como publicitária, experimentei movimentos de valorização do conceito de Progresso Compartilhado, a criação de um coletivo chamado Polline, que identificava movimentos culturais potenciais, a criação de uma label de festas em São Paulo chamada TrendBeats, que depois veio a se tornar uma consultoria para marcas que desejavam se aprofundar no mercado da música eletrônica.

Costumo dizer que os projetos paralelos são os melhores amigos de quem busca chegar mais próximo do seu propósito de vida. Enquanto eu dava continuidade aos projetos de música que me inspiravam, me fechei em um silêncio interno no que dizia respeito à minha principal profissão.

Precisei de um ano limpando de mim todo o formato já instaurado de fazer as coisas antes de conseguir me abrir para o novo

E foi após esse período que começou a emergir o meu dom para facilitação. Iniciei a criação de um processo de mentoria, chamado Manifestação da Identidade, para pessoas que buscam clarear o seu impulso de vida, trazendo mais autenticidade para os seus negócios, caminhos e iniciativas.

Mais tarde, este se tornaria o primeiro serviço ofertado pela organização em rede NaSala, iniciada por mim, pela minha amiga e sócia Claudia Vaciloto e mais dois ex-sócios, os queridos Rodrigo Zappa e André Robic. Nosso objetivo inicial, totalmente despretensioso, era o de nos fortalecer conjuntamente na jornada do empreendedorismo.

Hoje, com quatro anos de intensa jornada, posso dizer que integrei por completo aqueles dois currículos: o da espiritualidade e das energias com o do pensamento analítico estratégico do mercado da comunicação, tendo como linha mestra o aprofundamento do comportamento humano.

Pude compreender que meu impulso de transformação está em cuidar das relações do indivíduo consigo mesmo e com o outro por meio da ativação e expansão da consciência, exaltando a liberdade do ser e do fluir juntos na colaboração e na cocriação.

Hoje, meu trabalho é fruto de minhas experiências de vida, de meus estudos, da reconexão profunda com o meu coração e com quem eu realmente sou — e do salto quântico do desenvolvimento da minha espiritualidade

Miro nas novas lógicas de organização, política e educação, facilitando processos individuais e mentorias para líderes que buscam ressignificar o seu papel frente a uma revolução que nasce do interior de cada um, resgatando nossa humanidade e transcendendo o comando e o controle que tangem as posições de poder. Este é o meu maior desafio de vida e, ao mesmo tempo, o meu grande potencial de entrega para o mundo.

 

 

Thaysa Azevedo, 36, é publicitária e facilita processos individuais de Ativação da Consciência. É também facilitadora da mentoria evolutiva HeartSet, voltada para altos níveis de liderança, criada juntamente com Sheila Zeijden, e sócia e facilitadora dos serviços da organização em rede NaSala. Faz parte do movimento do livro Reinventando as Organizações no Brasil.

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