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Verbete Draft: o que são Xennials

- 2 de agosto de 2017
Os Xennials estão entre a Geração X e os Millennials — e sabem que os tênis acima são de Marty McFly em De Volta para o Futuro. Você é um deles? (imagem: reprodução internet).
Os Xennials estão entre a Geração X e os Millennials — e sabem que os tênis acima são de Marty McFly em De Volta para o Futuro. Você é um deles? (imagem: reprodução internet).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

XENNIALS

O que acham que é: Fórmula mais moderna do comprimido Xenical, para emagrecimento.

O que realmente é: A geração dos nascidos entre os anos 1977 e 1983. A definição segue a mesma linha do tempo utilizada nos Verbetes Draft sobre Geração X, Geração Y, Geração Z e Geração Alpha e adotada pela maioria dos especialistas em marketing e comportamento. (É bom lembrar que também existe a denominação Perennials, que contesta essa divisão de pessoas em gerações. Mas sigamos.)

Xennials (pronuncia-se zéniols) é considerada uma microgeração por ter sido recentemente encaixada entre as Gerações X (nascidos entre 1965 e 1978) e Y (os Millennials, nascidos entre 1979 e 1993). Ela surge da percepção dos próprios Xennials de não pertencerem a nenhuma dessas gerações mesmo que (ou até por isso) tenham nascido no fim de uma ou no começo de outra. O nome, inclusive, vem daí: é a aglutinação de X com o sufixo da palavra Millennials.

A criadora do termo brinca que, por isso, os nascimentos entre 1977 e 1983 foram acidentais. Seguindo essa lógica, dá para fazer uma analogia dessa microgeração com a astrologia (para os que acreditam, claro): muitas pessoas nascidas entre os dias 20 e 22 não sabem dizer exatamente de qual signo do zodíaco são. O jeito é olhar as características de cada um e se autoclassificar naquele que acreditam ter (um pouco) mais a ver — era o que faziam os Xennials até então.

Luiz Arruda, consultor sênior da WGSN Mindset, diz que os Xennials são uma mistura das gerações X e Y, flutuando entre o cinismo da primeira (típico do movimento grunge) e o otimismo, a confiança, o desejo de afirmação e a intimidade com a tecnologia da segunda. “Eles tiveram infância e adolescência predominantemente analógicas, mas seus primeiros anos da vida adulta já foram digitais, com o surgimento e massificação do computador pessoal e da internet. Por isso, se sentem confortáveis com a tecnologia mas não tanto quanto os Millennials, que já cresceram imersos nesse universo.”

Um outro ponto relevante é que os Xennials começaram suas vidas adulta e profissional um pouco antes da grande crise econômica mundial (principalmente nos EUA e na Europa) e, portanto, não foram tão prejudicados quanto os Y, que sofreram com a entrada no mercado de trabalho.

Quem inventou: O termo é majoritariamente creditado à escritora americana Sarah Stankorb. Ela escreveu Reasonable People Disagree about the Post-Gen X, Pre-Millennial Generation, um texto em primeira pessoa publicado na revista Good, no qual conta sobre seu próprio senso de não pertencimento às Gerações X ou Y.

Mas o termo se popularizou recentemente depois da publicação de If you were born between 1977 and 1983, there’s a new name for you, texto da revista MammaMia na qual Dan Woodman, professor de sociologia australiano (e ele mesmo um Xennial) foi entrevistado para falar a respeito. Aqui, deu-se uma confusão: o assunto rapidamente tomou a internet e alguns veículos creditaram a Woodman a criação do termo. Em um tuíte, ele desfez o engano e linkou a matéria da Good.

Outros nomes para Xennials: Generation Catalano, de 2011, (referência ao personagem Jordan Catalano, de Jared Leto, na série adolescente My So-Called Life), The Lucky Ones, de 2014, (referência ao fato de poder pertencer tanto à Geração X quanto à Y) e The Oregon Trail Generation, de 2015 (referência a um game que aparecia na tela inicial de antigos Macintoshs de mesa).

Quando foi inventado: O texto da Good foi publicado em setembro de 2014 e o da MammaMia em junho deste ano.

Para que serve: A demarcação geracional, segundo Gustavo Pessoa, psicólogo, mestre em Psicologia do Desenvolvimento pela USP e cofundador da Talent Matching, é um modo de compreender o grupo de pessoas nascido em uma determinada época e uma tentativa de identificar quais valores emergentes estão presentes e são defendidos por essas pessoas. “Também há um benefício claro para aqueles que estudam comportamento do consumidor ao conseguir agrupá-los em características comuns, assim como fazer avaliações para contratações em empresas. Mas, para além disso, a demarcação é pouco utilizada.”

Arruda diz que a definição desse novo grupo geracional, e toda a atenção midiática e interesse que vem ganhando, pode abrir novas discussões e gerar novos insights, principalmente entre times de marketing e agências de propaganda. “Isso se soma ao fato de que a Geração X tem voltado a ganhar atenção nos últimos meses e muito tem sido discutido sobre esse grupo que, por vezes, é esquecido nos planejamentos das marcas e em suas campanhas, mas que tem grande potencial de consumo.”

Quem usa: Os próprios Xennials, sociólogos, empresas de comunicação (para falar com seus consumidores), empresas em geral (para contratação) estudiosos de comportamento e agências de marketing e propaganda (como target), dentre os principais.

Efeitos colaterais: Possibilidade de que seja uma análise superficial e descolada do contexto histórico. “Este é principal problema dessas definições geracionais quando prescindem de um estudo mais cuidadoso sobre movimentos ao longo do tempo que as levam a se comportar com as características que lhe são atribuídas”, fala Pessoa.

Quem é contra: Arruda acredita ainda ser cedo para se apontar opiniões contrárias à classificação de gerações. Por sua vez, Pessoa conta que já estão surgindo críticas, no meio acadêmico, à precariedade dos conceitos. “Provavelmente, caso não se aprofundem os estudos, tenderão a cair em desuso já no fim desta década”, diz.

Para saber mais:
1) Há dois testes online para que Xennials (ou não) descubram se se encaixam nessa microgeração. O do Guardian e o da Good, este elaborado por Stankorb. Ambos em inglês.
2) Leia na Slate, Generation Catalano, na Social Media Week, The Oregon Trail Generation: Life Before and After Mainstream Tech, no Medium, The Lucky Ones e conheça o contexto em que foram criadas essas diferentes denominações.

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