SPONSORS:

Verbete Draft: o que é Geração Alpha

- 31 de agosto de 2016
Muitos da Geração Alpha ainda nem nasceram: eles serão os mais conectados e interligados à tecnologia. No que isso vai dar? (imagem: www.parent24.com).
Muitos da Geração Alpha ainda nem nasceram: eles serão os mais conectados e interligados à tecnologia. No que isso vai dar? (imagem: www.parent24.com).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

GERAÇÃO ALPHA

O que acham que é: O nome da geração composta por “machos Alpha”.

O que realmente é: A geração dos nascidos entre os anos 2010 e 2024 (ou seja, inclui os que ainda estão por nascer). A definição segue a mesma linha do tempo utilizada nos Verbetes Geração X, Geração Y e Geração Z, publicados este mês, e adotada pela maioria dos especialistas.

Luiz Arruda, consultor sênior da WGSN Mindset, diz que a Geração Alpha, de acordo com algumas projeções demográficas, será um “tsunami populacional” (termo também utilizado sobre a Geração Z) e que 2,5 milhões de Alphas nascem por ano no mundo — até 2025, a expectativa é de que sejam mais de dois bilhões de pessoas. “É importante ressaltar que grande parte dessa nova geração surgirá do boom demográfico de lugares como Índia, China e África. Isso deverá gerar um grande impacto social e cultural no futuro, uma vez que grande parte da juventude ativa e criativa se encontrará fora do eixo ocidental EUA-Europa.”

Segundo Fernanda Furia, mestre em Psicologia de Crianças e Adolescentes pela University College London e fundadora do Playground da Inovação diz que as crianças Alpha estão expostas a um nível educacional mais alto do que outras gerações até hoje e que começam a estudar mais cedo. “No Brasil, por exemplo, cresceu o número de crianças de 4 anos matriculadas na escola. Além disso, os Alpha serão os primeiros a vivenciar um novo sistema escolar, mais personalizado e híbrido (online e offline), com foco na autonomia do aluno e no aprendizado a partir de situações do cotidiano. Além disso, possuirão o maior conhecimento tecnológico da história até hoje.”

Arruda conta que ainda é cedo para definir completamente os Alpha, já que suas demandas e prioridades devem evoluir ao longo dos anos. “Mas muitos pesquisadores já começaram a mapear seus valores, identidades e estilos de vida”, diz. Dentro disso, a tecnologia tem protagonismo, com mais de 30% dos Alpha tendo contato intenso com gadgets enquanto ainda usam fraldas e, parte destes, antes de completar um ano de idade (smartphones e tablets dos pais, que usam para distraí-los e educá-los). Há, também, a introdução de técnicas como realidade aumentada para que essa geração tenha uma experiência imersiva de aprendizado. “Os Alpha são chamados de ‘screenagers'”, diz Arruda. Mais que nativos digitais, eles serão a geração que já nasce com objetos conectados, então a Internet das Coisas também lhes será nativa.

Outras características gerais (atuais e perpectivas) da Geração Alpha são: ser curiosa e ligada em tudo à sua volta; se relacionar de forma mais horizontal, menos hierárquica; ser, desde cedo, criadora de conteúdo, de produtos e de serviços e ter disponíveis produtos e serviços mais personalizados e sob medida, de acordo com as suas necessidades.

Quem inventou: O pesquisador australiano Mark McCrindle, do instituto de pesquisa e tendência e McCrindle, que realizou uma enquete para definir o nome da geração seguinte à Z. “O termo foi sugerido seguindo o padrão de muitas disciplinas científicas, que passam a utilizar o alfabeto grego após esgotarem o uso do alfabeto romano”, afirma Arruda.

Quando foi inventado: A enquete foi feita em 2005.

Para que serve: Para Arruda, classificar e definir gerações é uma parte importante do cotidiano da rede que envolve marketing, agências de propaganda e consultorias de negócio e tendências. “Elas balizam uma série de escolhas estratégicas e criativas e são relevantes para a definição mais acurada dos públicos-alvo, além da adequação das estratégias de mercado, produto e comunicação”, diz. Conhecidas as principais características, desejos e demandas de cada target, fica mais fácil traçar um “caminho” assertivo e relevante até eles.

Segundo Furia, a classificação da Geração Alpha permite não apenas foco acurado em pesquisas, desenvolvimento de produtos e serviços, “mas também estratégias, em diferentes setores da sociedade, para melhor atender às necessidades dessa geração e para prevenir futuros problemas sociais e econômicos”.

Quem usa: Profissionais de marketing, agências de propaganda, consultorias de negócio e tendências. Governos também, nas áreas educacionais e de saúde, por aplicarem estratégias de acordo com a faixa etária do público atendido. Para Furia, instituições, empreendedores, escolas e governos podem se beneficiar com a definição dos Alpha, já que a compreensão da primeira infância (de 0 a 6 anos), cria consciência sobre a necessidade de investimentos em saúde, infraestrutura, educação e segurança, entre outros. “Isso, voltado para a resolução de problemas atuais e para a prevenção complicações futuras, afeta diretamente o crescimento do país e contribui para evolução de uma sociedade mais ética e responsável.”

Efeitos colaterais: Uso precoce, intensivo e indiscriminado da tecnologia. Arruda diz que é cedo para avaliar mas há preocupação, por parte de alguns pesquisadores, com relação ao excesso de tecnologia. “Pode, por exemplo, levar os Alpha ao desenvolvimento precário de habilidades fundamentais no mundo real”, diz.

Na mesma linha, Furia afirma que a questão da tecnologia é um “ponto de atenção” pelo risco de incentivar e valorizar habilidades tecnológicas em detrimento do desenvolvimento emocional e humano: “É preciso iniciativas que unam as novas tecnologias às reais necessidades humanas para que os Alpha possam resolver e lidar com problemas complexos de forma ética e humanizada”.

Quem é contra: “Ainda é muito cedo para afirmar que haja alguém contra a Geração Alpha já que são pessoas ainda muito jovens e não possuem uma voz social definida. Mais que isso, ainda estão longe de sua independência financeira e emocional”, diz Arruda.

Para saber mais:
1) Leia, na Business Insider, Here’s who comes after Generation Z — and they’ll be the most transformative age group ever. O texto contém explicações de Mark McCrindle sobre a Geração Alpha que, segundo ele, dará o maior salto da história em relação à geração anterior, Z.
2) Leia, no The Daily Telegraph, The Screenage: Generation Alpha will seamlessly interact with the world digitally, texto que destaca as habilidades tecnológicas da Geração Alpha que, diz, será a primeira no mundo de multi-milionários.
3) Leia, no Playground da Inovação, A Geração Alpha e a Internet das Coisas: as crianças de hoje e os objetos do futuro, texto que relaciona os skills tecnológicos dos Alpha com a inovações tecnológicas.
4) Leia, no New York Times, Meet Alpha: The Next ‘Next Generation’, um bate-papo com Mark McCrindle.

Veja também:

“Só os nativos digitais podem por fim à barbárie na internet e criar um novo pacto de convivência online”

- 31 de agosto de 2018

Verbete Draft: o que é Tecnologia 5G

- 15 de agosto de 2018
3774 1 0

Aos 100 anos, a Atlas Schindler mostra como pretende deixar nossos elevadores mais inteligentes

- 5 de junho de 2018
3732 2 0

Com tecnologia nacional, o Noeh é um sapatinho infantil que simula o que há de mais saudável: andar descalço

- 27 de fevereiro de 2018
Ana Paula Lage abandonou o universo da moda para criar um sapatinho infantil que simula o caminhar descalço.